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O seguinte guia de exposições é uma perspectiva prévia compilada pela ARTECAPITAL, antecipando as mostras. Envie-nos informação (Press-Release e imagem) das próximas inaugurações. Seleccionamos três exposições periodicamente, divulgando-as junto dos nossos leitores.

 


MARIANA PALMA

A Delicadeza do Excesso




KUBIKGALLERY LISBOA
Calçada Dom Gastão, n.4 - Porta 45
1900-194 LISBOA

25 JUN - 24 JUL 2026


INAUGURAÇÃO: dia 25 de junho a partir das 17h, na KUBIKGALLERY Lisboa



Mariana Palma
A Delicadeza do Excesso

Curadoria de Luiza Teixeira de Freitas


“‘No mundo extraordinário, tudo é extraordinário.’
Wisława Szymborska


Há algo profundamente paradoxal no trabalho de Mariana Palma.

À primeira vista, somos confrontados por uma exuberância quase vertiginosa, flores, frutos, conchas, sementes, tecidos, organismos marinhos, superfícies marmoreadas, padrões ornamentais e explosões cromáticas acumulam-se em composições que parecem desafiar qualquer economia visual. No entanto, quanto mais observamos estas obras, mais percebemos que não estamos perante uma celebração do excesso enquanto acumulação, mas perante uma investigação delicada sobre as infinitas formas através das quais a matéria se repete e se reinventa.

A natureza parece operar segundo uma lógica de abundância, produz mais formas do que aquelas que alguma classificação conseguirá conter. Dai o titulo da exposição, A Delicadeza do Excesso, nomear precisamente essa tensão. O excesso surge aqui não como extravagância ou saturação, mas como condição fundamental da vida. A natureza produz mais flores do que as necessárias, mais sementes do que aquelas que germinarão, mais formas do que aquelas que alguma classificação conseguirá conter. É um excesso generoso, improdutivo segundo a lógica da eficiência, mas indispensável para a (re)invenção do mundo. Mariana Palma aproxima-se desse princípio através de uma prática artística que oscila entre a observação minuciosa e a imaginação especulativa, criando um universo onde cada elemento parece simultaneamente familiar e impossível.â€


— Luiza Teixeira de Freitas


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Mariana Palma (1979, São Paulo, SP, Brasil) vive e trabalha em São Paulo, SP, Brasil.
A obra de Mariana Palma se materializa, sobretudo, em pinturas, aquarelas e fotografias, nas quais cores e imagens da natureza são exploradas em diferentes formatos e soluções técnicas. Em suas pinturas, que podem atingir grandes dimensões, toda a superfície da tela é coberta por padrões de cores obtidos através da técnica de marmorização, que resulta em complexos padrões cromáticos. Sobre eles são criadas composições com elementos díspares, tais como azulejos, ralos, plantas, flores e tecidos. Aliando uma composição rítmica precisa com uma dramaticidade que evoca a pintura barroca, as imagens criadas por Palma ora tornam indistinguíveis os vincos e veios entre pétalas e planejamento, ora embaralham pressupostos elementares da pintura, tais quais figura e fundo, distinções entre planos e as noções de paisagem e retrato. Ganham espaço, também, reflexões sobre temporalidade e vitalidade nas aquarelas, fotografias e obras sobre tecido, nas quais a artista exercita a aproximação entre diferentes elementos orgânicos.