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MERCADOS: COPO MEIO CHEIO OU MEIO VAZIO?2007-11-12Os leilões de arte moderna e impressionista realizados a semana passada em Nova Iorque deixaram um gosto agridoce a quem esperava sinais inequÃvocos do que sucederá no mercado durante os próximos meses. À vista dos resultados, parece que há razões para afirmar que o copo está meio cheio, mas também para afirmar o contrário. O leilão de Sotheby’s foi o terceiro mais importante da sua história em termos de volume de facturação, no entanto, tiveram de retirar “Campo de Trigoâ€, de Van Gogh, porque ninguém dava os 24 milhões que diziam que vale. A casa britânica também não encontrou comprador para obras importantes de Picasso, Renoir, Matisse e Chagall, ainda que tenham caÃdo vários recordes com pinturas de Picasso, Schiele, Corot e Ernst, entre outros mestres, e se tenha vendido 75% dos lotes. Muito perto dali, a casa de leilões Christie’s arrecadava 340 milhões de Euros noutras duas sessões que registaram também inúmeros recordes. Ainda assim ficaram sem vender obras de Picasso, Cézanne, Renoir e Marc Chagall. O mercado da arte subiu 78% durante os últimos três anos e todos parecem concordar que esse ritmo de crescimento é insustentável a médio prazo, mas quando os investidores licitam de cabeça fria, não tardam em ouvir-se vozes que vaticinam catástrofes. David Norman, director do departamento de Arte Moderna e Impressionista de Sotheby’s, teve de reconhecer erros de expectativas nos últimos tempos e, no que constitui um exercÃcio de autocrÃtica que o honra, falou na quinta-feira passada de “estimativas sobrevalorizadasâ€. Foi precisamente David Norman quem disse que “Campo de Trigo†acabaria por ser vendido a um preço que seria “fruto da paixãoâ€. É evidente que se enganava, porque a licitação mais alta não passou dos 17 milhões de Euros. Ninguém foi também além dos 26,7 milhões de Euros atribuÃdos à peça “A manhãâ€, de Gauguin. A casa de leilões tinha dito ao seu proprietário que era viável chegar aos 40 milhões. Os novos ricos da Rússia, China e Ãndia não parecem também dispostos a correr atrás dos preços. Eles têm tão bons assessores como os seus investidores europeus e norte-americanos e só compram 8% do que se leiloa. Segundo dados disponibilizados pelas casas Christie’s e Sotheby’s, 92% das vendas da semana passada foram para a Europa e Estados Unidos. Outro mito que se desmorona. O que falta averiguar agora é se o mercado está a fazer um exercÃcio saudável de depuração de excessos passados ou se estamos no inÃcio de algo muito mais preocupante. Como ocorre sempre que tratamos de identificar uma tendência estadÃstica, haverá que contar primeiro com uma sequência suficiente de dados objectivos e, nesse sentido, os resultados dos leilões desta semana podem também ser significativos. Irão rematar-se grandes peças contemporâneas, tradicionalmente mais susceptÃveis à especulação. |














