Links

PERSPETIVA ATUAL


Architectural rendering of 540 West 25th Street, New York. Cortesia: Bonetti / Kozerski Architecture.


David Zwirner, Nova Iorque. Fotografia: Jason Schmidt / Selldorf Architects, 2019.


Felix Gonzalez-Torres “Untitled” (Loverboy), 1989. Coleccção privada, Nova Iorque. © The Felix Gonzalez-Torres Foundation. Cortesia Andrea Rosen Gallery, New York e David Zwirner, New York/London.


Vista da instalação Felix Gonzalez-Torres na David Zwirner, Nova Iorque, 27 Abr – 24 Jun, 2017. © The Felix Gonzalez-Torres Foundation. Cortesia Andrea Rosen Gallery e David Zwirner.


Vista da instalação Fred Wilson: Afro Kismet, 510 West 25th Street, New York. 10 Jul – 17 Ago, 2018. Fotografia: Tom Barratt. © Fred Wilson. Cortesia Pace Gallery.


Vista da instalação Fred Wilson: Afro Kismet, 510 West 25th Street, New York. 10 Jul – 17 Ago, 2018. Fotografia: Tom Barratt. © Fred Wilson. Cortesia Pace Gallery.


Small Sphere and Heavy Sphere, 1932 / 1933. Cortesia: Calder Foundation, New York / Art Resource, New York. © 2019 Calder Foundation, New York /Artists Rights Society (ARS), New York.


Pace Gallery 540 West 25th Street, New York. Fotografia: Thomas Loof. Cortesia Pace Gallery.


Peter Hujar T.C., 1975, imagem vintage impressa em gelatin de prata. © The Peter Hujar Archive. Cortesia Pace/MacGill Gallery, New York.


Loie Hollowell Standing in Blue, 2018. © Loie Hollowell. Cortesia Pace Gallery.


Fred Wilson No Way But This, 2013. Vidro de Murano e lâmpadas. © Fred Wilson. Cortesia Pace Gallery.

Outros artigos:

