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ARQUIVO:

O seguinte guia de exposições é uma perspectiva prévia compilada pela ARTECAPITAL, antecipando as mostras. Envie-nos informação (Press-Release e imagem) das próximas inaugurações. Seleccionamos três exposições periodicamente, divulgando-as junto dos nossos leitores.

 


MANUEL VALENTE ALVES

Chão Vermelho




MUSEU DO NEO-REALISMO
Rua Alves Redol, nº 45
2600-099 VILA FRANCA DE XIRA

12 JUL - 19 OUT 2025


INAUGURAÇÃO: sábado, 12 de julho, 16h, no Museu do Neo-Realismo


Chão Vermelho
de Manuel Valente Alves

Curadoria de David Santos

No âmbito do Ciclo de Arte Contemporânea Movimento de Resistência, inaugura no próximo dia 12 de julho, pelas 16h00, a exposição Chão Vermelho de Manuel Valente Alves.



Em trânsito entre a palavra e a imagem, ao criticar as convenções ou os estereótipos das imagens e dos seus significados, o trabalho artístico de Manuel Valente Alves atua de modo subliminar contra a suposta transparência do imediatismo contemporâneo. Assumindo a dimensão interdisciplinar que a vídeo-instalação oferece, o artista realiza com "Chão Vermelho" (2025) uma arqueologia da memória e das suas reminiscências na nossa consciência estética, recrutando inspiração na poesia homónima de Armindo Rodrigues (poeta neorrealista e resistente antifascista) e na música de Fernando Lopes-Graça (maestro e compositor oposicionista ao Estado Novo).

Na paisagem alentejana (do interior ao litoral), Manuel Valente Alves encontrou uma profundidade alternativa, negada afinal pelo frenesim da nossa imagética quotidiana, feita de imagens carregadas de sentenças e dicotomias pseudorradicais. O que este “chão vermelho” nos sugere é a radicalidade da 'poiesis', da secreta ligação entre as coisas que permanecem e se afirmam na longa temporalidade, para lá da espuma dos dias. A experiência que estas imagens traduzem radica na fragmentação projetiva de uma sedução ética, de uma posição que é política na sua expressão de arte.

Numa entrevista dada ao jornal 'Público' em 25 de maio de 1996, o artista afirmava uma síntese do seu propósito: "A estética precisa duma ética para se constituir como 'praxis'. A estética pela estética é uma perversão fascista (nacional ou social...) assim como a ciência pura. Qualquer conhecimento estanque gera monstruosidades. O artista tem como responsabilidade histórica interrogar o mundo e as suas contradições através de um saber que se baseie em princípios como a generosidade, solidariedade, busca do conhecimento essencial das pessoas e das coisas." Quase trinta anos volvidos, Manuel Valente Alves prossegue, firme, o compromisso de uma arte enquanto movimento de resistência, enquanto manifestação de uma postura de coerência e humanismo.

David Santos