Links

NOTÍCIAS


ARQUIVO:

 


BIENAL DE VENEZA PODERÁ RETOMAR VERTENTE COMERCIAL

2007-05-28




Quem considera que as bienais se estão a transformar em feiras de arte dissimuladas, talvez se surpreenda com a revelação de que a Bienal de Veneza foi abertamente usada para vender arte entre 1942 e 1968. O comerciante italiano Ettore Gian Ferrari tinha a função oficial de colocar em exibição obras de qualquer artista que se mostrasse cooperante, lucrando com as vendas 15% a Bienal e 2% ele próprio. A prática foi ostensivamente condenada e concluída de forma a que a Bienal não fosse associada a uma vertente comercial considerada desprestigiante. No entanto, de acordo com a sua filha, Claudia Gian Ferrari, foram os representantes regulares dos artistas os principais responsáveis pela cisão ao demostrarem a sua natural oposição.
Uma nova feira de arte, “Cornice”, que decorrerá em Veneza de 7 a 10 de Junho de forma a coincidir com a inauguração da Bienal, incluirá 60 negociantes de arte - 80% dos quais nomes com reconhecimento internacional como Salander-O’Reilly. A questão colocou-se novamente no centro de debate com a constatação por parte de Davide Croff, presidente da Bienal, de que “Cornice” reuniu o apoio das mais importantes autoridades públicas e de um número considerável de figuras proeminentes do mundo artístico, nomeadamente Jean-Jacques Aillagon, antigo ministro da cultura francês e actual director da Pinault Collection (situado no Palazzo Grassi), levando-o a considerar a hipótese da bienal retomar, em 2009, a sua vertente comercial. Mr Croff levou a questão, em Janeiro passado, para uma reunião de especialistas de que não resultou nenhum posicionamento oficial, sendo óbvio, no entanto, que as galerias se oporiam à proposta.
Apesar da proliferação global de bienais e trienais, a Bienal de Veneza permanence a mais relevante mostra internacional, oferencendo aos negociantes de arte uma oportunidade única para divulgar os seus artistas, levando-os a investir em subsídios de produção, transporte e instalação das obras. Como Jérôme Sans, antigo co-director do Palais de Tokyo e actual director de programação no The Baltic (Gateshead), afirmou: “Todos os negociantes e coleccionadores estão cá, e os acordos comerciais são aqui estabelecidos”.

Disponível em:
www.theartnewspaper.com