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O seguinte guia de exposições é uma perspectiva prévia compilada pela ARTECAPITAL, antecipando as mostras. Envie-nos informação (Press-Release e imagem) das próximas inaugurações. Seleccionamos três exposições periodicamente, divulgando-as junto dos nossos leitores.

 


SUSANNE S. D. THEMLITZ

História Natural




GALERIA VERA CORTêS
Rua João Saraiva 16, 1º
1700-250 LISBOA

20 NOV - 17 JAN 2026


INAUGURAÇÃO: 20 novembro, 18:00 – 21:00, na Galeria Vera Cortês


Susanne S. D. Themlitz
História Natural

20 novembro 2025 – 17 janeiro 2026




Susanne S. D. Themlitz (Lisboa, 1968) é uma artista de nacionalidade portuguesa e alemã que vive e trabalha em Lisboa, Sintra e Colónia. Entre 1987 e 1995, estudou desenho e escultura no Ar.Co – Centro de Arte e Comunicação Visual, em Lisboa, fez estudos no Royal College of Art, em Londres, e completou o mestrado em artes visuais da Kunstakademie Düsseldorf. Expõe regularmente desde 1998 e está representada em diversas coleções institucionais e particulares. Ao longo dos anos, a sua obra tem vindo a constituir-se como um universo poético de grande simbolismo e em diálogo constante com a história da arte, a literatura, as ciências naturais, as tradições populares e as estórias infantis.

Estes referentes raramente se tornam explícitos nas paisagens imaginárias e nas figuras híbridas com as quais Themlitz cria ambientes de uma teatralidade silenciosa que convocam o espetador, tornado participante ativo de cenas onde o visível e o sugerido dialogam e potenciam-se mutuamente no espaço da imaginação e da ficção. Os vínculos entre a realidade e o real inconsciente, a paisagem como lugar de inscrição do humano, a memória e o esquecimento, a metamorfose e a passagem entre estados, as zonas limítrofes em que as coisas se tornam incertas e contaminam mutuamente, os espaços intersticiais que abrem caminho ao devaneio e à fantasia – por vezes à dormência –, são temas caros à artista.

As suas esculturas e instalações abrem para mundos paralelos onde se acumulam e agregam objetos domésticos ou industriais transformados e combinados com elementos naturais, e seres mutantes, introspetivos e quase sempre sem rosto, surpreendentemente plausíveis na sua alteridade e singularidade, bem como desenhos e pinturas que misturam a minúcia descritiva do grafite, as tintas estampadas por calcagem e as colagens de materiais variados como recortes de jornais ou papéis de parede. A fotografia e o vídeo completam a abordagem transdisciplinar de Themlitz aos meios artísticos, bem como uma produção escrita que, por vezes, toma a forma de livros de artista. Pelas imagens e sensações geradas no espetador através das suas obras, perpassa o impensado e a resistência à codificação verbal, para os quais contribuem, ainda, a busca por formas incomuns de ocupar os espaços, através de elevações ou suspensões que distorcem os eixos de visão ou de alusões ao subsolo e ao mundo subterrâneo onde determinadas espécies respiram e prosperam; bem como a subversão das proporções e das escalas, deformadas e invertidas por meio da macrocefalia ou da atrofia dos corpos e do uso de lentes e vidros. No cerne do trabalho de Themlitz reside uma intenção, por vezes humora- da, por vezes melancólica, de criar imagens e objetos tão mais eficazes quanto o espetador se deixa envolver na suspensão da descrença que lhe permite aceder a outros modos de percepção da realidade.