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O seguinte guia de exposições é uma perspectiva prévia compilada pela ARTECAPITAL, antecipando as mostras. Envie-nos informação (Press-Release e imagem) das próximas inaugurações. Seleccionamos três exposições periodicamente, divulgando-as junto dos nossos leitores.

 


JOÃO BELGA

I'm Alive - Yet I'm Not Alive




GALERIA DA CASA A. MOLDER
Rua 1º de Dezembro nº 101- 3º andar
1249-970 LISBOA

09 DEZ - 14 JAN 2022


ABERTURA: 9 de Dezembro, na Galeria da Casa A. Molder



Abertura dia 9 de Dezembro das 15h30 às 19h



João Belga (1968) é o artista que nos apresenta a sétima exposição da Galeria da Casa A. Molder. I’m Alive – Yet I’m Not Alive [Estou vivo – no entanto não estou vivo] são as palavras desenhadas numa tela de pequeno formato, a preto e branco, que dá título à exposição, com um grafismo a que a mão de desenhador exímio nos habituou. A escrita enquanto desenho, a destruição da mesma, o valor simbólico e assustador de todas as imagens e textos que nos rodeiam – a publicidade enquanto ordem vigente e manipuladora – são motes do trabalho de desenho e pintura de João Belga também presentes nesta exposição.
“Contaminação” é a palavra escolhida pelo artista para falar das obras aqui apresentadas. Trabalhos contaminados pelo período de 2020-2021, pelos sucessivos confinamentos, pelo medo, a falência e o caos que todos experimentámos colectivamente.
O artista recolheu-se ao seu espaço de trabalho (nas Caldas da Rainha), onde foram aparecendo três séries de pinturas de pequeno formato. Podíamos dizer, não tanto como uma reacção aos conturbados tempos vividos, mas como uma extensão dos mesmos. Nestas séries a densidade, a escuridão, o caos (falso caos) são tais que parece que o artista não só foi contaminado pelos tempos, mas que no seu papel de xamã, contaminou ele mesmo o mundo e que, ao deixarmo-nos envolver pelos seus trabalhos, caímos numa terra sombria e sem redenção.
Isto à primeira vista, porque as três séries de pinturas (duas a negro sobre o fundo branco, e não trabalhado, da tela e uma a branco sobre fundo pintado a negro), embora todas “contaminadas” dão-nos diferentes pistas:
Na Paleta Series, pintada muitas vezes com desenho automático, podemos distinguir letras, caveiras, restos de desenhos muito precisos, que foram sendo destruídos e transformados por sucessivas e densas camadas em diferentes tempos, bem como pelo facto de o artista usar algumas destas telas como paleta para outros trabalhos. Estes perduraram e dão-nos algumas respostas e alguma redenção se repararmos nos títulos, como é o caso de “White Light from the Mouth of Infinity” (título do álbum de 1991 dos Swans) ou de “On Some Faraway Beach” (título retirado do álbum Here Come the Warm Jets de Brian Eno). Na série Luz Negra a densidade do ruído desapareceu, mas fica o engano que nos leva a ver caracteres, falsos símbolos e até paisagens. A terceira série é toda ela menos tumultuosa, desenhada a partir de modelos e com composições claramente definidas, o que estranhamente não nos deixa num mundo menos sombrio do que as anteriores. Há ruído, há música e há humor.
Também encontramos esta relação com a música, que é uma força no trabalho de João Belga, na tela branca que partilha o título I’m Alive – Yet I'm Not Alive, um palimpsesto cujas noventa e uma camadas vão sendo lentamente desvendadas, como se se tratasse de um slide show das pinturas que compõem esta obra, no vídeo que o artista apresenta em simultâneo. A tela é um objecto conceptual e absolutamente contemporâneo, com a força mágica daquilo que está escondido. O vídeo, que mostra aquilo que foi tapado na tela branca, tem um tempo que não só nos permite ver cada uma das imagens aqui escondidas, como nos hipnotiza e manipula. Criado pelo colectivo DAS COOL ensemble, do qual João Belga faz parte, o som que envolve toda a exposição serve de banda sonora ao seu trabalho de atelier, tornando-nos ao mesmo tempo espectadores e artistas.