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:: A RECONQUISTA DE OLIVENZA, UMA CRIAÇÃO DE RICARDO NEVES-NEVES E FILIPE RAPOSO | 6 A 16 FEV, SÃO LUIZ TEATRO MUNICIPAL, LISBOA

Liz Vahia

2020-02-06



  

Créditos fotográficos: Filipe Ferreira e Art Design José Pinheiro

 

 

A Reconquista de Olivenza, uma criação de Ricardo Neves-Neves e Filipe Raposo

6 a 16 Fev, no São Luiz Teatro Municipal, em Lisboa

 

Estreia a 6 de Fevereiro no São Luíz Teatro Municipal, em Lisboa, o espectáculo “A Reconquista de Olivenza”, a nova criação do encenador Ricardo Neves-Neves em parceria com o pianista e compositor Filipe Raposo.

Comédia total, em que a história nacional se mistura com a ficção popular global, numa realidade alternativa onde a monarquia portuguesa ainda subsiste e decide ir numa intrépida aventura pela reconquista desse pedaço de território português ocupado por Espanha em 1801, a vila de Olivenza, onde se esconde a cobiçada sétima bola de cristal.

Uma história fantasiosa onde poderemos encontrar personagens do Dragon Ball, do videojogo Street Fighter, Mary Poppins ou algumas Nossas Senhoras famosas, que intercedem por Portugal, na boa tradição cristã nacional. A política nacional e internacional numa clássica luta pelo poder, tendo por base a sempre presente relação amor/ódio entre os estados ibéricos e seus aliados.

O encenador Ricardo Neves-Neves afirma que o fio condutor do espectáculo, mais do que uma ideia de dramaturgia, foi a geografia e a sua ligação à história nacional, ao cinema de animação e aos videojogos. O desenrolar da narrativa foi sendo condicionado também pelos elementos que iam sendo adicionados, numa sucessão de peripécias num “Portugal de faz de conta”, onde a monarquia ainda existe a par com regiões autónomas “soviéticas” e árabes. A questão da disputa de Olivenza é o ponto de partida para uma chamada de atenção a outros enclaves onde a tensão entre nações subsiste, como Gibraltar ou mesmo a Palestina. A tomada de Olivenza e da sétima bola de cristal não tem como objectivo a conquista de terras e de ouro, mas sim a paz, a felicidade: “O Quinto Império era Portugal, que na sua concretização promoveria a felicidade universal por um período de mil anos”, como se diz na primeira cena do espectáculo. Para Ricardo Neves-Neves, “interessa o trabalho da verdade na ficção”.

Filipe Raposo diz que o espectáculo ironiza a história de um povo tal como ela é contada, um monomito que poderia ter tido esta versão fantasiosa e ser esta a ser propagada. Para o compositor, não há que ter medo em explorar o absurdo até chegar ao fundo, numa espécie de “sofá de Freud colectivo”. A inspiração para a música do espectáculo veio da música de corte. Para Filipe Raposo a música contém uma poética da palavra tal como a poesia, e vê essa característica no trabalho de Ricardo Neves-Neves, a palavra entendida de forma musical, melódica.

Ricardo Neves-Neves não deixou de chamar a atenção para a situação de precariedade dos espectáculos de teatro em Portugal. Afirma que “trabalhamos com o provisório de várias maneiras, a zona temporal de montagem e dramaturgia é muito maior que a das apresentações. Tem que se repensar como gerimos os recursos. Os teatros continuam a fechar apesar de Lisboa ter muita variedade de produções. Falta-nos espaço físico e de calendário, trabalhamos à pressa e de forma curta. Uma obra ter dez dias de vida é não existir, comparando-a com outras formas de arte, como a música ou a pintura.”

“A Reconquista de Olivenza” estará em cena no São Luíz até 16 de Fevereiro, viajando depois para o Cineteatro Louletano, a 21 e 22 deste mês.
 

 

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A Reconquista de Olivenza

de Ricardo Neves-Neves e Filipe Raposo

6 a 16 Fev, no São Luiz Teatro Municipal, em Lisboa

 

ACTORES Ana Valentim, Bruno Huca, David Mesquita, David Pereira Bastos, Diana Vaz, Joana Campelo, Márcia Cardoso, Rafael Gomes, Rita Cruz, Ruben Madureira, Sandra Faleiro, Samuel Alves, Sílvia Figueiredo, Sílvia Filipe, Sissi Martins, Susana Madeira, Tadeu Faustino, Tânia Alves, Teresa Coutinho, Teresa Faria, Tiago da Cruz e Vítor Oliveira

MÚSICOS Nelson Nogueira, Malu Santos, Eurico Cardoso, Abel Gomes, Romeu Santos, Tânia Mendes, Cristiano Rios, Natália Grossmanová, Filipe Freitas, Marta Xavier, Gonçalo Pereira, Ricardo Alves, Pedro Pereira, Óscar Carmo, Hélder Rodrigues, Jenny Silvestre

MAESTRO Cesário Costa

 

Mais informação: Teatro São Luíz




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