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O seguinte guia de eventos é uma perspectiva prévia compilada pela ARTECAPITAL, antecipando conferências, seminários, cursos ou outras iniciativas. Envie-nos informação (press-release, programa e imagem) dos próximos acontecimentos. Seleccionamos três eventos periodicamente, divulgando-os junto dos nossos leitores.

 


MARVILA E ALVALADE

3.ª edição da TRAÇA – Mostra de Filmes de Arquivos Familiares




VÁRIOS LOCAIS/LISBOA



19 OUT - 25 OUT 2020


3.ª edição da TRAÇA – Mostra de Filmes de Arquivos Familiares decorre de 19 a 25 de outubro em Marvila e Alvalade




A 3.ª edição da TRAÇA – Mostra de Filmes de Arquivos Familiares decorre de 19 a 25 de outubro e propõe revelar as ligações (históricas e quotidianas) e a circulação possível entre Marvila e Alvalade que, apesar de serem territórios contíguos, estão, em parte, desenhados para estarem de costas um para o outro.

Promovida pelo Arquivo Municipal de Lisboa - Videoteca desde 2015, a TRAÇA pretende dar a conhecer alguns dos filmes amadores, caseiros, privados, feitos na cidade de Lisboa ou pelos seus habitantes.

O percurso que a TRAÇA 2020 vai desenhar entre Marvila e Alvalade terá o seu centro em Marvila. É construído por oposições – porque não existem filmes de família provenientes de Marvila (mas existem muitos em Alvalade); pelo mapear dos percursos dos moradores de Marvila por Alvalade (das pessoas que saíram dos bairros de construção informal em Alvalade para ocuparem casas ou serem realojadas nos bairros de Marvila, ou os percursos quotidianos, para a Igreja ou o Mercado); e pela procura da paisagem de Marvila em Alvalade.

A programação da 3.ª edição da TRAÇA é apresentada através de um percurso digital, atualizado em cada um dos dias da mostra (www.traca-arquivo.com), que mapeia percursos físicos em Marvila e Alvalade e problematiza também noções de deslocação, construção, autoconstrução, ocupação e memória.

Este caminho digital, que identifica locais no terreno e os assinala através de coordenadas GPS, convida também a um percurso físico, que pode ser realizado em qualquer altura pelos seguidores da TRAÇA.

A presença habitual dos moradores nos locais que recebem a mostra, os filmes projetados e comentados são recriados através da partilha de notas de trabalho da equipa, de áudios e transcrições das conversas que aconteceram em Marvila e Alvalade na fase de preparação da mostra, e também de imagens atuais e passadas desses locais - para além, claro, da emissão dos filmes de família do Arquivo Municipal de Lisboa - Videoteca que seriam projetados ou comentados.

Pela primeira vez a TRAÇA convidou uma curadora, Maria do Mar Fazenda, a fazer uma residência no arquivo de filmes de família do Arquivo Municipal de Lisboa - Videoteca. Do trabalho curatorial realizado por Maria do Mar Fazenda a partir do arquivo de filmes de família resulta MURAL, duas estruturas de afixação de cartazes colocadas em espaços de Marvila e Alvalade e que recebem a intervenção dos artistas: André Guedes, Carla Filipe, Fernanda Fragateiro, Filipe André Alves e Ramiro Guerreiro.

A residência artística realizada pela curadora originou também MONTAGEM, um conjunto de fragmentos selecionados e organizados em quatro temas "Areia", "Varandas", "Ocupações efémeras da rua" e "Evidências da técnica".

São ainda exibidas as coleções em bruto de onde Maria do Mar Fazenda retirou fragmentos, e estas coleções voltam a ser abertas através de emissões comentadas por artistas que já passaram pela TRAÇA, como Margarida Cardoso, Sofia Dinger, Sofia Dias e Vítor Roriz, Jorge Silva Melo e Raquel André.


Mais informação e Programa: http://www.traca-arquivo.com/



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A TRAÇA é um projeto de recolha, estudo e exposição de filmes de família promovido pela Videoteca do Arquivo Municipal de Lisboa.

Existe desde 2015 enquanto Mostra de Filmes de Arquivos Familiares e desde o seu início assenta sobre dois pilares fundamentais: o território, tratado a partir da história da sua habitação, e o arquivo, cujos limites procura expandir.

No que diz respeito ao trabalho com o território, a TRAÇA envolve-se de modo muito intenso com as comunidades dos Bairros que recebem cada edição da Mostra, trabalhando de forma específica para a recolha e exposição das suas memórias e das suas imagens (mesmo que não sejam em formato fílmico). Ao mesmo tempo, promove o encontro geracional dentro dessas comunidades, nomeadamente através da organização da TRACINHA na qual as crianças são convidadas a ver, descrever e criar a partir dos arquivos dos mais velhos.

Em relação ao arquivo, a TRAÇA procura expandir de duas maneiras os seus limites: através da recolha, em permanência, de filmes de família que, pelo seu carácter privado, não têm um lugar estabilizado na história do cinema e têm sido descartados pelos arquivos fílmicos (e estão a perder-se); e abrindo o arquivo a criadores que, vindos de áreas artísticas sempre distintas, são convidados a criar novos objetos a partir dos filmes de família recolhidos. De ambas as maneiras a TRAÇA procura abrir o arquivo e pô-lo em movimento, em trabalho, devolvendo-o ao território da cidade.

Se por um lado a TRAÇA trabalha sobre cada filme e memória particular de modo individual, por outro, procura cruzar e articular cada imagem com outras, demonstrando como cada uma é uma peça fundamental para a nossa história comum. Este projeto procura então traçar um mapa imaginário e comum, feito no cruzamento de todas as memórias e imagens individuais que está a recolher, e sobrepõe esse mapa, que é também emocional, a um outro, real, feito de ruas e edifícios. A história de Lisboa ganha assim uma outra dimensão, privada, única e até aqui desconhecida, contrapondo à história oficial, uma outra, plural, escrita pelos olhos de quem habita a cidade.​