2019-11-09


SÉRGIO PARREIRA


2019-10-09


LUÍS RAPOSO


2019-07-30


JULIA FLAMINGO


2019-06-22


INÊS FERREIRA-NORMAN


2019-05-09


INÊS M. FERREIRA-NORMAN


2019-04-03


DONNY CORREIA


2019-02-15


JOANA CONSIGLIERI


2018-12-22


LAURA CASTRO


2018-11-22


NICOLÁS NARVÁEZ ALQUINTA


2018-10-13


MIRIAN TAVARES


2018-09-11


JULIA FLAMINGO


2018-07-25


RUI MATOSO


2018-06-25


MARIA DE FÁTIMA LAMBERT


2018-05-25


MARIA VLACHOU


2018-04-18


BRUNO CARACOL


2018-03-08


VICTOR PINTO DA FONSECA


2018-01-26


ANA BALONA DE OLIVEIRA


2017-12-18


CONSTANÇA BABO


2017-11-12


HELENA OSÓRIO


2017-10-09


PAULA PINTO


2017-09-05


PAULA PINTO


2017-07-26


NATÁLIA VILARINHO


2017-07-17


ANA RITO


2017-07-11


PEDRO POUSADA


2017-06-30


PEDRO POUSADA


2017-05-31


CONSTANÇA BABO


2017-04-26


MARC LENOT


2017-03-28


ALEXANDRA BALONA


2017-02-10


CONSTANÇA BABO


2017-01-06


CONSTANÇA BABO


2016-12-13


CONSTANÇA BABO


2016-11-08


ADRIANO MIXINGE


2016-10-20


ALBERTO MORENO


2016-10-07


ALBERTO MORENO


2016-08-29


NATÁLIA VILARINHO


2016-06-28


VICTOR PINTO DA FONSECA


2016-05-25


DIOGO DA CRUZ


2016-04-16


NAMALIMBA COELHO


2016-03-17


FILIPE AFONSO


2016-02-15


ANA BARROSO


2016-01-08


TAL R EM CONVERSA COM FABRICE HERGOTT


2015-11-28


MARTA RODRIGUES


2015-10-17


ANA BARROSO


2015-09-17


ALBERTO MORENO


2015-07-21


JOANA BRAGA, JOANA PESTANA E INÊS VEIGA


2015-06-20


PATRÍCIA PRIOR


2015-05-19


JOÃO CARLOS DE ALMEIDA E SILVA


2015-04-13


Natália Vilarinho


2015-03-17


Liz Vahia


2015-02-09


Lara Torres


2015-01-07


JOSÉ RAPOSO


2014-12-09


Sara Castelo Branco


2014-11-11


Natália Vilarinho


2014-10-07


Clara Gomes


2014-08-21


Paula Pinto


2014-07-15


Juliana de Moraes Monteiro


2014-06-13


Catarina Cabral


2014-05-14


Alexandra Balona


2014-04-17


Ana Barroso


2014-03-18


Filipa Coimbra


2014-01-30


JOSÉ MANUEL BÁRTOLO


2013-12-09


SOFIA NUNES


2013-10-18


ISADORA H. PITELLA


2013-09-24


SANDRA VIEIRA JÜRGENS


2013-08-12


ISADORA H. PITELLA


2013-06-27


SOFIA NUNES


2013-06-04


MARIA JOÃO GUERREIRO


2013-05-13


ROSANA SANCIN


2013-04-02


MILENA FÉRNANDEZ


2013-03-12


FERNANDO BRUNO


2013-02-09


ARTECAPITAL


2013-01-02


ZARA SOARES


2012-12-10


ISABEL NOGUEIRA


2012-11-05


ANA SENA


2012-10-08


ZARA SOARES


2012-09-21


ZARA SOARES


2012-09-10


JOÃO LAIA


2012-08-31


ARTECAPITAL


2012-08-24


ARTECAPITAL


2012-08-06


JOÃO LAIA


2012-07-16


ROSANA SANCIN


2012-06-25


VIRGINIA TORRENTE


2012-06-14


A ART BASEL


2012-06-05


dOCUMENTA (13)


2012-04-26


PATRÍCIA ROSAS


2012-03-18


SABRINA MOURA


2012-02-02


ROSANA SANCIN


2012-01-02


PATRÍCIA TRINDADE


2011-11-02


PATRÍCIA ROSAS


2011-10-18


MARIA BEATRIZ MARQUILHAS


2011-09-23


MARIA BEATRIZ MARQUILHAS


2011-07-28


PATRÍCIA ROSAS


2011-06-21


SÍLVIA GUERRA


2011-05-02


CARLOS ALCOBIA


2011-04-13


SÓNIA BORGES


2011-03-21


ARTECAPITAL


2011-03-16


ARTECAPITAL


2011-02-18


MANUEL BORJA-VILLEL


2011-02-01


ARTECAPITAL


2011-01-12


ATLAS - COMO LEVAR O MUNDO ÀS COSTAS?


