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O seguinte guia de exposições é uma perspectiva prévia compilada pela ARTECAPITAL, antecipando as mostras. Envie-nos informação (Press-Release e imagem) das próximas inaugurações. Seleccionamos três exposições periodicamente, divulgando-as junto dos nossos leitores.

 


COLECTIVA

Murro no Estômago




GALERIA BOAVISTA
Rua da Boavista, 50
1200 LISBOA

07 FEV - 21 ABR 2019


As Galerias Municipais/EGEAC apresentam "Murro no Estômago", uma exposição com curadoria de Ana Cristina Cachola, que inaugura no próximo dia 7 de fevereiro, às 18h, na Galeria Boavista.

A Galeria da Boavista é um espaço para apresentação de propostas disciplinares com informalidade vincada. É vocacionada para exposições concebidas por jovens curadores ou para a mostra de artistas emergentes, sem percurso ainda estabelecido ou reconhecido no meio, que aí testam as suas primeiras apresentações ao público e realizam as primeiras publicações.

A exposição Murro no Estômago resulta de um conjunto de encontros entre a curadora, Ana Cristina Cachola, e os artistas Ana Rebordão, António Neves Nobre, Carla Filipe, Igor Jesus, Pedro Barateiro e Salomé Lamas, entre outras pessoas, obras, autores, textos, palavras.

Nas palavras da curadora, “a expressão murro no estômago multiplica-se em usos diferenciados, situações diversas e detém uma significação pessoal (dependendo até se já se levou ou não um murro no estômago e que tipo de murro foi esse), mas faz também parte de um léxico colectivo, podendo entrar facilmente em qualquer jogo de linguagem (desde que em português). Na sua acepção geral, murro no estômago remete para uma situação inesperada, muitas vezes dolorosa ou paralisante. Rude, brejeira, vernácula, poética, metafórica, violenta, agressiva. Esta corrente de adjectivos é ainda curta para a amplitude de significados que a expressão murro no estômago pode ter, no quadro semântico e pragmático da linguagem, e também no âmbito desta exposição na Galeria da Boavista. Se por motivos heurísticos ou de economia discursiva fosse necessário escolher uma palavra para descrever quando uma obra de arte dá um murro no estômago, essa palavra seria ruptura.
A ruptura derivada desse murro no estômago acontece quando uma obra invade o sujeito e o confunde pela resistência simbólica a essa invasão: é esta intromissão na subjectividade que provoca uma espécie de momento traumático, ou seja, uma experiência indizível, visceral, muitas vezes pré-cognitiva. Na maior parte dos casos não lhe (re)conhecemos causa consciente ou racional, só efeito. É esse efeito intrusivo da obra de arte no espectador (que é sempre corpo que espera alguma coisa) – logo no meu corpo -, essa interpelação agressiva e inesperada, que se reconhece nos trabalhos aqui apresentados. Claro que as obras de Ana Rebordão, António Neves Nobre, Carla Filipe, Igor Jesus, Pedro Barateiro e Salomé Lamas que compõem esta exposição nos (aliás, me) acometem de modos diferentes, compósitos e complexos, convocando individualmente e no seu conjunto ora o excesso sensorial, ora a falência porque ainda persistência tanto de meta-narrativas como de taxonomias objectuais e ainda a expressão do visual pelo visual na ausência de referenciais directos.“