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APRESENTADA ANTOLOGIA DE TEXTOS DE FERNANDO PESSOA SOBRE ARTE

2022-11-25




Com organização de Victor Correia e ilustrações de António Canau, o livro será apresentado pela professora Cristina Azevedo Tavares, no auditório Lagoa Henriques da Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa, a partir das 18:00, constituindo "um exclusivo pessoano na medida em que, pela primeira vez, dá a conhecer uma antologia da autoria de Fernando Pessoa sobre arte", sublinha a editora, na apresentação da obra.

Sobre a Arte, Fernando Pessoa (1888-1935) escreveu: "Não é uma expressão de sentimentos, pois para isso qualquer pessoa que tenha sentimentos era um artista", disse à agência Lusa Victor Correia, organizador da obra, autor do prefácio e das várias anotações.

Segundo Victor Correia, doutorado em Filosofia Política e Jurídica, na Universidade da Sorbonne, em Paris, Pessoa considerava a Literatura superior às outras artes, "não reconhecia" nelas "qualquer função social ou de intervenção", embora mantivesse "como modelo as Artes Plásticas".

Os textos de Pessoa estão organizados por capítulos que vão da "divisão e classificação das artes", e da "definição e caracterização da arte", à "finalidade e o valor da arte", passando ainda por temas como a sociologia e a psicologia da arte, a crítica de arte, o artista, a genialidade, a celebridade, a arte e a moral, as escolas e correntes artísticas. A estes textos juntam-se ainda excertos do "Livro do Desassosego".

Este livro contém também algumas das muitas obras do artista plástico António Canau, por um lado como exemplificação de obras de arte, e por outro devido ao facto de haver neste artista relações com a obra de Fernando Pessoa, nomeadamente as figuras de animais antropomórficos, ou de seres humanos animais, que se relacionam com a tese de Fernando Pessoa sobre a organicidade da obra de arte, comparando-a a um animal. Há também em António Canau uma forte ligação aos mitos, ao oculto e à Grécia antiga, como em Fernando Pessoa. Com as obras de arte de António Canau somos conduzidos a uma espécie de cosmogonia, a uma evocação de um passado ancestral mágico, a uma espécie de regresso às origens do Homem, telúricas e culturais.


FONTE: FBAUL