O seguinte guia de exposições é uma perspectiva prévia compilada pela ARTECAPITAL, antecipando as mostras. Envie-nos informação (Press-Release e imagem) das próximas inaugurações. Seleccionamos três exposições periodicamente, divulgando-as junto dos nossos leitores.
COLECTIVA
O Silêncio de Hefesto - Obras da Coleção de Arte Contemporânea do Estado
ARQUIPéLAGO - CENTRO DE ARTES CONTEMPORâNEAS
Rua Adolfo Coutinho de Medeiros, s/n
9600-516 SãO MIGUEL, AçORES
25 JUL - 01 NOV 2026
INAUGURAÇÃO: dia 25 de julho, às 17:00 no Arquipélago — Centro de Artes Contemporâneas
O Silêncio de Hefesto - Obras da Coleção de Arte Contemporânea do Estado
Curadoria: Vera Carmo
ARTISTAS Ana Vieira / Emily Wardill / Filipa César & Louis Henderson / Helena Almeida / Inês Zenha / Joana Escoval / João Paulo Feliciano / José Manuel Rodrigues / Lea Managil / Luisa Cunha / Manuela Marques / Mariana Vilanova e Marcelo Reis / Nuno Nunes-Ferreira / Paulo Brighenti / Pedro Tudela / Pedro Vaz / Sarah Affonso / Vanda Madureira
O Arquipélago — Centro de Artes Contemporâneas, em colaboração com a CACE – Coleção de Arte Contemporânea do Estado, inaugura, no próximo dia 25 de julho, às 17:00, a exposição “O Silêncio de Hefesto – Obras da Coleção de Arte Contemporânea do Estado.
Esta exposição, com curadoria de Vera Carmo, que estará patente entre 25 de julho e 1 de novembro de 2026, faz parte do programa de circulação nacional da CACE e integra a programação oficial da Ponta Delgada 2026 – Capital Portuguesa da Cultura. Tomando como figura central Hefesto – o deus grego dos vulcões e dos artesãos que instalou a sua forja no interior da terra –, a exposição propõe uma reflexão profunda sobre a identidade e a história do território dos Açores. A mostra convoca a memória das catástrofes naturais que moldaram a região, estabelecendo diálogos com a história política e recente de Portugal.
O epicentro conceptual é a erupção do vulcão dos Capelinhos, na ilha do Faial, em 1957. A exposição interroga o silêncio e a “contenção sensorial” impostos pelo Estado Novo sobre o acontecimento: nas reportagens da recém-criada RTP, a ausência total de som – o silenciamento do estrondo do vulcão e das vozes da população – tornou-se o testemunho mudo de um regime que temia as palavras.
A exposição, a primeira da CACE nos Açores, reúne um conjunto de obras da coleção que percorrem o arco temporal entre 1957 e o presente, marcando a transição histórica e social do silêncio da ditadura ao estrondo da democracia. O percurso expositivo divide-se em quatro núcleos, ocupando as salas de exposição, os corredores e a cave do Centro, e conta com obras de artistas como Sarah Affonso, Luisa Cunha, Filipa César, Pedro Tudela, Manuela Marques, Nuno Nunes-Ferreira, Emily Wardill e Joana Escoval, cujos trabalhos cruzam a afinidade com o território insular e a exploração da dimensão acústica. Através das obras destes e de outros artistas, “O Silêncio de Hefesto” coloca uma questão central: quem pode falar, quem é ouvido e em que condições a catástrofe se torna audível?
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Vera Carmo Professora Assistente Convidada na Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto e investigadora focada nas dimensões históricas e sociopolíticas da fotografia e do vídeo. É membro fundador da Rampa 125. Entre os seus projetos curatoriais recentes destacam-se “Zapping – Televisão como Cultura e Contracultura” (2026) e SAM!24 (2024–2025).