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MOSTRA DE EIJA-LIISA AHTILA NO JEU DE PAUME DE PARIS

2008-01-25




O trabalho da finlandesa Eija-Liisa Ahtila (Hämeenlinna, 1959), cuja primeira retrospectiva em França se exibe até finais do próximo mês de Março nas salas do parisiense Jeu de Paume, constitui uma exploração das inquietudes mais íntimas dos indivíduos, a partir das quais cria universos emocionais muito intensos. As relações familiares, a adolescência, o sexo, a ideia de abandono, ou a maneira de enfrentar situações extremas como a morte são alguns dos temas com que a artista elabora simples ou sofisticadas tramas nas quais o real se mistura com a ilusão para finalmente dar forma ao que ela mesma define como os seus “dramas humanosâ€, a sua adaptação em imagens dos principais conflitos com os que todos nos encontramos em algum momento da nossa existência.

Ahtila, considerada uma das figuras mais relevantes do panorama artístico actual, foi desenhando a sua carreira entre Helsínquia, Londres e Califórnia, onde recebeu formação artística e fílmica. Esta última dotou-a de um conhecimento técnico que lhe permite trabalhar em diferentes formatos de imagem e vídeo. Assim, incorporando elementos tomados da herança da experimentação dos anos 60, o género documental, a publicidade e o cinema comercial, Ahtila é capaz de construir discursos contemporâneos a partir de uma base formal sólida, tendo um cuidado muito especial com a encenação das suas montagens. Nestas, são utilizados desde pequenos monitores a enormes telas de projecção, e inclusive a mesma imagem posta em várias em simultâneo, e tanto a direcção de actores, como os cenários, a montagem e os efeitos especiais fazem com que tenhamos de falar de pequenos grandes filmes.

Na mostra encontramos uma instalação formada por The House Sculpture (2004), um conjunto de quatro esculturas, e The House (2002), uma projecção de 14 minutos de duração em três telas de projecção, que nos revela duas formas diferentes de entender a ideia da casa, mas que a partir da perspectiva da artista são sempre uma metáfora sobre o espírito humano. Junto a estas peças, exibem-se também duas séries de fotografias: Dog Bites (1992-1997), composta por oito fotografias a cores, e Scenographers\' Mind I to IX (2002), nas quais 18 imagens agrupadas duas a duas falam-nos de aspectos enfrentados como perto-longe, interior-exterior, um retrato e uma paisagem; assim como as instalações fílmicas Me/We, Okay, Gray (1993), Consolation Service (1999), The House of Prayer (2005), Fishermen/Études nº1 (2007), além de Where is Where?, produzida especialmente para esta exposição.

Disponível em: www.masdearte.com