COLECTIVAUM MANUAL ABERTO PARA O GESTO SEMPITERNOESPAçO MIRA Rua de Miraflor n.º 159 4300-334, CAMPANHã, PORTO 12 SET - 31 OUT 2026 Inauguração: Sábado, 12 de Setembro, 16h00, no Espaço MIRA UM MANUAL ABERTO PARA O GESTO SEMPITERNO Projeto artístico, antropológico e curatorial dirigido por Madalena Folgado Artistas, colaboradores e participantes: Madalena Folgado (dir. art), Alice Guerreiro, Ana Mariz, Filipe Sousa, João Brojo, Manuel Santos Maia + Mónica Gomes (Comunidade Surda) + Grupo de Cantares Tradicionais de São Miguel de Acha (Grupo Etnográfico) + António Carrasco, Inês Galhano (colaborações pontuais) + Mariana Esteves (figurino) SOBRE A EXPOSIÇÃO Dia 12: Performance por Alice Guerreiro Após cinco momentos de residências artísticas (quatro dos quais participados), uma performance sonora e uma apresentação pública no passado mês de Agosto em São Miguel de Acha, Idanha-a-Nova, serão apresentadas no Espaço MIRA obras em vídeo, som, instalação e performance, em projeção cruzada com alguns registos das sessões públicas referentes ao processo colaborativo com o Grupo de Cantares Tradicionais de São Miguel de Acha e com a Comunidade Surda, na ADEPAC. SOBRE O PROJETO O MANUAL é um Projeto artístico, de arte e sociedade, que continua o ATLAS (2025) e será continuado pelo ALMANAQUE (2027); igualmente um livro — ou dispositivo —, criado a partir de experiências em conjunto, integrando o que de mais subjetivo (e singular) uma experiência pode objetivar. Visa abrir a imagem — ou “levantar o véu das imagens” (Llansol) —, muitas delas do quotidiano da comunidade local, ao seu potencial artístico. Referimo-nos à tomada de consciência de uma est-ÉTICA do GESTO, em continuum, muito para lá da janela de tempo e espaço da existência de cada um, como consequência da implicação da comunidade no devir das suas imagens, i.e, a Memória, na charneira entre o individual e o coletivo; e a Tradição, enquanto o registo da experiência coletiva que pode ser expressa por símbolos. O nosso olhar tem vindo a ser dirigido à sua transmissibilidade silenciosa, cuja metáfora é, também, a surdez física, apta a uma atenção-outra, de imenso valor para os artistas. Tal transmissibilidade é da ordem do incomputável, do mais profundo e indestrutível humano (num tempo em que se destroem livros para a IA aprender a ler) — assim pensamos o processo artístico. ::: UM MANUAL ABERTO PARA O GESTO SEMPITERNO Aqui, neste Lugar, pensam-se imagens como imargens de um Rio-que-não-cabe-no-tempo, pois atravessa o Curso de Vida que somos sem nos separar do Curriculum Vitae que temos. Em Línguas de Fogo, diz-nos de uma gestação sem princípio nem fim; cada gesto é um remoinho para o Aberto: Uma ancestral canção popular transforma-se no Grande Porto de Partida de Alexandria. Aqui, tudo se Acha, não existem oportunidades perdidas: A Tridacna Squamosa na qual há 28 séculos, em Assur, a cidade do deus do sol e da guerra, foi gravado no seu interior um músico a tocar adufe, é agora um receptáculo para leis cosmos éticas. Foi receptáculo cosmético de um Feminino que a ninguém pertence e é ainda imagem sonora — klangbilder. Abraça a surdez em gesto, no comprimento das ondas mnésicas do Mediterrâneo; sente a vibração das suas Águas Mentais, para que o silêncio da canção ancestral se veja, toque, cheire, saiba mais. Este Rio atravessa São Miguel de Acha. É um Corpo de Imagens em Aberto e não as imagens de um corpo — “Não percebo” — muitos dirão: Desmunir-se é a instrução do seu abrir. Eis o Sopro. |
