2010-12-21


BRUNO LEITÃO


2010-11-29


SÍLVIA GUERRA


2010-10-26


SÍLVIA GUERRA


2010-09-30


ANDRÉ NOGUEIRA


2010-09-22


EL CULTURAL


2010-07-28


ROSANA SANCIN


2010-06-20


ART 41 BASEL


2010-05-11


ROSANA SANCIN


2010-04-15


FABIO CYPRIANO - Folha de S.Paulo


2010-03-19


ALEXANDRA BELEZA MOREIRA


2010-03-01


ANTÓNIO PINTO RIBEIRO


2010-02-17


ANTÓNIO PINTO RIBEIRO


2010-01-26


SUSANA MOUZINHO


2009-12-16


ROSANA SANCIN


2009-11-10


PEDRO NEVES MARQUES


2009-10-20


SÍLVIA GUERRA


2009-10-05


PEDRO NEVES MARQUES


2009-09-21


MARTA MESTRE


2009-09-13


LUÍSA SANTOS


2009-08-22


TERESA CASTRO


2009-07-24


PEDRO DOS REIS


2009-06-15


SÍLVIA GUERRA


2009-06-11


SANDRA LOURENÇO


2009-06-10


SÍLVIA GUERRA


2009-05-28


LUÍSA SANTOS


2009-05-04


SÍLVIA GUERRA


2009-04-13


JOSÉ MANUEL BÁRTOLO


2009-03-23


PEDRO DOS REIS


2009-03-03


EMANUEL CAMEIRA


2009-02-13


SÍLVIA GUERRA


2009-01-26


ANA CARDOSO


2009-01-13


ISABEL NOGUEIRA


2008-12-16


MARTA LANÇA


2008-11-25


SÍLVIA GUERRA


2008-11-08


PEDRO DOS REIS


2008-11-01


ANA CARDOSO


2008-10-27


SÍLVIA GUERRA


2008-10-18


SÍLVIA GUERRA


2008-09-30


ARTECAPITAL


2008-09-15


ARTECAPITAL


2008-08-31


ARTECAPITAL


2008-08-11


INÊS MOREIRA


2008-07-25


ANA CARDOSO


2008-07-07


SANDRA LOURENÇO


2008-06-25


IVO MESQUITA


2008-06-09


SÍLVIA GUERRA


2008-06-05


SÍLVIA GUERRA


2008-05-14


FILIPA RAMOS


2008-05-04


PEDRO DOS REIS


2008-04-09


ANA CARDOSO


2008-04-03


ANA CARDOSO


2008-03-12


NUNO LOURENÇO


2008-02-25


ANA CARDOSO


2008-02-12


MIGUEL CAISSOTTI


2008-02-04


DANIELA LABRA


2008-01-07


SÍLVIA GUERRA


2007-12-17


ANA CARDOSO


2007-12-02


NUNO LOURENÇO


2007-11-18


ANA CARDOSO


2007-11-17


SÍLVIA GUERRA


2007-11-14


LÍGIA AFONSO


2007-11-08


SÍLVIA GUERRA


2007-11-02


AIDA CASTRO


2007-10-25


SÍLVIA GUERRA


2007-10-20


SÍLVIA GUERRA


2007-10-01


TERESA CASTRO


2007-09-20


LÍGIA AFONSO


2007-08-30


JOANA BÉRTHOLO


2007-08-21


LÍGIA AFONSO


2007-08-06


CRISTINA CAMPOS


2007-07-15


JOANA LUCAS


2007-07-02


ANTÓNIO PRETO


2007-06-21


ANA CARDOSO


2007-06-12


TERESA CASTRO


2007-06-06


ALICE GEIRINHAS / ISABEL RIBEIRO


2007-05-22


ANA CARDOSO


2007-05-12


AIDA CASTRO


2007-04-24


SÍLVIA GUERRA


2007-04-13


ANA CARDOSO


2007-03-26


INÊS MOREIRA


2007-03-07


ANA CARDOSO


2007-03-01


FILIPA RAMOS


2007-02-21


SANDRA VIEIRA JURGENS


2007-01-28


TERESA CASTRO


2007-01-16


SÍLVIA GUERRA


2006-12-15


CRISTINA CAMPOS


2006-12-07


ANA CARDOSO


2006-12-04


SÍLVIA GUERRA


2006-11-28


SÍLVIA GUERRA


2006-11-13


ARTECAPITAL


2006-11-07


ANA CARDOSO


2006-10-30


SÍLVIA GUERRA


2006-10-29


SÍLVIA GUERRA


2006-10-27


SÍLVIA GUERRA


2006-10-11


ANA CARDOSO


2006-09-25


TERESA CASTRO


2006-09-03


ANTÓNIO PRETO


2006-08-17


JOSÉ BÁRTOLO


2006-07-24


ANTÓNIO PRETO


2006-07-06


MIGUEL CAISSOTTI


2006-06-14


ALICE GEIRINHAS


2006-06-07


JOSÉ ROSEIRA


2006-05-24


INÊS MOREIRA


2006-05-10


AIDA E. DE CASTRO


2006-04-20


JORGE DIAS


2006-04-05


SANDRA VIEIRA JURGENS



MEGA GALERIAS AO SERVIÇO DE UM MEGA MERCADO: O PARADIGMA DA OSTENTAÇÃO MUSEOLÓGICA



SÉRGIO PARREIRA

2019-09-03




 

 

[For English version click here

 

 

Foi talvez em Maio de 2017, ao visitar a exposição do Felix Gonzalez-Torres na David Zwirner em Nova Iorque, que finalmente interiorizei o fenómeno das Mega Galerias enquanto concorrentes diretas daquele que consideramos ser o Museu tradicional.

