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ARQUIVO:

O seguinte guia de exposições é uma perspectiva prévia compilada pela ARTECAPITAL, antecipando as mostras. Envie-nos informação (Press-Release e imagem) das próximas inaugurações. Seleccionamos três exposições periodicamente, divulgando-as junto dos nossos leitores.

 


NUNO SOUSA VIEIRA

Linha Funda




FUNDAÇÃO CARMONA E COSTA
Rua Soeiro Pereira Gomes, Lote 1- 6º A e D, Edifício de Espanha (Bairro do Rego)
1600-196 LISBOA

03 OUT - 12 DEZ 2020


INAUGURAÇÃO: dia 03 de Outubro, das 15h - 20h, na Fundação Carmona e Costa



Linha Funda
de Nuno Sousa Vieira

Curadoria de Sérgio Fazenda Rodrigues




Nuno Sousa Vieira desenvolve o seu trabalho em torno da presença e da perceção do objeto artístico, ancorando-se nas práticas do desenho, da escultura e da instalação. Numa lógica que inclui registo gráfico, objeto e espaço, o artista questiona a natureza e a leitura da obra para refletir sobre os lugares da sua produção e legitimação.
O trabalho que apresenta na Fundação Carmona e Costa parte de uma caixa que alberga um conjunto de diapositivos do séc. XIX que nos mostra a posição das estrelas no firmamento. Mais do que apresentar uma cartografia esquemática dos corpos celestes, afirmando um assento de caráter científico, estes diapositivos registam os códigos culturais que então enformavam o modo de ver, pensar, produzir e averbar a informação. Em boa verdade, a precisão é tida por aproximação e a sua apreensão é fruto de um contexto cultural que está em constante mutação. Analogamente, as falhas que cada diapositivo apresenta (as quebras no vidro que fixa a imagem) reafirmam uma dimensão acidental e a impossibilidade de um olhar exato sobre algo que não é, de todo, linear.

Quando trabalha sobre estas referências, Sousa Vieira considera as suas particularidades e opera no refazer da sua natureza, reinterpretando a informação e a sua comunicação num conjunto de desenhos, instalações e objetos escultóricos. Problematizando o seu entendimento à luz do momento atual, o artista articula a realidade científica com a existência poética, focando-se além, na incerteza da apreensão e na pluralidade do conhecimento. Desta forma, as obras redirecionam o olhar na promessa de um outro lugar, que se tem como desconhecido. Um lugar que inicialmente se suspende sobre a cabeça, como a primeira imagem e os diapositivos atestam, mas que cedo se altera, quando as esculturas invocam o que se prende ao solo e os desenhos mudam o acontecimento do exterior para o interior, condensando-se na leitura do observador.
Se este lugar de inquietação é inicialmente marcado pela tensão que se estabelece entre o céu e a terra (ou entre o imponderável e a vontade de mensurar), quando o artista repensa os códigos de cada diapositivo — trabalhando a cor, a escala, o reflexo e a opacidade —, a atenção desloca-se para o indivíduo e para o seu interior, uma vez que, ainda que os desenhos extrapolem o posicionamento das estrelas, eles dispõem-se de forma a interagir com o visitante e a sua perceção. Acompanhando o espaço e a disposição do conjunto, Nuno Sousa Vieira trabalha a leitura da obra e desloca o acontecimento para uma dinâmica que tem o seu centro, não na referência a um lugar exterior, alto ou baixo, mas sim no âmago de uma ressonância interior. Uma ressonância que ecoa a inquietude de uma transcendência pessoal.

Sérgio Fazenda Rodrigues
(Texto de Sérgio Fazenda Rodrigues. Revisão de José Gabriel Flores)



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Nuno Sousa Vieira (Leiria, Portugal, 1971) vive e trabalha entre Leiria e Lisboa. Doutorado em Pintura pela Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa, com a tese intitulada: O Ateliê – Do Mundo Para o Lugar. Sala de Exposição (1971/2015). Nuno Sousa Vieira tem vindo a desenvolver uma extensa prática em torno do espaço do seu ateliê, antiga fábrica de Plásticos SIMALA. As suas esculturas, compostas por variados materiais fabris, elementos arquitetónicos, e móveis descartados, são o resultado de um processo que envolve a transladação do espaço de trabalho para material de trabalho e, por fim, para matéria de trabalho. Das suas exposições destacam-se: Me, myself and the others, 3+1 Arte Contemporânea, Lisboa (2019); Constelações: uma coreografia de gestos mínimos, curadoria de Ana Rito & Hugo Barata, Museu Coleção Berardo, CCB, Lisboa (2019); Nasci num dia curto de inverno, Fundação Portuguesa das Comunicações, Lisboa (2017); Portugal Portugueses, curadoria de Emanuel Araújo, Museu Afro Brasil, São Paulo (2016); Uma vida inteira, Fábrica de plásticos Simala, Leiria (2014); Uma ateliê, uma fábrica e uma sala de exposição, nem sempre por esta ordem, Círculo de Artes Plásticas de Coimbra, Coimbra (2013); Wall stop for this, Appleton – Associação Cultura, Lisboa (2012); Collecting collections and concepts, uma viagem iconoclasta por coleções de coisas em formas de assim, Guimarães Capital Europeia da Cultura, Fábrica ASA, Guimarães (2012); Somos nós que mudamos quando tomamos efetivamente conhecimento do outro, Pavilhão Branco, Lisbon (2011); Don’t underestimate the impact of the workplace (comissariada pela MA Curatorial Practice, University College Falmouth), Newlyn Art Gallery, Newlyn (2010); Let’s Talk About Houses: When Art Speaks Architecture [BUILDING, UNBUILDING, INHABIT], curadoria de Delfim Sardo, Museu do Chiado, Lisbon (2010). Coleções nacionais e internacionais incluem: PINTA - Latin América, Miami, EUA; Museu de Arte Moderna (MAM), Rio de Janeiro, Brasil; Coleción Navacerrada, Madrid, Espanha; Teixeira de Freitas, Portugal; Coleção António Cachola, Elvas, Portugal; e Coleção Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, Portugal.