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:: CURTAS DE TRÊS REALIZADORAS PORTUGUESAS COM ESTREIA CONJUNTA A 9 DE JULHO NOS CINEMAS NACIONAIS

Francisca Correia

2020-06-25



 

 

 

Curtas de três realizadoras portuguesas com estreia conjunta a 9 de julho nos cinemas nacionais


Dia de Festa, de Sofia Bost, Ruby, de Mariana Gaivão, e Cães que ladram aos pássaros, de Leonor Teles, chegam às salas de cinema portuguesas no dia 9 de julho, depois de terem sido apresentadas em festivais internacionais como o de Veneza, Roterdão ou Cannes. As mais recentes curtas das realizadoras portuguesas revelam três visões sobre o futuro e a juventude e celebram o cinema português no feminino.

Dia de Festa, marca a estreia de Sofia Bost na realização. Esta curta-metragem desenrola-se durante o dia de aniversário de Clara, filha de Mena. Mena, mãe solteira, prepara-lhe uma pequena festa de aniversário, mas não parece conseguir sentir-se feliz no dia de anos da filha. Agitada após receber um telefonema da sua mãe, tudo parece correr mal. À medida que o dia se desenrola, a tenção cresce dentro de Mena, que se mostra perturbada e deprimida, ao mesmo tempo que se revelam feridas familiares antigas. Um relato intenso e intimista que aborda a complexidade das relações entre mães e filhas, bem como se denotam as intrincadas situações por que passam as mães solteiras em Portugal, constrangidas psicológica e financeiramente.

A curta fez parte da competição oficial da Semana da Crítica do Festival de Cinema de Cannes 2019. Até à data, Dia de Festa já foi apresentado em mais de 18 festivais internacionais, tendo recebido os prémios de Melhor Atriz Secundária para Teresa Madruga no Caminhos do Cinema Português e o Prix du Jury Professionnel no Rencontres de Films Femmes Méditerranée.

Ruby, de Mariana Gaivão, relata a história de duas raparigas inglesas que vivem libertinamente numa aldeia no interior de Portugal. Rodeadas por montanhas e casas de xisto, a curta metragem acompanha a jovem Ruby nos dias antes de a sua melhor amiga, Millie, regressar a Inglaterra. Divididas entre o país de origem, que os pais deixaram para trás, e o país que as viu crescer, mas que insiste em considerá-las estrangeiras, o filme reflete as complexidades da identidade, numa busca incessante por um sentimento de pertença. Um retrato da juventude selvagem em autodescoberta em cenário de “coming of age” que se relaciona intimamente com a essência da natureza e da música.
A curta arrecadou o Prémio para o Melhor Realizador Português no Curtas Vila do Conde Festival Internacional de Cinema 2019 e os prémios de Melhor Curta-Metragem e Melhor Cartaz no Caminhos do Cinema Português 2019. Além disso tem sido exibido em vários festivais de renome como o Internacional Film Festival Rotterdam ou o Festival du Nouveau Cinéma de Montréal, Canadá.

Cães Que Ladram aos Pássaros, de Leonor Teles acompanha os dias de verão de Vicente e da sua família, obrigados a deixar a sua casa no centro do Porto, por força da especulação imobiliária e do boom turístico portuense. A gentrificação, flagelo contemporâneo, ataca a cidade. A procura acelerada de turistas por casas no Centro Histórico faz com que os edifícios antigos sejam destruídos e os antigos moradores despejados impiedosamente. Vicente pedala pela cidade à medida que observa novas construções a cada dia que passa. Sente-se a mudança na atmosfera da cidade e ele e a sua família sentem-na na pele. Os turistas enchem as ruas e os cafés do Porto enquanto que Vicente vive com expectativa os primeiros dias de férias, que trazem a promessa de mudança e a incerteza de uma vida nova. Denunciador na forma que aborda a gentrificação e a especulação imobiliária que abala os grandes centros urbanos do nosso país, este filme entre o documentário e a ficção, é um relato comovente e esteticamente sublime, sobre o impacto real que as políticas locais têm na vida familiar, quando a sua vida quotidiana é interrompida por motivos que lhes são completamente alheios.

 

 

Depois de um périplo por inúmeros festivais internacionais, esta é a primeira oportunidade para o público português ver esta curta. O filme estreou na passada edição do Festival Internacional de Cinema de Veneza. foi Nomeado para Melhor Curta Metragem Europeia nos 32º European Film Awards e recebeu o Tercero Premio del Jurado Internacional do Mecal Pro – Festival Internacional Cortometrajes y Animación. Leonor Teles recebeu em 2016 o Urso de Ouro na Berlinale pela curta Balada de um Batráquio e realizou a longa-metragem Terra Franca, que chegou às salas portuguesas em 2019.

 

A distribuição desta sessão de curtas-metragens é da responsabilidade da produtora Uma Pedra no Sapato, de Filipa Reis e João Miller Guerra, que também produziu Dia de FestaCães Que Ladram aos Pássaros. O filme Ruby é uma produção da Primeira Idade.

 




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