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O seguinte guia de exposições é uma perspectiva prévia compilada pela ARTECAPITAL, antecipando as mostras. Envie-nos informação (Press-Release e imagem) das próximas inaugurações. Seleccionamos três exposições periodicamente, divulgando-as junto dos nossos leitores.

 


COLECTIVA

A Casa de Francisca Dumont




PERSPECTIVE GALERIE PORTO - PALACETE SEVERO
Palacete Severo - Rua Ricardo Severo, 21
4050-515 PORTO

10 JUL - 31 OUT 2025


A Casa de Francisca Dumont
10.07 - 31.10.2025

Artistas
Hilda Reis, João Abel Mota, Liene Bosquê, Luís Troufa, Patrícia Geraldes, Pedra no Rim, Sofia Leitão e Vera Matias

Curadoria de Raquel Guerra


Intitulada "A Casa de Francisca Dumont" e com curadoria de Raquel Guerra, esta exposição coletiva reúne obras de Hilda Reis, João Abel Mota, Liene Bosquê, Luís Troufa, Patrícia Geraldes, Pedra no Rim, Sofia Leitão e Vera Matias, propondo uma reflexão crítica sobre a construção da memória feminina e o apagamento histórico das mulheres.

Instalada na casa onde Francisca Santos Dumont viveu no início do século XX, a exposição constrói, a partir do espaço doméstico, uma narrativa biográfica ficcional que procura questionar a ausência histórica de figuras femininas que permaneceram no silêncio dos arquivos.

Mais do que contar a vida de uma mulher específica, A casa de Francisca Dumont convida à reflexão sobre a forma como as histórias femininas foram (e ainda são) sistematicamente omitidas. Através da ficção, não se busca preencher lacunas com verdades, mas sim abrir espaço para múltiplas possibilidades de existência. Francisca torna-se, aqui, símbolo de tantas outras mulheres cuja presença resistiu apenas nos gestos cotidianos, nos silêncios impostos e na memória que ousamos reconstruir.


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A casa de Francisca Dumont é uma exposição construída a partir do silêncio. O título adapta livremente o do artigo “A casa de Ricardo Severoâ€, publicado em 1906 no Diário Ilustrado. A coincidência não é inocente — ela sublinha o que está ausente. Enquanto o artigo celebrava a figura pública de um homem, esta exposição parte da ausência quase total de registos sobre uma mulher: Francisca Santos Dumont (1877–1930).

Pouco se sabe sobre Francisca. Sabemos que nasceu no Rio de Janeiro, viveu em São Paulo, casou-se, teve dez filhos. Sabemos que era irmã de um célebre aviador e casada com um nome com projeção pública na cultura e na arquitetura. É através dessas relações que o seu nome nos chegou. Nenhuma palavra, nenhum gesto, nenhuma memória que lhe seja diretamente atribuída chegou até nós — ou, se chegou, permanece oculta nos arquivos, por descobrir ou por valorizar. E talvez por isso esta exposição seja necessária.

Instalada no Palacete Severo - na casa onde Francisca efetivamente viveu com Ricardo Severo, a exposição propõe um exercício de imaginação crítica: um simulacro biográfico que não procura preencher as lacunas com certezas, mas habitá-las com perguntas. Quem era Francisca? O que pensava? O que desejava?

Tomando o espaço doméstico como ponto de partida — esse lugar tantas vezes invisível e, no entanto, central na vida das mulheres — a exposição reflete sobre as formas históricas de apagamento feminino. A casa, aqui, torna-se mais do que um cenário: é um corpo de memória. Cada divisão sugere uma hipótese, cada objeto convoca um gesto possível.

Mais do que contar a vida de uma mulher específica, A casa de Francisca Dumont convida à reflexão sobre a forma como as histórias femininas foram (e ainda são) sistematicamente omitidas. Através da ficção, não se busca preencher lacunas com verdades, mas sim abrir espaço para múltiplas possibilidades de existência. Francisca torna-se, aqui, símbolo de tantas outras mulheres cuja presença resistiu apenas nos gestos quotidianos, nos silêncios impostos e na memória que ousamos reconstruir.

Num tempo como o que vivemos hoje, em que direitos que julgávamos conquistados começam a ser postos em causa, esta “casa†fala também do presente. As mulheres continuam a enfrentar silenciamentos, que revelam quão frágeis podem ser as garantias quando não são acompanhadas de vigilância e ação. A história de Francisca — ou a ausência dela — ecoa nas incertezas do nosso tempo, lembrando-nos de que a luta não é passado nem garantida: é contínua, urgente e coletiva.

Raquel Guerra