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MEMÓRIAS DA PRIMAVERA DE PRAGA

2008-09-19




No início de 1968, Josef Koudelka decidiu desistir do seu emprego como engenheiro aeronáutico e devotou-se a tempo inteiro à fotografia. Foi um momento luminoso na Checoslováquia: o reformista político Alexander Dubcek tinha acabado de subir ao poder e levantou algumas das restrições soviéticas à liberdade política. O país encheu-se de entusiasmo quando o Governo acabou com a censura na imprensa e abordou reformas democráticas. “Foi um período fantástico”, disse Koudelka, que cresceu na cidade checa de Valchov, numa entrevista recente em Manhattan. “Num país onde nada era possível, tudo era possível”.

Mas isso não durou muito. A 21 de Agosto do mesmo ano, a União Soviética e os seus aliados do Pacto de Varsóvia invadiram o país e esse breve período de liberdade conhecido como a Primavera de Praga acabou. À medida que os tanques rolavam sobre a capital, Koudelka fotografava soldados russos em interacção com os residentes locais, seguidos de protestos e aumento de violência.

Aquelas fotografias vívidas a preto e branco são agora consideradas exemplos clássicos de fotojornalismo, não só como documentação de um acontecimento importante mas devido à sua proximidade com os seus sujeitos, que atira o observador para o meio da acção. Quatro décadas depois do feito de Koudelka, as fotografias estão hoje em exposição em duas galerias de Manhattan, Aperture e Pace/MacGill, numa colaboração intitulada “Invasion 68: Prague”, em conjunto com um livro publicado pela Aperture.

Koudelka está entre os mais influentes fotojornalistas, um membro de longa data da agência Magnum, que foi honrado com uma longa lista de bolsas e prémios. Durante muito desse tempo, ele viveu como um vagabundo por sua escolha, a maior parte dele na Europa, continuando a fotografar quem lhe interessava. Com 70 anos, continua activo e expressivo, com os cabelos compridos que lembram os ciganos que ele fotografou na Roménia na juventude, os quais continua a admirar.

Disponível em: www.nytimes.com