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O seguinte guia de exposições é uma perspectiva prévia compilada pela ARTECAPITAL, antecipando as mostras. Envie-nos informação (Press-Release e imagem) das próximas inaugurações. Seleccionamos três exposições periodicamente, divulgando-as junto dos nossos leitores.

 


VâNIA R. GONçALVES & FRANKA STRUYS

Resilient Transitions




GALERIA DIFERENçA
Rua S. Filipe Neri, 42 C/V
1250-227

20 MAI - 20 JUN 2026


INAUGURAÇÃO: 20 de Maio, das 17h às 20h, no espaço Triângulo da na Galeria Diferença, em Lisboa



Resilient Transitions
de Vânia R. Gonçalves & Franka Struys

Curadoria: Federica Elena


Resilient Transitions é uma exposição site-specific que convida o público a entrar num ambiente imersivo onde pintura e escultura se entrelaçam num diálogo contínuo com a matéria e o tempo. Num contexto marcado por instabilidade e transformação, as artistas Franka e Vania exploram a resiliência como um processo vivo - não como resistência, mas como capacidade de adaptação e metamorfose. Através de superfícies minerais, formas tensionadas e gestos em constante evolução, a exposição propõe uma experiência sensorial e reflexiva que desafia o espectador a repensar a sua relação com a mudança e com os sistemas que habita.


Resilient Transitions revela-se como um ambiente site-specific concebido para ser habitado, onde a natureza é compreendida como um campo vivo e unificado, em que matéria, corpo e pensamento são indissociáveis. Sob esta perspetiva, a transformação não é a exceção, mas a condição fundamental da existência: tudo persiste, adapta-se e evolui numa mudança incessante.

Num mundo marcado pela aceleração, pela fragmentação e por uma precariedade ecológica crescente, a exposição abre um espaço de reflexão profunda. Em vez de oferecer respostas definitivas, coloca uma questão vital: como podemos evoluir de forma significativa dentro de sistemas que não conseguimos controlar totalmente? O que nos impele a perseverar, a ativar as nossas capacidades latentes e a continuar a crescer mesmo em condições de incerteza? Neste lugar, as obras não se apresentam como objetos discretos ou acabados, mas como encontros. Forças naturais, temporais e corporais deslizam entre si, dissolvendo-se e reaparecendo numa narrativa que não admite um estado final, tornando o espectador não um observador externo, mas um elemento imerso no fluxo.

As pinturas de Franka, criadas com pigmentos minerais e granito pulverizado, não representam imagens, mas evocam uma memória sedimentada. As suas superfícies tácteis, inspiradas pela força geológica das falésias costeiras, capturam o tempo como um rasto aberto; cada gesto permanece suspenso entre o controlo consciente e a entrega ao material, refletindo a força incansável da natureza, que se molda num devir contínuo.

Em paralelo, as esculturas de Vania movem-se com uma densidade tensa: construídas através de ciclos de modelação manual e de queimadas repetidas, encarnam a fragilidade inerente ao peso e a instabilidade da forma. As suas superfícies acumulam-se como camadas de pele ou terrenos erodidos, marcadas por fraturas e depósitos que emergem da interação entre a matéria e o calor; aqui, a resiliência surge não como uma resistência rígida, mas como a capacidade profunda de absorver a mudança, reorganizar-se e persistir através da metamorfose.

Entre a bidimensionalidade da pintura e a fisicalidade da escultura, delineia-se um campo intersticial onde as obras não se isolam, mas se implicam e se estendem umas nas outras, gerando uma condição espacial partilhada. Dentro da arquitetura triangular da galeria, emerge um percurso subtil - não imposto, mas descoberto através do movimento - tornando o próprio espaço parte integrante da obra: um ambiente construído que respira e convida à coabitação.

Ambas as artistas resistem ao fechamento de significados fixos, permanecendo focadas no processo e naquilo que ainda está em potência; nesta abertura, a vulnerabilidade torna-se um método de investigação e a matéria é deixada livre para negociar consigo mesma. A ligação emerge, assim, como uma resposta vital à incerteza, transformando o ato de nos unirmos - através da prática artística e da colaboração - numa forma de navegar a precariedade do presente.

O corpo, estendido em superfície, surge como um ato simultaneamente poético e político: não como espetáculo, mas como uma forma de atenção sustentada e de transformação interior. A beleza, neste contexto, não se afirma; emerge discretamente onde o pigmento se aglomera ou se dissolve, onde a forma cede perante aquilo que não consegue conter por completo.

No seu cerne, Resilient Transitions é um convite à coragem de permitir-se transformar, lembrando-nos de que a adaptação não começa com o controle, mas com a vontade de reimaginar os sistemas que habitamos. Esta exposição resiste a uma resolução definitiva, revelando-se como um sistema vivo de relações e transformações lentas que nos convida a considerar-nos não como identidades fixas, mas como potencialidades que persistem na mudança. Neste espaço, o tempo não erode: inscreve-se profundamente. E as obras continuam, silenciosas e insistentemente, a tornar-se.