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ARTISTA BRASILEIRO TULIO DEK FAZ INTERVENÇÃO PÚBLICA DE SENSIBILIZAÇÃO AMBIENTAL NO JARDIM DO TOREL EM LISBOA

2020-10-16




No próximo dia 25 de outubro será inaugurada no Jardim do Torel, em Lisboa, uma intervenção do artista brasileiro Tulio Dek (1985, Goiânia).

Com uma área verde instalada em três patamares no alto de uma das sete colinas de Lisboa, o Jardim do Torel é um mirador que permite uma vista privilegiada da cidade. Tulio Dek vai fazer uma intervenção nos três planos do parque, utilizando o percurso do Jardim do Torel para sensibilizar os visitantes, principalmente os jovens, para a proteção ao meio ambiente. Ao longo da primeira área verde, o artista vai instalar 500 troncos de árvores decepadas, com altura entre 50 e 85cm, e diâmetros variáveis de 20 a 50 centímetros. O público poderá caminharar pelos troncos queimados. Os troncos, oriundos de bosques queimados, foram cedidos pelo governo de Portugal.

“Vejo os jovens mergulhados em mídias sociais, alienados, e quis levar para a dimensão do real um alerta para a importância da preservação do planeta”, conta o artista. “Os protestos são em sua maioria feitos pela internet, e acabam por ter um alcance efêmero. Ao caminhar por entre os troncos calcinados no Parque do Torel, as pessoas vão sentir, vão imaginar, o que é uma floresta devastada. Vão lidar com uma destruição real na sua frente”, diz. “Se não protegermos a natureza, vamos proteger quem? O que está acontecendo no mundo?”, indaga. Nascido em Goiânia, Tulio Dek passou a infância em contato com as matas.

No patamar abaixo na encosta, o público poderá ver uma fonte com água tingida de preto, numa alusão aos vazamentos de petróleo. Atrás da fonte, um grande letreiro luminoso azul traz a frase “I can’t stop these tears from falling” (“Não consigo impedir estas lágrimas de caírem”).

Perto da fonte será instalada ainda uma cabana de madeira, grafitada pelo artista, como um abrigo, um local de acolhimento, onde estarão sacos com sementes de nove árvores nativas de Portugal. O público poderá levar punhados dessas sementes para plantarem em outros locais. “É como uma volta, em que se pode devolver árvores ao país”, observa Dek.

A curadoria está a cargo de Rui Afonso Santos, curador do Museu Nacional de Arte Contemporânea, em Lisboa, que escreve no texto que acompanha a exposição-intervenção que Tulio Dek: “artista contemporâneo multidisciplinar, pintor, escultor, performer e activista, é autor de uma obra artística única e singular, diluindo os parâmetros entre alta e baixa cultura. A sua pintura, em contínua transformação, é fortemente gráfica e interventiva, e nela slogans eficazes e fundamentais de cariz sempre humanista coexistem com pictogramas simplificados, num mix distinto, de grande qualidade visual”.

O curador observa ainda que “este contraste entre o natural e o edénico que o próprio jardim-miradouro do Torel recria e o artificial da actual e selvática cultura do consumo e do desperdício consciencializará os visitantes para a necessidade de adoptar condutas responsáveis”.

O projeto teve desde o início o apoio da Junta de Freguesia de Santo António, em Lisboa, e da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, que irá propor aos seus oito mil alunos que vejam a instalação e a partir dela desenvolvam projetos.

“Com minha intervenção, pretendo levar arte para os jovens, ao mesmo tempo em que podem se conscientizar, através da emoção, para a necessidade de preservação do planeta”, explica o artista. “É um projeto de arte, de grande porte, com abordagem socioambiental”, define. Será realizado um tour virtual, de modo a que o projeto possa ser visto globalmente.

Tulio Dek afirma que “gostaria de levar esta instalação para parques brasileiros”. Está prevista, para depois da pandemia, uma exposição individual do artista na TNT Galeria, no Fashion Mall, no Rio de Janeiro. Em outubro deste ano, está programada uma exposição de pinturas inéditas na galeria Square One Contemporary Art Agency, em Lisboa.

Cristina Cruz, da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, afirma que “De uma floresta saudável recebemos madeira, proteção, ar mais puro, água mais limpa ambientes mais amenos, biodiversidade, oportunidades recreativas, valores espirituais e históricos, e muito, muito, mais... Mas quantos de nós sabem disto? A instalação feita por Tulio Dek, no jardim do Torel em pleno coração de Lisboa, surpreende os nossos sentidos ao transportar-nos para um mundo sem florestas funcionais onde falta segurança, conforto, beleza; falta tudo! O forte impacto visual que a instalação causa no visitante que busca um jardim e encontra uma floresta devastada, devolve-nos às nossas responsabilidades sociais de cuidar do planeta contribuindo para a consciencialização da sociedade, incluindo os jovens sobre a importância da preservação da natureza.”


SOBRE O ARTISTA
Tulio Dek (1985, Goiânia) é pintor, escultor, músico, compositor e poeta. Mudou-se, durante sua adolescência, com a família para o Rio de Janeiro. Entre 2015 e 2017, estudou escultura em Florença, Itália, e em setembro de 2018 passou um mês em uma residência artística em Lisboa, que resultou em trabalhos expostos na mostra coletiva “Anotações Contemporâneas”, no Tomaz Hipólito Studio, em Marvila. Em dezembro daquele ano, as suas obras integraram uma mostra coletiva na Square One Contemporary Art Agency, em Lisboa, com curadoria de Rui Afonso Santos, do Museu de Arte Contemporânea, no Chiado, que também assinaria a individual do artista programada para o primeiro trimestre de 2019, na Square One Contemporary Art Agency, que foi adiada por conta da pandemia. No Brasil, em 2018, integrou a coletiva “Somos Todos Iguais”, no Centro Cultural da Justiça Federal, no Rio de Janeiro, com curadoria de Marco Antonio Teobaldo, e em dezembro daquele ano, e com o mesmo curador, fez sua primeira mostra individual, “Reflexo”, na TNT Arte Galeria, no Rio. Em janeiro de 2019, Tulio Dek fez uma intervenção no Memorial Vargas, no Rio, onde usou como suporte para suas pinturas tecidos com padronagem alusiva ao pijama usado por Getúlio (1882-1954). Desde 2019 reside em Portugal, onde desenvolve vários projetos e produz para exposições locais.







FONTE: CWeA Comunicação