O edifício da David Zwirner Gallery localizado no número 537 Oeste (West) da vigésima rua, desenrola-se majestosamente por cinco andares que totalizam cerca de dois mil e oitocentos metros quadrados. Este espaço acolheu com alguma tranquilidade e subtileza a retrospetiva de um artista cuja obra se caracterizou pelo cruzamento de técnicas tao díspares como são a escultura, impressão digital, fotografia, instalação, vídeo e performance. A galeria, em conjunto com – à data – a recém-encerrada Andrea Rosen Gallery (anterior representante da obra/espólio de Felix Gonzalez Torres), reuniram a partir de coleções privadas e públicas (Museus) mais de 20 obras que em dois andares do edifício ocuparam cerca de dez salas, desenhando uma história singular da narrativa plástica do artista. Explorando a singularidade e generosidade deste espaço com arquitetura da autoria de Annabelle Selldorf (Selldorf Architects), o espetador experienciava os desafios do complexo entendimento da noção do público e do privado, da construção estética, das contradições e multiplicidades da perceção de uma obra de arte.

É certamente notável que o espaço entendido como comercial de uma galeria de arte, em consequência da evolução do mercado e infindas razões outras (porventura igualmente associadas a este), se consiga elevar à categoria mais desafiadora da apresentação e exposição de objetos de arte – o potencial educacional ao serviço da compreensão da evolução humana.

Cerca de um ano mais tarde, em Julho de 2018, fui à Pace Gallery situada no número 510 Oeste da vigésima-quinta rua ver a exposição do Fred Wilson, intitulada Afro Kismet. Este espaço da Pace tem cerca de mil metros quadrados, um pé direito majestoso, género industrial, arquitetonicamente despojado e sóbrio, e com inúmeras claraboias e entradas de luz. A renovação foi realizada em 2012 com a autoria do gabinete de arquitetura HS2 Arquitecture, que cinco anos antes, recuperara um espaço adjacente também este pertencente à galeria.

A exposição de Fred Wilson: Afro Kismet, com o trabalho mais recente do artista e que tinha sido produzido para a 15º Bienal de Istambul, predisponha-se a uma leitura particularmente museológica dos objetos, em parte devido às escolhas espaciais do artista, à estética dos objetos escultóricos, e também à apropriação e reutilização de artefactos. Em Afro Kismet, Fred Wilson explanou um imaginário individual histórico de Istambul enquanto cidade cultural e historicamente integrante de um triângulo composto ainda por Cairo e Veneza. Tomando este conceito como ponto de partida, o artista utiliza materiais nobres mais clássicos, desde painéis pintados de azulejos, vidros luminescentes, inscrições em papel de caligrafias árabes, pinturas orientais, que articulou com objetos ditos mais contemporâneos como é o exemplo dos candelabros ou os desenhos que emolduram os limites/rodapés das extremidades superiores das paredes das galerias. O que faz com que esta exposição facilmente transite para um universo clássico museológico são primeiramente as escolhas deliberadas que o artista fez nesse sentido, através da cor das paredes da galeria, o posicionamento e exposição de objetos em plintos com vitrines, as molduras rococós douradas das pinturas, a outros detalhes que livremente associamos a contextos tradicionais do museu clássico e “artes antigas”.

