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LONDRES: TATE BRITAIN TRANSFORMADA EM CENÁRIO DE CONTESTAÇÃO

2007-01-17




A Tate Britain transformou-se no mais recente cenário da contestação da comunidade artística do Reino Unido à política de Tony Blair. As galerias Duveen (artéria central do edifício) acolhem um veemente protesto político que assume a forma de uma instalação do artista Mark Wallinger. “State Britain” recria com exactidão o protesto que o pacifista Brian Haw ergueu frente ao Parlamento de Westminster contra a guerra no Iraque e a política anti-terrorista do governo, em favor da paz. A história remonta ao ano de 2001 quando Brian iniciou a manifestação pública; desde então o amontoado de cartazes, slogans, ursos de peluche e imagens de tortura aumentou de tal modo que chegou a ocupar 40 metros ao largo da fachada da instituição. Em Maio de 2006 as forças de segurança, invocando a aplicação de uma lei contra o crime organizado que pune a organização e participação em manifestações nas imediações da sede do governo, desmantelaram tudo. O activista não desistiu e, actualmente, ainda que numa dimensão bastante mais reduzida, retomou o protesto em Westminster. Para além da reconstituição fidedigna a instalação de Wallinger (que integrou os Young British Artists) inclui uma linha negra desenhada no solo da galeria que representa, precisamente, a fronteira real da área proibida a manifestações - exactamente a 1 km do Parlamento. Pode considerar-se, consequentemente, que parte da exposição está a infringir a lei e que o artista poderia ver a sua obra confiscada e até mesmo ser levado para a prisão. Mas, neste caso, numa instituição tão considerada como a Tate Britain, trata-se de arte e não de um protesto político.

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