BURLE MARX, FERNANDA FRAGATEIRO, FILIPE FEIJãO, JOãO DOS SANTOS MARTINS, JUAN ARAUJO, LOURDES CASTRO E MóNICA DE MIRANDALugar de Estar: o Legado Burle MarxMAC/CCB - MUSEU DE ARTE CONTEMPORâNEA Praça do Império 1449-003 LISBOA 26 NOV - 05 ABR 2026 INAUGURAÇÃO: 26 novembro 19h, no Piso 0 do MAC/CCB Colectiva Lugar de Estar: o Legado Burle Marx O MAC/CCB apresenta entre 27 de novembro de 2025 e 5 de abril de 2026, o paisagista incontornável do modernismo brasileiro, Roberto Burle Marx; em diálogo com Fernanda Fragateiro, Filipe Feijão, João dos Santos Martins, Juan Araujo, Lourdes Castro e Mónica de Miranda. Até 5 de abril de 2026, o piso 0 do MAC/CCB transforma-se num lugar de contemplação, experimentação, encontro ou, muito simplesmente, um lugar para estar, enquanto refletimos sobre as questões que afetam os espaços que partilhamos e o futuro das cidades. ::: Paisagista, ativista ambiental, artista plástico e expoente do modernismo brasileiro, Roberto Burle Marx (1909–1994) é representado através da seleção de projetos paisagÃsticos na nova exposição do MAC/CCB. Figura de referência no desenvolvimento do panorama urbano brasileiro e um dos mais inovadores paisagistas do século XX, deixou um legado coletivo que nos ajuda a refletir sobre o direito à cidade, a sociabilidade nos espaços públicos, o papel dos jardins na construção urbana, o património das espécies botânicas e o ativismo ecológico. Precursor das questões de sustentabilidade, alertou para a importância da preservação ambiental, encorajou o conhecimento da flora brasileira e defendeu a Mata Atlântica, a Amazónia e o Cerrado. Associado ao imaginário moderno de grandes cidades como BrasÃlia e Rio de Janeiro, Burle Marx, juntamente com os seus colaboradores, concebeu mais de dois mil projetos paisagÃsticos entre as décadas de 1930 e 1990. De entre os quais se destacam a sede da UNESCO, em Paris, França, ou o Parque del Este, em Caracas, Venezuela; e, no Brasil, os jardins do Palácio Itamaraty, em BrasÃlia, o Parque do Flamengo e a Orla de Copacabana, no Rio de Janeiro. Do paisagista brasileiro é o icónico «calçadão» de Copacabana, que altera o desenho original das ondas em pedra portuguesa, inspirado no de Pinheiro Furtado (1777–1861) em Lisboa. A intervenção feita por Burle Marx e pela sua equipa, na década de 1970, celebra a filiação a uma origem vernacular portuguesa, mas também revela a ousadia em ultrapassá-la. O seu legado perdura, estabelecendo afinidades com a arte e a arquitetura contemporâneas. Nesta exposição, encontra pontos de diálogo com artistas estabelecidos em Portugal: com a madeirense Lourdes Castro, através de ?Um património botânico? e do ?Ativismo ambiental?; com Jardim das Ondas, de Fernanda Fragateiro, em ?Construindo cidades e espaços públicos?; Filipe Feijão traz-nos uma extensão simultaneamente Ãntima e pública do atelier, enquanto Mónica de Miranda nos leva a visitar os jardins ?invisÃveis? dos arredores da Grande Lisboa; ?O projeto moderno? ressoa com a narrativa historiográfica das pinturas de Juan Araujo; e João dos Santos Martins apresenta uma performance especialmente criada para a exposição: Alarve. A partir das cerca de 150 mil obras do acervo Burle Marx, selecionaram-se 23 projetos do paisagista e da sua equipa — um grupo de gerações, origens e práticas distintas a pensar cidades. A reunião de uma centena de elementos, incluindo estudos, croquis, desenhos, fotografias e entrevistas em vÃdeo, faz sobressair uma amostra dos diferentes caminhos que a obra de Burle Marx possibilitou. «Do croqui ao projeto, até ao jardim executado, refletem um desejo de utopias de cidades mais verdes, mais plurais», explica Isabela Ono. O seu pai, Haruyoshi Ono (1943–2017), «foi parceiro criativo de Burle Marx por mais de 30 anos e sempre enfatizou a importância deste material para a disseminação do legado artÃstico, paisagÃstico e ambiental de Burle Marx e seus colaboradores para o Brasil e para o mundo.» Lugar de estar: o legado Burle Marx foi originalmente desenvolvida numa colaboração entre o Instituto Burle Marx (responsável pela salvaguarda e difusão do acervo paisagÃstico