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O MUSEU DO PRADO RETIROU UM TRABALHO DE UM HOMEM DA EXPOSIÇÃO SOBRE AS MULHERES NO MUNDO DA ARTE ESPANHOLA

2020-10-21




O Museu do Prado em Madrid removeu uma pintura de uma exposição dedicada às mulheres do mundo da arte espanhola do século 19 depois de um especialista fornecer evidências de que a tela foi criada por um homem. A historiadora da arte Concha Díaz Pascual descobriu que uma pintura, que tinha sido atribuída à artista Concepción Mejía de Salvador, foi na verdade pintada por Adolfo Sánchez Megías.

A obra, cujo verdadeiro título é La March del Soldado e data por volta de 1895, foi incorporada no acervo do Prado em 2016. Em nota no site da instituição, o Prado disse que “lamenta este revés” e afirmou manter “a necessidade de continuar a pesquisa sobre as mulheres artistas dos séculos passados.”

La March del Soldado foi apresentado numa apresentação intitulada “Visitantes não convidados: episódios sobre mulheres, ideologia e artes visuais em Espanha (1833-1931)”, que foi inaugurada a 6 de outubro e continua até 14 de março de 2021. A exposição inclui 134 pinturas e tem a curadoria de Carlos G. Navarro, que trabalha no departamento de pintura do século XIX do museu.

Com foco no papel da mulher no mundo da arte espanhola ao longo de um século, a mostra pretende mostrar o “compromisso do museu com a conservação, estudo e divulgação do seu próprio acervo na intenção de dar visibilidade a obras nem sempre acessíveis ao público por meio de sua inclusão em novas narrativas” segundo comunicado. Cerca de 60 das obras da mostra são assinadas por mulheres, incluindo María Roësset e Aurelia Navarro.

Em Espanha, “Convidados não convidados” causou polémica entre as historiadoras da arte feministas, que afirmaram que a ênfase no poder é retrógrada e que desvaloriza as mulheres artistas devido a representação de tantos homens. “É a primeira vez que o Prado considera a questão das mulheres artistas no século 19, o que é também feito de um ponto de vista misógino e ainda projeta a misoginia desse século” disse ao The Guardian o historiador e crítico de arte Rocío de la Villa.

Fonte: ARTnews