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O seguinte guia de exposições é uma perspectiva prévia compilada pela ARTECAPITAL, antecipando as mostras. Envie-nos informação (Press-Release e imagem) das próximas inaugurações. Seleccionamos três exposições periodicamente, divulgando-as junto dos nossos leitores.

 


ANNA HULAčOVÁ

The Next Shift




GALERIA PEDRO CERA
Rua do Patrocínio, 67 E
1350-229 LISBOA

04 FEV - 31 MAR 2021


The Next Shift
Anna Hulačová



O trabalho da artista checa Anna Hulačová está profundamente enraizado na escultura. Ao explorar uma série de técnicas escultóricas tradicionais e a rede de tensões entre o local e o global, utopia e distopia, orgânico e digital, evolução e mutação, Hulačová cria uma linguagem artística distinta, caracterizada pela sua riqueza formal e temática, pelo simbolismo associativo e por laços formais com o passado.

Enquanto que os primeiros trabalhos de Hulačová revelam um profundo interesse pela arte popular, pelo primitivismo, culturas indígenas e sua etnografia em geral, o seu corpo de trabalho mais recente distingue-se pelas relações com a escultura socialista, da qual ainda se podem encontrar exemplos, como um vestígio do passado, no espaço público de muitas cidades e vilas da República Checa. Apesar de o facto de, como resultado da tentativa de suprimir o passado comunista do país, a arte pública feita durante a era da Checoslováquia comunista ter sido percebida, até há pouco tempo, como algo remotamente estrangeiro, estranho e invisível, separando-a assim do suposto ideal de identidade cultural da nação, as suas origens estão, na verdade, intimamente ligadas a vários movimentos modernistas. Temas ligados ao trabalho, à industrialização ou à família tornaram-se, entre outros, motivos frequentes que surgiram na figuração do pós 1ª Guerra Mundial e foram depois continuados pela escultura socialista produzida na Checoslováquia entre as décadas de 1950 e 80. Embora o trabalho de Anna Hulačová não faça da renegociação do passado socialista um tema central da sua prática, a sua abordagem vai de facto além da estética brutalista característica das suas esculturas, onde o passado é, por um lado, uma forma de compreender o presente e, por outro, uma possível fonte para a construção de um futuro pós-capitalista.

The Next Shift reúne um novo grupo de trabalhos, com a figura feminina como motivo central. Somos confrontados com o tema da vida quotidiana, tão antiga como a própria arte. Um tema caracterizado pela sua universalidade, retratado desde a antiguidade, assim como no período entre guerras do século XX, ou mesmo no realismo socialista ou na arte contemporânea. Cinco figuras dedicadas às suas tarefas domésticas, cada uma segurando um aparelho utilitário, cumprem aquilo que parece ser, num sentido teatral, uma coreografia automatizada. A peça, apesar do seu contexto doméstico, evoca temas da industrialização, como o trabalho na fábrica, a reprodução mecânica ou o progresso tecnológico.

Desprovidas da sua identidade devido à ausência de rostos - característica frequente no trabalho da artista - as esculturas traduzem um sentido agudo de comportamento robotizado, moldando cada uma das múltiplas identidades da escultura. A identidade é um tema crucial para Hulačová, nomeadamente no que diz respeito à sua visão do homem contemporâneo dentro do tempo do digital, cujo carácter permanece ambíguo no sentido em que é reconfigurado pela realidade virtual típica do nosso presente. As sombras, projectadas por cada uma das cinco figuras, dão início a um jogo associativo ligado à tarefa de cada figura, formulando um comentário silencioso sobre a tradicional divisão de papéis dentro do núcleo familiar.

Presas na automatização da vida diária, as esculturas dão forma a um ambiente distópico desprovido de quaisquer relações sociais ou interacção pessoal. A máquina, neste caso um aparelho doméstico, torna-se uma parte inseparável do corpo, tornando ambíguos os papéis do senhor e do criado. Insinuando um sentido de loucura e delírio, destacado no carácter absurdo de algumas das acções das esculturas, o animismo das suas partes naturais ou utilitárias, sejam elas plantas sorridentes ou vasos que riem, ou pela repetição infinita de silhuetas anónimas que marcham na direcção de um infinito pós-industrial, a exposição questiona o nosso presente comandado pela tecnologia através dos motivos do ambiente doméstico.

Combinando um amplo leque de técnicas e materiais, Hulačová desenvolve a exploração dos seus temas na materialidade do trabalho. Ao combinar recursos brutalistas como o betão, material central do trabalho com formas orgânicas, Hulačová aponta para a natureza híbrida do nosso tempo, em que formas aparentemente distantes ou mesmo opostas se fundem e mutam numa nova realidade. O cinzento do material acentuado pelo cinzento dos desenhos de Hulačová realça a natureza apocalíptica do trabalho, dando início a um jogo táctil, onde o duro e o mole, o seco e o molhado, o macio e o áspero, se tornam uma lembrança de que a materialidade, a experiência física e o encontro, não se tornaram ainda obsoletos.


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Anna Hulačová (1984, Sušice) mostrou o seu trabalho no Centre Pompidou, Paris, Fondation Louis Vuitton,
Paris, Kunstvereniging Diepenheim, NL, Baltic Triennal, Contemporary Art Centre in Vilnius, Prague City
Gallery, Collorado-Mansfeld Palace, Prague, Biennale Gherdeina, Ortisei, IT, National Gallery, Trade Fair
Palace, Prague, K11 MUSEA, Hong Kong, MO.CO. Montpellier Contemporaine, FR, West Bohemian Gallery,
Pilsen, CZ, East Slovak Regional Gallery, Košice, SK, CEAAC, Estrasburgo, FR e Casino Luxembourg,
Luxemburgo, entre outros.