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O seguinte guia de exposições é uma perspectiva prévia compilada pela ARTECAPITAL, antecipando as mostras. Envie-nos informação (Press-Release e imagem) das próximas inaugurações. Seleccionamos três exposições periodicamente, divulgando-as junto dos nossos leitores.

 


MARGARIDA RELVAS, MARIANA RELVAS E MARIA DA CONCEIçãO DE LEMOS MAGALHãES

O QUE ELAS VIRAM, O QUE NÓS VEMOS. Fotógrafas Amadoras em Portugal 1860-1920




MNAC - MUSEU DO CHIADO
Rua Serpa Pinto, 4
1200-444 LISBOA

16 OUT - 01 FEV 2026


INAUGURAÇÃO: 16 de Outubro, 18h30, no Museu Nacional de Arte Contemporânea - Museu do Chiado



O QUE ELAS VIRAM, O QUE NÓS VEMOS
Fotógrafas Amadoras em Portugal 1860-1920


Curadoria: Susana Lourenço Marques e Emília Tavares


Parceria entre o Museu Nacional de Arte Contemporânea e o Museu do Porto



A exposição O que elas viram, o que nós vemos apresenta a obra de três mulheres fotógrafas amadoras — Margarida Relvas (1867–1930), Mariana Relvas (1862–1952) e Maria da Conceição de Lemos Magalhães (1863–1949) — desenvolvida em Portugal entre o final do século XIX e o início do século XX.

Mostradas, pela primeira vez, de forma individual e em diálogo, estas obras oferecem uma leitura sobre a estética fotográfica de inspiração romântica característica do final do século XIX e a sua evolução para uma abordagem pictorialista no início do século XX.

Margarida Relvas e Mariana Relvas, respetivamente filha e segunda mulher de um dos mais destacados fotógrafos amadores portugueses do século XIX, Carlos Relvas (1838–1894), produziram, sob a sua orientação técnica e estética, um conjunto de imagens cuja autoria lhes é reconhecida pelas fontes da época. Este reconhecimento permite integrá-las, de forma plena e sem reservas, no panorama autoral mais amplo de outras fotógrafas amadoras — e também profissionais — que, na sua maioria, permanecem desconhecidas ou ignoradas pela História da Fotografia.

A obra de Margarida Relvas resulta de um diletantismo fotográfico assumido, apresentando-se como élève de son père — uma identificação que reflete, no contexto de uma mentalidade oitocentista da alta burguesia mais progressista, a reivindicação do acesso das mulheres a saberes técnicos para além da tradicional trilogia de desenhar, falar francês e tocar piano. O retrato de estúdio, a paisagem e as naturezas-mortas são os géneros que mais cultivou, revelando um domínio técnico apurado e um olhar marcadamente romântico.

Já Mariana Relvas afirma-se como um caso singular no panorama fotográfico do século XIX português, ao surgir em coautoria com o seu marido, Carlos Relvas, sobretudo na produção de retratos de estúdio. As suas fotografias de paisagem, porém, revelam-na como uma autora mais autónoma, ainda que uma das obras mais emblemáticas desta colaboração a dois seja o álbum fotográfico Hespanha França e Suissa (1889).

Maria da Conceição de Lemos Magalhães é, à luz da investigação atual, a fotógrafa amadora mais prolífica e consistente do início do século XX em Portugal. Com uma obra extensa, integrou o restrito círculo de entusiastas que procurou afirmar um movimento pictorialista nacional, em diálogo com iniciativas congéneres internacionais. A paisagem, o trabalho rural e a representação feminina em ambientes naturais são os seus temas de eleição, explorando com mestria as possibilidades estéticas da natureza — sinal de um conhecimento atento dos desenvolvimentos artísticos da fotografia internacional da sua época.

Esta exposição resulta da investigação iniciada por Susana Lourenço Marques, sobre as fotógrafas amadoras Margarida Relvas, Mariana Relvas e Maria da Conceição de Lemos Magalhães, no âmbito do projeto WomenPhotPT, dedicado ao mapeamento e à divulgação do conhecimento sobre a atividade de mulheres fotógrafas em Portugal.


Susana Lourenço Marques
Emília Tavares