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LISBOA: ARTE E ACÇÃO SOCIAL EM EXPOSIÇÃO DE ARTE PÚBLICA

2007-07-26




A revista “Cais” em parceria com o Grupo 21 1/2 (Plataforma Independente de Transgressão Artística) promove em Lisboa uma exposição de arte pública que se materializa na utilização de mupis espalhados por um percurso que une alguns locais da baixa lisboeta, mais especificamente em torno da Avenida da Liberdade - entre a Praça dos Restauradores e o Marquês do Pombal.

A exposição “Descartáveis” assume o mupi como suporte de aproximação a um público que habitualmente não frequenta espaços culturais, intervindo artisticamente num suporte destinado por excelência à informação publicitária e que reforça assim, pela contradição do ruído urbano, o conceito base deste projecto e das 16 obras que o constituem - da autoria de António Júlio Duarte, Duarte Amaral Netto, Manuel Santos Maia, Nuno Ramalho, Sandro Resende, Paulo Romão Brás, Susanne Themlitz, João Penalva, Maria Lusitano, Sandra Cinto, Francisco Queirós, Paula Roush, Ana Pérez-Quiroga, Miguel Palma, Valter Vinagre e Xana.

Depois de dedicar a edição de Maio da revista ao projecto “Descartáveis”, a Cais apresenta até 31 de Julho os trabalhos resultantes da interacção entre estes artistas e alguns utilizadores de instituições sociais. Este projecto visou promover o envolvimento da população-alvo da intervenção da Associação Cais, pessoas e grupos que se encontram em situação de risco ou exclusão social, num projecto artístico e social que questiona a cultura mercantilista do “usa-e-deita-fora” que faz depender o valor do ser humano do ganho que este é ou não capaz de produzir, tornando-o assim num objecto útil ou dispensável. Entre os meses de Março e Abril, os artistas visitaram instituições sociais em Lisboa, a fim de conhecerem o trabalho desenvolvido no terreno, interagirem com a população-alvo e, em simultâneo, estimularem a sua criatividade e participação neste projecto. A exposição representa, portanto, a sua segunda fase, reunindo não só alguns dos trabalhos já publicados mas também outros, que dão continuidade às primeiras obras apresentadas.

O Grupo 21 ½: Plataforma Independente de Transgressão Artística, constituído por João Mourão, Paulo Romão Brás e Sandro Resende, é experiente em produção e curadoria de exposições similares, principalmente na realização de projectos de arte urbana e de projectos em locais pouco convencionais e fora do circuito galerístico.