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O seguinte guia de exposições é uma perspectiva prévia compilada pela ARTECAPITAL, antecipando as mostras. Envie-nos informação (Press-Release e imagem) das próximas inaugurações. Seleccionamos três exposições periodicamente, divulgando-as junto dos nossos leitores.

 


FRIDA ORUPABO

Cloud of Confusion




MAC/CCB - MUSEU DE ARTE CONTEMPORâNEA
Praça do Império
1449-003 LISBOA

03 JUN - 01 NOV 2026


INAUGURAÇÃO: 2 de Junho, 19h no Piso -1 do MAC/CCB

FRIDA ORUPABO
Cloud of Confusion

Curadoria: Marta Mestre



Na sua primeira exposição individual em Portugal, Frida Orupabo revisita o vasto arquivo de imagens que reuniu na sua conta de Instagram, composto por tensões entre intimidade e violência, imagens de uso privado e mass media, para instaurar um espaço crítico. Cloud of Confusion parte de um gesto que todos reconhecemos — o scroll de um feed de Instagram — e, em diálogo com a arquitetura do MAC/CCB, desenha um percurso linear de oito momentos, à semelhança do deslizamento contínuo entre ecrãs que caracteriza a experiência digital. O título evoca não só a nuvem digital onde armazenamos imagens e dados mas também a névoa de informação, memória e esquecimento que aquela implica, à semelhança do fluxo digital que enfatiza o «abismo» das imagens — a sua estranheza e a sua reverberação dispersa.
Transpondo a lógica digital para o espaço do museu, a exposição assume-se como uma sequência descontínua de imagens, pontuada por obras tridimensionais, onde o scroll habitual se transforma em deslocação física. A montagem e a edição, que Frida Orupabo entende como gestos relacionais, só se revelam plenamente a um espectador presente, com corpo e tempo.




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Frida Orupabo nasceu em 1986 em Sarpsborg, na Noruega, e vive e trabalha atualmente em Oslo. O seu trabalho desenvolve-se no campo digital, alimentando-se de imagens encontradas na internet, que reconfigura através da descontextualização e da colagem.

Entre 2013 e 2016, Frida Orupabo manteve a conta de Instagram @nemiepeba, um fluxo de imagens e pequenos vídeos em loop que Arthur Jafa descreveu como «implacável» e «incandescente». O artista norte-americano referia-se ao olhar de escafandrista de Frida Orupabo, que, tanto na superfície saturada como nas suas camadas mais profundas, esquadrinha e recolhe relações intensas entre imagens.

O trabalho da artista propõe uma lógica de montagem e colagem que não apenas se desenvolve de forma narrativa como também aprofunda e faz exceder a sua matéria-prima, tal como um poema. As imagens, na sua interrelação, cruzam arquivos coloniais, cinema, televisão, sistemas algorítmicos, violência, maternidade ou estéticas musicais. Na obra de Orupabo, a recombinação e o deslocamento abrem novas leituras sobre o imaginário visual negro, restituindo, em particular, uma forma de soberania aos corpos — e às vidas — que essas imagens historicamente capturaram. Como refere a artista, trata-se de criar trabalhos que «olham de volta» e questionam um olhar branco e a sua perceção do corpo negro.

Esta exposição coloca a hipótese de transpor o feed de Instagram para o espaço do museu, explorando a sua experiência ao longo das salas, cuja configuração linear parece já conter, em si, essa possibilidade. Nesta passagem, a montagem e a edição, às quais a artista atribui uma qualidade relacional, tornam-se legíveis apenas na vivência de um espectador implicado e corporalmente situado no espaço e no tempo. A lógica do gesto contínuo do scroll organiza-se numa sequência descontínua, pontuada por obras tridimensionais da artista.

O título Cloud of Confusion («nuvem de confusão») é retirado de uma das muitas imagens do Instagram da artista, na qual boiam palavras como que numa sopa de letras. Que leitura do mundo, então, se torna possível quando a construção da memória cede a uma lógica digital de «armazenamento» — ou quando dissolvemos a experiência humana na confusão da cloud?


Marta Mestre
Curadora da exposição



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Frida Orupabo, nascida em 1986 em Sarpsborg, na Noruega, vive e trabalha em Oslo. Estudou Estudos do Desenvolvimento e Sociologia na Universidade de Oslo (2005–2011). Entre as suas exposições individuais destacam-se as que realizou no Fotomuseum Winterthur, Winterthur (2022); Museu Afro Brasil, São Paulo (2021); Kunsthall Trondheim, Trondheim (2021); Huis Marseille, Amesterdão (2020); Portikus, Frankfurt am Main; e Kunstnernes Hus, Oslo (ambas em 2019). Orupabo participou na 34.ª Bienal de São Paulo (2021), bem como na 58.ª Bienal de Veneza (2018). Em 2025, foi distinguida com o prémio SPECTRUM — Internationaler Preis für Fotografie.

Com formação em sociologia, Orupabo começou a recolher imagens da internet enquanto trabalhava num centro de apoio a vítimas de tráfico humano e profissionais do sexo. Este arquivo encontrou expressão pública, em primeiro lugar, no Instagram e, posteriormente, na colagem física. A manipulação destas imagens inscreve-se numa tradição de fotomontagem em que a artista corta, reorganiza, inverte e sequencializa em loop imagens fixas e em movimento. Tão poderosas quanto perturbadoras, estas intervenções dão origem a releituras imaginativas e incisivas de motivos visuais que procuram desafiar noções coloniais ainda enraizadas nas estruturas sociais, económicas e políticas, permitindo uma reflexão sensível sobre temas como raça, género, sexualidade e laços familiares.




PROGRAMAS PÚBLICOS:
https://www.ccb.pt/evento/exposicao-frida-orupabo/2026-06-04/