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ARQUIVO:

O seguinte guia de eventos é uma perspectiva prévia compilada pela ARTECAPITAL, antecipando conferências, seminários, cursos ou outras iniciativas. Envie-nos informação (press-release, programa e imagem) dos próximos acontecimentos. Seleccionamos três eventos periodicamente, divulgando-os junto dos nossos leitores.

 


MASTERCLASS COM MIGUEL SOARES

LUZAZUL




FBAUP - FACULDADE DE BELAS ARTES DA UNIVERSIDADE DO PORTO
Av. Rodrigues de Freitas, 265
4049-021 PORTO

05 DEZ - 05 DEZ 2018


Masterclass 4º feira, 5 de Dezembro, 11h


Masterclass com Miguel Soares, na FBAUP - Aula Magna
(entrada livre)



Miguel Soares vai à FBAUP falar do seu trabalho por ocasião da exposição 'Luz Azul', inaugurada a 22 de Novembro no MNAC - Museu do Chiado, em Lisboa.

LUZAZUL (Luz Azul) é uma expressão palindrómica, isto é, que pode ser lida igualmente em ambos os sentidos, referente a um tipo de luz que apareceu recentemente, sobretudo com a introdução da televisão e das tecnologias informáticas (ecrans, projectores de vídeo, LEDs, smartphones, faróis de automóveis). Por ser recente a sua interacção com o ser humano, muito se tem escrito sobre os eventuais benefícios e/ou perigos da exposição prolongada a esse tipo de luz.

Partindo deste mote, a exposição LUZAZUL projecta-nos num futuro mais ou menos próximo, apoiando-se na teoria de dois pensadores, afastados entre si por quase 800 anos: Joaquim de Fiore (1135-1202), com a sua teoria de "As Três Idades do Homem", e Ray Kurzweil (1948-) com a sua teoria da "Singularidade Tecnológica".

Joaquim de Fiore apresentou uma concepção da Santíssima Trindade, que corresponderia a três épocas da História, sendo que a última, a Idade do Espírito Santo, se constituiria como a total libertação do homem e uma nova ordem espiritual em que a Igreja seria "quase desnecessária". Essa teoria, então declarada herética, manteve, contudo, vários seguidores, sendo exemplo desse fenómeno o seu culto actual nos Açores e em algumas cidades dos Estados Unidos da América.

Ray Kurzweil, por outro lado, sugere que o rápido avanço da inteligência artificial poderá dar origem a uma evolução exponencial das máquinas e da automação, que transformará o mundo de uma forma tão rápida e avançada que escapará à compreensão humana, permitindo, todavia, a sua libertação de obrigações. Para este autor, o ano de 2045 será o momento chave dessas transformações. No cruzamento destas duas teorias, antecipamos a criação de uma espécie de "Máquina do Mundo", também descrita por Luís de Camões no final de Os Lusíadas, ou de um mundo automático onde o ser humano encontra as suas necessidades de serviços básicos satisfeitas por máquinas ou robots dotados de inteligência artificial, sentido-se livrepara se dedicar às suas genuínas vocações.

Nesta exposição somos transportados para um futuro próximo em que a paisagem urbana parece já não depender de humanos, mas de uma inteligência superior. Contudo, nesse momento, novos problemas éticos se colocam. Em Abril de 2018 cerca de 150 especialistas em Inteligência Artificial, robótica, comércio, leis e ética de 14 países assinaram uma carta aberta denunciando a proposta do Parlamento Europeu em conceder Personalidade Jurídica a máquinas dotadas de Inteligência artificial.

A exposição LUZAZUL propõe reflectir sobre esta realidade hipotética em que as novas máquinas tomam consciência de si e procuram reivindicar através de grafitis, desenhos ou palavras de ordem, mais tempo livre, mais liberdade e direitos, criando um paralelismo com as lutas desenvolvidas pelos humanos em séculos anteriores, e questionando se esta luz azul será a se esta luz azul será a "luz ao fundo do túnel".


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MIGUEL SOARES N. Braga, 1970, vive e trabalha em Lisboa: http://www.migso.net/
Licenciado em Design de Equipamento, Faculdade de Belas Artes, Lisboa (1989-1995), após formação em fotografia no Ar.Co, Centro de Arte e Comunicação Visual, Lisboa (1989-1990) e formação em desenho, com Manuel San Payo, Galeria Monumental, Lisboa (1989-1990), é doutorando em Arte Contemporânea pelo Colégio das Artes da Universidade de Coimbra (2010-presente).
Tem exercido actividade de docência desde 2006, na Universidade do Algarve, Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, Universidade de Évora e Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa.
Tem mantido uma regular carreira artística, expondo coletivamente desde 1988 e, individualmente, desde 1991, em Portugal e no estrangeiro. Foi vencedor do prémio BES Photo 2007. A sua obra está representada em várias colecções públicas e privadas em Portugal e no estrangeiro.