Claro que neste exemplo o artista contemporâneo explora um universo clássico - não obstante - uma vez mais, a dimensão espacial de pavilhão/salão e as “galerias” espaçosas e imponentes, facultam este catapultar involuntário. Não fosse a dimensão megalómana deste espaço permanente de “programação” da Pace Gallery em Manhattan, num distrito de galerias comerciais em Chelsea, a presença deste singular projeto, inicialmente desenhado e apresentado numa exposição bienal, não teria lugar ou enquadramento possível num perímetro citadino a não ser num museu tradicional.

 

Pace Gallery 540 West 25th Street, New York | Fotografia: Thomas Loof, cortesia Pace Gallery.

 

A 14 de Setembro deste ano (2019) a Pace Gallery abre o seu mais recente “Quartel-General” em Chelsea/Nova Iorque: um novo edifício com oito andares, desenhado por Bonetti/Kozerski Architecture, que abre a temporada, que por ora se prevê de dois anos, de inaugurações de Mega Galerias de renome.

A Pace inaugura este edifício com mais de sete mil metros quadrados no número 540 West da vigésima-quinta rua, com uma exposição de esculturas de Alexander Calder, um novíssimo desenho panorâmico composto por vinte e quatro painéis de David Hockney, que se prevê ocupar/cobrir na totalidade a superfície da parede de um dos pisos, uma exposição de biomórficas pinturas abstratas de um dos mais jovens artistas da galeria Loie Hollowell, e por fim a apresentação das esculturas-candelabros de Fred Wilson. A par do espaço expositivo, interior e exterior, este edifício terá ainda disponível ao público uma biblioteca de pesquisa dedicada à arte, espaços para arquivo e armazenamento de obras, uma zona de restauração, e por fim, no sétimo andar do edifício, uma área exclusivamente dedicada à performance-art, intitulada LIVE, que acolherá também quatro vezes por ano concertos ao vivo. Para esta nova faceta das artes performáticas, a Pace contratou um curador permanente Mark Beasley, anteriormente curador de media e performance no Hirshhorn Museum and Sculprture Garden em Washington DC. Adicionalmente a este programa, a Pace acaba de lançar PaceX, um projeto dedicado a comissionar intervenções que cruzam/unem Arte e Tecnologia, liderado por Christy MacLear, a desenrolar-se em espaços e calendário ainda a determinar.

Esta programação que acabo de descrever encaixaria perfeitamente num qualquer perfil de um Museu de Arte Contemporânea Internacional em que as temporadas se anunciam com uma diversidade de exposições individuais, projetos especiais por artistas convidados, programas paralelos de artes performáticas, e muito mais.

Os arquitetos deste novo edifício da Pace em Nova Iorque, que mais que duplica os metros quadrados que a galeria já tem disponíveis na cidade, tiveram como ponto primordial de foco questionar e simultaneamente demonstrar como se deverá encarar a galeria de arte no século XXI: Como resposta, o projeto determina a reavaliação dos conceitos precedentes e redefine o paradigma em termos de construção e desenho.

Se pegarmos em alguns exemplos comparativos, o Met Breuer em Upper East Side, que acolheu anteriormente o Whitney Museum of American Art em Nova Iorque, este novo espaço da Pace fica apenas aquém por uns meros novecentos metros quadrados.

Já este ano, também a galeria David Zwirner comunicou que em 2021 abrirá um novo espaço em Chelsea na vigésima-primeira rua, com mais de quatro mil e seiscentos metros quadrados dedicados unicamente a exposição. Curiosamente, também devido à proximidade, esta nova galeria vai ter uma dimensão semelhante ao novo Whitney Museum of American Art, poucos quarteirões mais abaixo e com cerca de 5.800 metros quadrados de exposição.

A questão que eventualmente se levanta a este ponto, sem que esta tenha um caráter positivo ou negativo, mas apenas de indagação e análise, e concordando que a dimensão deixou de ser critério ou argumento, é talvez tentar apreender: o que mudou no mercado da arte? Quais serão hoje as razões que nos fizeram alcançar o momento da musealização das Galerias Comerciais de Arte.

