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EUA: MUSEUS ESTABELECEM NORMAS PARA LIDAR COM OBJECTOS SAGRADOS

2006-08-16




Quando a Blackfoot Nation se dirigiu, há poucos anos, ao Museu de Arte de Denver (EUA) para solicitar o empréstimo de uma cela de cavalo com vista à utilização numa cerimónia, o museu defrontou-se com um dilema. Os curadores foram rápidos a aceder ao pedido apesar de estarem preocupados com o facto do ritual puder expor a relíquia do início do século XX a efeitos prejudiciais provocados pelo suor do animal. Depois de uma negociação delicada, chegou-se a um compromisso: a tribo pode utilizar o objecto na cerimónia sem que, no entanto, lhe fosse permitido colocá-la no cavalo. Esta história não é, de todo, pouco usual. Na medida em que os índios americanos e outros grupos têm adoptado uma postura cada vez mais firme e persuasiva relativamente à guarda da sua herança cultural, os museus têm-se debatido por conseguir estabelecer um equilíbrio entre a tradicional prática de coleccionar objectos indígenas enquanto arte e os interesses das pessoas cujos antepassados foram responsáveis pela sua produção. Neste momento, a questão tornou-se de tal forma central que a associação que lidera a maioria dos museus de arte norte-americanos pediu aos seus membros para terem especial consideração quando estão a lidar com objectos considerados sagrados. Foram estabelecidas, pela associação, normas de conduta para lidar com esta tipologia específica de objectos. Essencialmente, aconselharam-se os directores dos museus a cooperarem com as tribos indígenas no sentido de determinarem conjuntamente quais os objectos que se inserem nessa categoria, a forma como devem ser exibidos, conservados e até mesmo o modo como surgem nas legendas e nos catálogos. Especialistas realçam a complexidade inerente à questão de definição do sagrado – divergente para as múltiplas tribos indígenas americanas. Actualmente prevalece a distinção entre os objectos que expressam ideias, valores e sentimentos religiosos e aqueles que foram criados expressamente para integrarem rituais ou cerimónias característicos de religião tradicional – devendo só os últimos ser considerados â€objectos sagradosâ€. A linha de separação é bastante ténue, sujeitando-se a múltiplas interpretações. De qualquer modo, existe unanimidade em louvar a iniciativa que tem o indiscutível mérito de estreitar a cooperação entre os museus e as tribos indígenas.

Disponível em:
www.nytimes.com