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PARIS: “SOTS ART - ART POLITIQUE EN RUSSIE”2007-10-31Desde 21 de Outubro até 20 de Janeiro de 2008 estará patente na Maison Rouge, em Paris, a exposição “Sots Art: Art Politique en Russie”, mostra que revisita a história de um movimento artístico russo, surgido na década de setenta, que ainda hoje continua a suscitar polémica. Prova disso é que o governo de Moscovo acaba de impedir a saída de duas obras que deveriam integrar a exposição: são ambas imagens do conhecido colectivo Blue Noses e, se numa delas aparecem dois polícias a beijarem-se, situação que foi qualificada de degenerada pelo Presidente Vladimir Putin, na outra apresentam-se as figuras de Hitler, Estaline e Mao como as grandes esperanças da humanidade. Possuindo a base formal da Pop Art e a carga conceptual da situação política e social da Rússia de então, o denominado movimento Sots Art, que nasceu em 1972 pelas mãos dos russos Vitaly Komar e Alexander Melamid, foi perseguido durante mais de uma década. Contudo, a sua situação veio a mudar com a chegada da Perestroika, momento em que não apenas se permitiu o seu desenvolvimento, como chega a considerar-se a tendência da moda entre 1985 e 1991. O seu nome deriva da união das palavras - arte e socialismo – e, diferentemente do estilo americano, que adquiriu carácter universal, foi considerado um movimento puramente autóctone, o primeiro original do país, depois das vanguardas dos anos vinte. Caracteriza-se pela utilização descontextualizada, irónica e muito crítica de imagens e slogans da publicidade e da propaganda política, com o objectivo de fazer reagir os indivíduos e de sacudir as consciências frente às actuações políticas contra as quais se manifestam. Porém, há que assinalar o facto das suas produções não estarem apenas relacionadas como o sistema comunista, mas com qualquer forma opressiva de submissão, incluindo as mediáticas ou religiosas, como aconteceu na época mais recente com as manifestações do já mencionado grupo Blue Noses, Oleg Kulik ou P.G. Excluídos de qualquer exposição oficial daquele tempo, a mostra que podemos ver actualmente na Maison Rouge inicia-se com a recriação de um apartamento semelhante ao que aqueles criadores - entre os quais estavam Vagrich Bakhchanyan, Ilya Kabakov, Alexandre Kossolapov, Leonid Sokov, Dimitri Prigov, Boris Orlov e o grupo Gnezdo -, utilizavam para trocar opiniões e mostrar os seus trabalhos. Com o tempo, alguns viajaram para Nova Iorque, ampliando assim as fronteiras do movimento e incorporando nas suas composições emblemas soviéticos e norte-americanos. Uma vez feita a introdução à formação desta tendência artística, a exposição continua a sua apresentação mostrando o trabalho de cerca de sessenta artistas, representados por mais de 160 peças, entre pintura, escultura, vídeo, fotografia, instalações e colagens. |