de Burle Marx e dos seus colaboradores) e o MAM Rio — Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, onde foi apresentada pela primeira vez entre janeiro e maio de 2024, com curadoria de Isabela Ono (diretora-executiva do Instituto Burle Marx), Pablo Lafuente (diretor artÃstico do MAM Rio) e Beatriz Lemos (ex-curadora-chefe do MAM Rio). Em Lisboa, a adaptação e curadoria dos artistas convidados está a cargo de Nuria Enguita (diretora artÃstica) e Marta Mestre (curadora), do MAC/CCB; e o desenho expositivo tem a assinatura de Diogo Passarinho Studio + RAR.STUDIO. Fernanda Fragateiro evoca o Jardim das Ondas, criado para a Expo’98 em coautoria com João Gomes da Silva. Realizado numa área extensa localizada entre o Oceanário de Lisboa e o Rio Tejo, foi concebido como uma espécie de «jardim-corpo». Os trabalhos de Juan Araujo apresentados na exposição relacionam-se com a arquitetura moderna, especialmente do Brasil e da América Latina. Ao evocar técnicas de impressão mecânicas e formatos que fazem lembrar ilustrações em páginas de revista, o artista reinscreve as imagens numa circulação e memória que nunca é neutra. A participação de Filipe Feijão encena «momentos» no espaço que evocam as ideias de ruÃna e de arquivo: um tronco inerte, um majestoso aloe (agave americana) suspenso e uma assemblagem. Mónica de Miranda dá destaque aos jardins «invisÃveis» dos arredores da grande Lisboa cultivados maioritariamente por imigrantes de origem africana provenientes das ex-colónias: Costa da Caparica, Seixal, Chelas, Talude e Loures. De Lourdes Castro apresenta-se uma seleção de vinte desenhos e litografias, algumas com colagens, da série Sombras à volta de um centro, realizadas pela artista a partir de 1980. Finalmente, João dos Santos Martins explora as relações entre dança, linguagem e transmissão em Alarve. Esta performance produzida especificamente para a exposição dialoga com a sua experiência pessoal de migração do meio rural para o urbano, e com a ideia de adaptação do corpo e do sujeito. ::: Programa / Eventos 26 novembro, 18h CONVERSA COM CURADORES E ARTISTAS Com Isabela Ono (Instituto Burle Marx), Pablo Lafuente (MAM Rio), Nuria Enguita e Marta Mestre (MAC/CCB) e artistas convidados No Auditório do Museu 24 janeiro 16h CONVERSA COM FERNANDA FRAGATEIRO, FREDERICO DUARTE E JUAN ARAUJO. Uma constelação de artistas e práticas contemporâneas ressoa com os princÃpios do paisagista brasileiro, pondo em evidência a complexidade e a atualidade da sua obra. À luz da exposição no MAC/CCB, os artistas plásticos Fernanda Fragateiro e Juan Araujo juntam-se ao crÃtico e curador de design Frederico Duarte para falar sobre as relações entre arte, arquitetura, natureza e espaço público. Participação gratuita, mediante inscrição prévia. Sujeita ao número de lugares disponÃveis. 21 março 11h PASSEIO JARDINS: LUGARES DO OLHAR Evocando um olhar contemplativo sobre as espécies botânicas e partilhando curiosidades sobre cada uma delas, Ivo Meco convida-nos a percorrer espaços verdes e jardins em redor do CCB. O professor de Botânica, Biologia e Geologia, e autor de Jardins de Lisboa: Histórias de espaços, plantas e pessoas, leva-nos num passeio-conversa, suscitando novos olhares sobre os jardins. Participação gratuita, mediante inscrição prévia. 27 março 18H00 28 março 18H00 PERFORMANCE 'ALARVE' DE JOÃO DOS SANTOS MARTINS O corpo pode ser um campo de negociação entre a natureza e a construção. A partir desta premissa, João dos Santos Martins aborda a dança como prática de desaprendizagem e reinvenção. O bailarino e coreógrafo encontra na sua experiência pessoal de migração do meio rural para o urbano, e da ideia de adaptação — do corpo e do sujeito —, um ponto de contacto com Roberto Burle Marx. Tal como o paisagista brasileiro entendia o jardim como uma «adequação do meio ecológico à s exigências da civilização», também a migração revela um processo contÃnuo de ajuste de gestos. Coprodução MAC/CCB com Associação Parasita, Festival Silvestre e Sismógrafo. Participação gratuita, mediante inscrição prévia. Sujeita ao número de lugares disponÃveis. |
