O público/audiência que “consome” arte aumentou exponencialmente nos últimos dois anos. A massificação de eventos, como são as feiras de arte, geraram novas categorias de audiência, talvez mais despreocupadas, espontâneas, eventualmente menos especializadas, mas concomitantemente curiosas e espertadas. Numa era em que a comunicação se produz mais do que nunca em tempo real através de redes sociais (Arts Friendly) como o Instagram ou o Twitter, o registo e difusão de imagens assume outras funções, simultaneamente, como será o caso de promocional ou marketing, sejam os comunicadores da esfera individual/pessoal ou empresarial/comercial/pública. Estes fatores fomentaram uma modernizada perspetiva e entendimento do que anteriormente se interpretava como um espaço maioritariamente elitista.

Em 2018, o mercado mundial da arte manteve um crescimento cementado de cerca de 6%, o que representa mais de dezasseis biliões de dólares de um total de sessenta e oito biliões de dólares em vendas (Números Art Basel & UBS Art Market Report 2019). Os declarados millennials (milenares) representam hoje quase 50% dos colecionadores/compradores ativos de arte. Estes fatores contribuem seguramente para a redefinição estratégica das grandes galerias de arte.

Se há cerca de cinco anos atrás o público se questionava ser ou não pertence do espaço da galeria comercial - que se caracterizava maioritariamente como um ponto exclusivo para o visitante/colecionador com poder de aquisição - hoje estes espaços estão categoricamente a afirmar-se como amigos de qualquer público, redefinindo o paradigma de exclusividade para acessibilidade. Os “pesos-pesados” da arte contemporânea, Pace, David Zwirner, Hauser & Wirth, e Gagosian, ao redesenharem as suas novas casas pré-definem o significado de galeria colocando a ênfase não só na comercialização e mostra de arte contemporânea, mas na capacidade de prover um serviço mais completo, incluindo necessidades básicas mais abrangentes como é a restauração ou mesmo o acesso a casas-de-banho.

A galeria comercial de arte, apesar de todas estas mudanças - hipoteticamente evoluções - não descura, no entanto, o seu principal objetivo, que é indiscutivelmente a comercialização de obras arte. A estratégia de acessibilidade e proximidade, resultante de um mercado saudável e com um crescimento solidificado, não só ambiciona providenciar um serviço otimizado aos clientes atuais, como vislumbra conquistar uma clientela que até hoje se poderia sentir particularmente excluída ou dissociada do grupo.

Na realidade, o colecionador de arte - por defetividade – sempre ambicionou possuir obras de arte dignas de museu, e o que estas Mega Galerias lhes vêm proporcionar com este novo formato é precisamente isso, um espaço digno e melhorado em que as obras de arte contemporânea, temporariamente acessíveis às massas, são expostas à semelhança e com a dignidade presenteada por um “qualquer museu”.

Estes novos espaços comerciais de arte, que atualmente nomeamos de Mega, são seguramente uma evolução em resposta à procura e robustez deste mercado, onde a comercialização de objetos multimilionários se tornou corriqueira e menos esporádica. O que eventualmente não iremos saber com tanta celeridade é se a intenção dos Mega galeristas tende a aproximar-se mais do caráter distintivo do serviço público, exclusivo até hoje, aos Museus.

Indiscutível será dizer que à semelhança do que acontece hoje em qualquer Museu, as Mega galerias passam a ser um destino cultural versus local en passant, onde tradicionalmente entrávamos para apreciar alguns trabalhos de um só artista. A ambição destes bilionários da arte, e nas palavras de Marc Glimcher (Presidente e CEO da Pace Gallery), é que as futuras galerias de arte sejam uma espécie de local de congregação, à semelhança “das igrejas”.

Não obstante, e como em qualquer outro espaço comercial, não nos podemos suster da relevância dos provisores, que no caso das galerias de arte, são os artistas; até que ponto, estas Mega superfícies não geram também uma superlativa – Mega - procura... Numa era em que os mercadores da arte multiplicam as casas decimais em cifras, resta-nos entender que implicações terá esta equação na produção artística, nos seus atores, na sua identidade, na qualidade do produto: na preservação destes.

 

 

Sérgio Parreira
@artloverdiscourse