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GRUPOS ARMADOS NO HAITI SAQUEIAM A BIBLIOTECA NACIONAL

2024-04-05




Grupos armados saquearam a Biblioteca Nacional do Haiti ontem, 4 de abril, colocando em risco as suas inestimáveis coleções de arquivos pertinentes à história e ao património cultural da nação caribenha.

A rusga à biblioteca, localizada na capital Porto Príncipe, segue-se a dois ataques a universidades na semana passada, levantando preocupações sobre a crescente destruição cultural agravada pela intensificação da violência contra o primeiro-ministro não eleito do país, Ariel Henry.

Fundada em 1939, a Biblioteca Nacional guarda uma coleção de livros raros, manuscritos e arquivos de jornais significativos para a história do país. “Temos documentos raros com mais de 200 anos, com importância para o nosso património, que correm o risco de serem queimados ou danificados por bandidos”, disse à AFP o diretor da biblioteca, Dangelo Neard, acrescentando ter recebido denúncias de que os perpetradores saquearam o mobiliário da instituição e gerador.

O ataque à biblioteca sucede a dois incidentes de vandalismo na semana passada na Escola Nacional de Artes e na École Normale Supérieure, a instituição de formação de professores mais antiga do Haiti. Na terça-feira, a UNESCO “condenou veementemente” os atos destrutivos numa declaração, condenando a violência que também afetou as instalações de saúde do país.

“Estes atos de vandalismo, saques e incêndios criminosos contra as instituições educacionais do país têm consequências devastadoras para o futuro da sociedade haitiana, especialmente para as gerações presentes e futuras”, afirma o comunicado.

Desde o assassinato do presidente Jovenel Moïse em 2021, Henry mantém o poder no Haiti, apesar de não ter mandato constitucional e aprovação parlamentar. Em meados de março, Henry anunciou que renunciaria ao cargo para dar lugar a um novo “conselho de transição” – um órgão político que ainda não foi organizado e instalado devido a divergências partidárias sobre quem escolheria o novo primeiro-ministro.

A falta de um governo funcional e os atrasos no estabelecimento de uma nova liderança exacerbaram a turbulência violenta que assolou o Haiti, à medida que grupos armados realizam ataques e violações dos direitos humanos em bairros de todo o país. O país viu uma escalada acentuada no número de mortes devido à violência de gangues no ano passado, e 2024 já resultou em mais de 1.500 mortes, segundo dados das Nações Unidas.


Fonte: HyperAllergic