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O seguinte guia de exposições é uma perspectiva prévia compilada pela ARTECAPITAL, antecipando as mostras. Envie-nos informação (Press-Release e imagem) das próximas inaugurações. Seleccionamos três exposições periodicamente, divulgando-as junto dos nossos leitores.

 


ISABEL CARVALHO

Arder a Palavra




LUGAR DO DESENHO - FUNDAçãO JúLIO RESENDE
Rua Pintor Júlio Resende 346 - Valbom
4420-534 GONDOMAR

14 FEV - 02 MAI 2026


INAUGURAÇÃO: 14 de fevereiro, 17h00, na Sala de Exposições Temporárias do Lugar do Desenho – Fundação Júlio Resende



ISABEL CARVALHO
Arder a Palavra


No dia 14 de fevereiro, sábado, às 17:00 horas, vai inaugurar a exposição Arder a Palavra, de Isabel Carvalho, no Lugar do Desenho - Fundação Júlio Resende, em Valbom.


Em Arder a Palavra, Isabel Carvalho apresenta um conjunto de painéis cerâmicos resultantes de uma investigação que articula ciência e prática artística, recuperando saberes da tradição em que as cinzas vegetais eram usadas na formulação de esmaltes cerâmicos. As cinzas eleitas para o projeto foram sobretudo recolhidas em áreas atingidas pelos incêndios decorridos durante o verão de 2025 na região do Douro, uma das zonas que, nesse ano, registou maior impacto ambiental.

A pesquisa incidiu inicialmente sobre o comportamento do material vegetal em processos de vitrificação, analisando a artista de que modo espécies distintas — como o carvalho, o pinheiro e o eucalipto, presentes em proporções variáveis segundo a sua capacidade inflamável — produziam respostas cerâmicas específicas. Todavia, o trabalho deslocou-se progressivamente para outra direção, fundada na prática e na constatação de que, em contexto real, a separação rigorosa das espécies se revela quimérica fora de condições laboratoriais. A contaminação entre matérias — uma vez que o fogo indistintamente converte todo o “vivo†em cinzas —, assim como a subsequente impregnação do ar, dos solos e dos cursos de água, passou a integrar estruturalmente o próprio projeto. Deste modo, a investigação expandiu-se para além do contínuo avanço e aprimoramento técnico, assumindo uma dimensão simbólica indissociável daquilo a que assistimos como colapso ambiental.

Para Arder a Palavra, a oficina de cerâmica do Lugar do Desenho abriu-se como espaço de produção situada. As suas condições singulares reforçaram ainda mais a noção de contaminação enquanto conceito operativo, quer pela utilização pontual de esmaltes e fornos pertencentes a Júlio Resende, quer pela eleição do desenho — área central nesta instituição — como matriz do processo de transposição imagética dos percursos matéricos para o suporte do painel. Com efeito, no exposto, manifesta-se uma atenção sensível aos ciclos naturais e às transformações da paisagem, articulando prática artística e reflexão ecológica em torno dos ecossistemas do rio Douro, podendo os painéis ser tomados como dispositivos de inscrição e de memória.