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EXIBE-SE EM LONDRES A ÚLTIMA PRODUÇÃO DE TÀPIES

2008-02-28




Dezasseis pinturas representativas do último trabalho de Antoni Tàpies e dispostas por tamanho, desde o pequeno painel de madeira de Oval Vermell até à monumental País d’Avatamsaka, formam esta exposição que poderemos ver nas Waddington Galleries de Londres até 29 de Março.

A mostra pretende demonstrar a influência da parede, como conceito e como imagem, na obra de Tàpies (cujo apelido em catalão se traduz, aliás, como muro). Desde que a meados da década de 50, descobriu em Paris as fotografias de paredes cobertas de graffitis realizadas por Brassai, estas converteram-se, para o pintor de Barcelona, num símbolo da solidão espiritual ou da repressão política, da passagem do tempo ou da contemplação interior, adquirindo significados profundos.

Os traços que Tàpies imprime sobre as suas obras lembram com frequência os graffitis que cobrem as paredes das nossas cidades ocidentais ou a caligrafia oriental. O T negro e maiúsculo que utiliza de forma recorrente apresenta também muitas conotações: além de ser a inicial do seu apelido e do nome da sua primeira mulher (Teresa), pode actuar como emblema pictográfico da cruz, signo matemático ou geográfico, alusão a um beijo, a um sinal de fé, a um arrependimento na escritura, ou ao alfabeto particular que usava Ramón Llull en Blanquerna.

Esta ambiguidade dos símbolos no artista catalão faz-se muito patente numa das obras expostas, Signos sobre materia, na qual cobre a superfície de madeira com apontamentos rápidos que poderíamos considerar uma equação, uma inscrição de um texto antigo ou um hieróglifo fragmentado. O espectador debate-se entre pensar se estas marcas reflectem a declaração inscrita de amantes ou a cólera de vozes que não vemos.

Disponível em: www.masdearte.com