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PAVILHÃO NÓRDICO COM MENSAGEM POLÍTICA NA BIENAL DE VENEZA DE 2022: O ESPAÇO VAI SER REBATIZADO EM HOMENAGEM AO POVO INDÍGENA SÁMI

2020-10-16




A arte indígena assume o papel central na próxima Bienal de Veneza em 2022 com a renomeação do pavilhão nórdico para pavilhão Sámi, colocando desta forma a atenção para as questões enfrentadas pelos “povos indígenas em todo o mundo, no que respeita à autodeterminação, desflorestação, gestão da terra e da água”, diz o comunicado de imprensa.

Os artistas Sámi Pauliina Feodoroff, Máret Ánne Sara e Anders Sunna representam a área de Sápmi situada ao norte do Círculo Polar Ártico. Os Sámi são os povos indígenas da Península Escandinava e de grande parte da Península de Kola, que está dividida entre Suécia, Noruega, Finlândia e Rússia; Sápmi é o nome próprio do povo Sámi para sua terra natal.

“A transformação do Pavilhão Nórdico em Pavilhão Sámi é um ato de soberania indígena que destaca a relação dos artistas com a sua terra natal Sápmi, uma área que antecede o conceito de região nórdica ... É uma reversão simbólica das reivindicações coloniais que têm procurado apagar a terra e a cultura sami ”, acrescenta a declaração do projeto.

Feodoroff é cineasta e ativista; em 2016, ela participou numa cerimónia no palácio presidencial finlandês com o número 169 tatuado na zona lateral da cabeça. Ela disse à imprensa que o gesto era para protestar contra o fracasso do governo em ratificar o acordo de direito internacional OIT 169 que protege os direitos dos povos indígenas.

Na documenta 14 de Kassel (2017), Máret Ánne Sara mostrou a obra Pile o´ Sápmi, uma cortina de 400 crânios de renas. “Estes artistas Sámi estão empenhados na luta para manter o pastoreio de renas e a pesca que são fundamentais para sua existência”, afirmam os organizadores do pavilhão Sámi.

Anders Sunna mostrou o mural Soada, uma crítica ao colonialismo, na Bienal de Sydney 2020. "À medida que fui crescendo, comecei a interessar-me em usar a arte como uma arma na luta política. Imagino ser capaz de falar todas as línguas do mundo sem dizer um som. Para alcançar o coração das pessoas primeiro e depois a sua consciência", disse Sunna.

Na 58ª Bienal de Veneza do ano passado, o Canadá foi representado pelo coletivo Isuma, uma produtora de vídeo fundada por artistas Inuit, povos indígenas do Ártico do Canadá.

Fonte: The Art Newspaper