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FRANÇA: O MUSEU QUAI BRANLY E A NOVA LEI DE IMIGRAÇÃO

2006-08-01




Desde que abriu as portas, há cerca de um mês atrás, o Musée du Quai Branly (Paris) revelou-se bastante popular junto do público, tendo recebido 151,000 visitantes. No entanto, para Aminata Traore, antigo ministro da cultura do Mali, o sucesso do museu está ensombrado pela nova e rígida lei de imigração francesa, conhecida como “Lei Sarkozy” (foi Nicolas Sarkozy, actual ministro do interior francês, o responsável pela sua promulgação). Traore chama a atenção para o facto das obras que se celebram no Quai Branly serem provenientes de um grande número de países cujos cidadãos são atingidos pela lei da imigração: “As colecções em exibição no museu pertencem, em primeiro lugar e sobretudo, aos povos do Mali, Benin, Guiné, Nigéria, Burkina Faso, Camarões e Congo (...). Essas peças constituem uma parte substancial da herança cultural e artística dessa gente sem Visa”. Argumenta que, à luz da nova lei, a maioria dos africanos estão bastante limitados na sua capacidade para entrarem em França e, consequentemente, visitarem o museu. Questiona: “O que estão afinal a celebrar? A paixão do presidente Chirac que impulsionou o museu? Ou os direitos culturais, económicos, políticos e sociais da população de África, da Ásia, da América e da Oceânia?”

Disponível em:
www.liberation.fr