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ARQUIVO:

O seguinte guia de exposições é uma perspectiva prévia compilada pela ARTECAPITAL, antecipando as mostras. Envie-nos informação (Press-Release e imagem) das próximas inaugurações. Seleccionamos três exposições periodicamente, divulgando-as junto dos nossos leitores.

 


NELSON LEIRNER

Ponto de Partida




GALERIA GRAÇA BRANDÃO (LISBOA)
Rua dos Caetanos, 26
1200-079 LISBOA

10 OUT - 30 NOV 2019


Inauguração: 10 de Outubro, 19h


Nelson Leirner nasceu em São Paulo (Brasil) em 1932.
Entre 1947 a 1952 reside nos Estados Unidos. Aí estuda engenharia têxtil, no Lowell Technological Institute, em Massachusetts, mas não termina o curso. Entre 1956 e 1958, de regresso ao Brasil, tem aulas de pintura, mas ganha interesse por outros materiais e passa a trabalhar com objectos, elementos prontos, fabricados industrialmente. Em 1966, funda e integra o Grupo Rex, ao lado de Wesley Duke Lee, Carlos Fajardo, Geraldo de Barros, Frederico Nesser, José Resende, Olivier Peroy e Roland Cabot. O grupo lança o jornal “Rex Time” e cria a “Rex Gallery & Sons”, debruçando-se sobre as relações da arte com o mercado, as instituições e o público. Em 1967 integra a representação do Brasil na IX Bienal de Tóquio e recebe o prémio Mainichi Shimbum. Leirner recusou participar nas Bienais de São Paulo de 1969 e 1971, durante o período da ditadura. A partir da década de 1970, o seu trabalho passa pela criação de alegorias da situação política contemporânea. Em 1974, criticou o regime militar através da exposição da série “A Rebelião dos Animais”, pela qual recebe um prémio da Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA). De 1977 a 1997, lecciona na Fundação Armando Álvares Penteado (Faap), em São Paulo. Em 1997, muda-se para o Rio de Janeiro onde passa a dar aulas na Escola de Artes Visuais do Parque Lage. A presença marcante, nos seus trabalhos, de elementos da cultura popular brasileira, desde os anos 1960, cresce a partir da década de 1980. Em 1985, realiza a instalação “O Grande Combate”, utilizando imagens de santos, divindades afro-brasileiras, bonecos infantis e réplicas de animais. Em 1998, uma série de trabalhos de Leirner, na qual o artista faz intervenções em fotografias de crianças da fotógrafa neozelandesa Anne Geddes, foi apreendida a pedido da 1a Vara da Infância e da Juventude do Rio de Janeiro, atitude que provocou um movimento de artistas contra a censura nas artes. Nelson Leirner tornou-se um dos mais expressivos representantes do espírito vanguardista dos anos 60, tanto no Brasil como no mundo. Leirner é considerado um artista polémico, que problematiza e critica constantemente o papel das instituições, do mercado e sistema da arte. O seu trabalho apropria-se de imagens artísticas banalizadas pela sociedade de consumo, reforçando a sua intenção de converter em arte imagens e objectos, do dia-a- dia, alheios à arte, popularizando o objeto de arte, aproximando o público do seu trabalho, fazendo-o até participar na construção da obra de arte.

Em 2007 realiza uma exposição conjunta com Albuquerque Mendes na Galeria Graça Brandão em Lisboa, e no ano seguinte apresentam uma nova mostra conjunta na Casa de América (Madrid), no Instituto Valenciano de Cultura (Valência) e no MEIAC (Badajoz), organizada por Isabel Durán e chamada “Camino de Santos”.

A exposição que inaugura agora na Galeria Graça Brandão (Lisboa) será comissariada, a pedido de Nelson Leirner, pelo seu amigo o Pintor Albuquerque Mendes, que certamente não se limitará a realizar uma mera curadoria.