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ARTECAPITAL RECOMENDA


Imagem do filme Cómo liberar un pájaro, 2025. © Pamela Cevallos


Imagem do filme Sahumado, 2025 @Astrid González

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Correntes de Restituição: Abolir o Museu


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Hangar - Centro de Investigação Artistica, Lisboa

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ARQUIVO:

O seguinte guia de exposições é uma perspectiva prévia compilada pela ARTECAPITAL, antecipando as mostras. Envie-nos informação (Press-Release e imagem) das próximas inaugurações. Seleccionamos três exposições periodicamente, divulgando-as junto dos nossos leitores.

 


PAMELA CEVALLOS, SANDRA GAMARRA E ASTRID GONZáLEZ

Correntes de Restituição: Abolir o Museu




HANGAR - CENTRO DE INVESTIGAçãO ARTISTICA
Rua Damasceno Monteiro, 12
1170-112 LISBOA, PORTUGAL

27 NOV - 31 JAN 2026


INAUGURAÇÃO: 27 de novembro, no Hangar - Centro de Investigação Artística



Correntes de Restituição: Abolir o Museu
de Pamela Cevallos, Sandra Gamarra e Astrid González

Curadoria de Ana Salazar Herrera



Inaugura a 27 de novembro, no Hangar - Centro de Investigação Artística, Correntes de Restituição: Abolir o Museu, uma exposição coletiva que reúne três artistas sul-americanas, Pamela Cevallos, Sandra Gamarra e Astrid González, cujas práticas propõem metodologias imaginativas de resistência e restituição simbólica, espiritual e discursiva.

Inspirada pelo pensamento da teórica e ativista Françoise Vergès, a exposição parte da premissa de que "os museus europeus são repositórios de pilhagem" e questiona a possibilidade de decolonizar instituições que nasceram da espoliação e da violência. As obras apresentadas enfrentam as narrativas coloniais que estruturam as coleções arqueológicas e etnográficas europeias, abrindo caminhos para repensar as formas de restituição e de reapropriação da memória coletiva.

A exposição inclui trabalhos de Pamela Cevallos (1984, Quito), artista visual e antropóloga, que na obra Cómo liberar un pájaro, propõe uma restituição simbólica de instrumentos cerâmicos pré-hispânicos, devolvendo-lhes o sopro e a voz através de práticas colaborativas; Sandra Gamarra (1972, Lima), que explora criticamente a história da arte e os sistemas museológicos, expondo as hierarquias raciais e epistemológicas que sustentam as coleções ocidentais. As suas obras Cuando las papas queman e Exhibitor I & II confrontam o olhar colonial e reimaginam o museu como espaço de resistência; e Astrid González (1994, Medellín), artista multidisciplinar que entrelaça espiritualidade afrodescendente e crítica institucional e que expõe Sahumado, um vídeo sobre os rituais de purificação e repatriação simbólica, convocando artefactos silenciados a regressarem a casa.

A curadoria é de Ana Salazar Herrera, curadora equatoriano-portuguesa e fundadora do Museum for the Displaced, tendo sido cocuradora da Bienal de Arte Contemporânea de Diriyah 2024, na Arábia Saudita. Entre 2022 e 2023, exerceu funções de curadora interina no Ludwig Forum Aachen e, entre 2016 e 2020, foi curadora assistente no NTU Centre for Contemporary Art Singapore. É mestre em Práticas de Curadoria pela School of Visual Arts, Nova Iorque, e licenciada em Piano pela Escola Superior de Música de Lisboa.


Programa público

24 de novembro de 2025, 18h — Workshop Escutar Réplicas, com Pamela Cevallos
27 de novembro de 2025, 17h — Conversa com Pamela Cevallos e a historiadora Malena Bedoya, moderada por Ana Salazar Herrera



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Pamela Cevallos (1984, Quito) é artista visual, antropóloga e curadora, cuja prática estabelece pontes entre a arte contemporânea e a investigação etnográfica. O seu trabalho examina as tensões entre os enquadramentos institucionais do património e as formas comunitárias de reapropriação. Desde 2015, colabora com a comunidade de La Pila (Manabí, Equador), valorizando as réplicas cerâmicas pré-hispânicas como ferramentas críticas para questionar a autenticidade e ativar relações alternativas com o passado. Através de instalações, pintura e projetos colaborativos, Cevallos explora a vida social dos objetos e a política dos arquivos. Expôs na 22.ª Bienal Sesc_Videobrasil (São Paulo, 2023) e nas 15.ª e 14.ª Bienais de Cuenca (2021, 2019), tendo recebido o Prémio Paris (2023) e o Prémio Mariano Aguilera (2017). Realizou residências na Delfina Foundation (Londres), Cité Internationale des Arts (Paris) e MeetFactory (Praga). Atualmente, leciona na Pontifícia Universidade Católica do Equador.

Sandra Gamarra (1972, Lima; vive em Madrid) é uma artista multidisciplinar cuja prática — abrangendo pintura, escultura, vídeo e instalação — revisita criticamente a história da arte e as estruturas museológicas. O seu trabalho interroga a construção da modernidade e os legados coloniais presentes nas coleções dos museus ocidentais. Recorre a metodologias de arquivo e estratégias de apropriação para reinterpretar imagens institucionais e revelar a persistência de narrativas racializadas e extrativistas. Gamarra representou Espanha na Bienal de Veneza 2024 com o projeto Pinacoteca Migrante (2023–24), que confronta a representação colonial nas coleções artísticas europeias. Expôs internacionalmente em instituições como a Casa de América (Madrid, 2003), o Museu Artium (Vitória, 2014), o Bass Museum (Flórida, 2011) e nas Bienais de Montevideo (2016), Cuenca (2011) e São Paulo (2010).

Astrid González (1994, Medellín) é uma artista multidisciplinar que trabalha com vídeo, fotografia e escultura, abordando as histórias afrodescendentes nas Américas. A sua prática investiga as raízes coloniais da representação, as políticas da visibilidade e os processos de resistência e hibridização cultural. Licenciada pela Fundación Universitaria Bellas Artes (Medellín, com distinção), concluiu também um Certificado em Estudos Afro-Latino-Americanos na Universidade de Harvard. González expôs no Brasil, Chile, Peru, Angola, Portugal e Colômbia, com mostras recentes no Museu da Memória e dos Direitos Humanos (Santiago do Chile), no Museu de Arte Moderna de Medellín e no Museu de Antioquia. Entre as suas distinções contam-se a bolsa The Democracy Machine: Artists and Self-Governance in the Digital Age (Eyebeam, Nova Iorque, 2023) e o Prémio Novos Talentos em Arte da Colômbia. O seu trabalho revisita a história hegemónica através de lentes afro-diaspóricas, reivindicando o corpo como espaço de memória, luta e orgulho ancestral.