Links

Subscreva agora a ARTECAPITAL - NEWSLETTER quinzenal para saber as últimas exposições, entrevistas e notícias de arte contemporânea.



ARTECAPITAL RECOMENDA



Outras recomendações:

LIGA #5


Bárbara Bulhão e Fábio Colaço
ZARATAN - Arte Contemporânea , Lisboa

Movendo um artefacto imóvel


Jessica Sarah Rinland
Universidade Católica do Porto, Porto

Lisbon by Design


Vários
Palacete Gomes Freire, Lisboa

Corpo Manifestação


Vânia Rovisco
Rampa, Porto

Visita guiada à exposição SEMPRE


Ana Jotta e Jürgen Bock
Lumiar Cité - Maumaus, Lisboa

Open House Lisboa


Aurora
,

Ciclo de conferências


Frente à obra: Arte e Filosofia
Museu Nacional de Arte Antiga, Lisboa

Ciclo de debates


Raphael Fonseca e Gabriela Mureb, Yonamine, José de Guimarães e Mariana Pinto dos Santos, Carlos Bernardo, Nuno Grande e Eduardo Brito
Centro Internacional das Artes José de Guimarães, Guimarães

Envelope Surpresa


Albuquerque Mendes
Rampa, Porto

Do analógico ao digital, sem preconceitos, sem hierarquias, contra a ignorância estrutural


Rosangela Rennó
Universidade Católica do Porto, Porto

ARQUIVO:

O seguinte guia de eventos é uma perspectiva prévia compilada pela ARTECAPITAL, antecipando conferências, seminários, cursos ou outras iniciativas. Envie-nos informação (press-release, programa e imagem) dos próximos acontecimentos. Seleccionamos três eventos periodicamente, divulgando-os junto dos nossos leitores.

 


VÂNIA ROVISCO

Corpo Manifestação




RAMPA
Pátio do Bolhão 125
4000-110

14 MAI - 14 MAI 2022


PERFORMANCE: 14 maio, 9h00-21h00, recriação de Vânia Rovisco da performance de Elisabete Mileu apresentada no I Festival de Arte Viva (Alternativa 1, Almada, 1981), seguida de conversa com a artista, Rita Barreira e Cláudia Madeira, mediada pela curadora


Performance inserida no âmbito da exposição:

Egídio Álvaro (1937 - 2020)
"Lembrar o Futuro: Arquivo de Performances"

21/04 a 11/06/2022

Curadoria: Paula Pinto


MOMENTO 3: CORPO MANIFESTAÇÃO

DESTAQUE: ARTISTAS PERFORMERS NO ARQUIVO: ELISABETE MILEU


A desmaterialização da obra de arte, que conduziu à efemeridade dos eventos culturais, produziu novos encontros e novas colisões entre artistas e audiência, num novo terreno comum e partilhado de recepção pública. Era este contexto, entre a sublevação e a revolta francesa de maio de 1968 e a revolução portuguesa de 1974 – no qual circulava o promotor cultural Egídio Álvaro – que direccionou os artistas para a rua e para o contacto directo com públicos muito mais vastos que as audiências de museus e galerias. Apesar dos grandes desfasamentos sócio-culturais das populações, que reflectiam um alheamento imposto pelo regime autoritário, estes novos lugares de partilha evidenciavam a extrema disponibilidade para o estabelecimento de intensas ligações afectivas entre diferentes grupos. Celebrava-se um futuro desconhecido, não sem que a abertura instituída pelo libertador slogan “proibido proibir” deixasse de gerar confrontos sócio-culturais, parte dos quais provocados por aproveitamentos políticos, e outros enraizados em moralismos de fundamento religioso. Mas a vontade de um futuro mais partilhado era manifesta nas lutas transversais pelos direitos e pela liberdade. E estas conquistas políticas foram essenciais para defender as transformações e direitos à independência e à vida privada. A grande manifestação desta liberdade, que expandiu a experiência e tornou a expressão da subjectividade mais plural, foi a revolução corporal. Indissociável da vida, a arte passou a incorporar a reivindicação da igualdade de género e activou de forma manifestamente libertadora o corpo feminino na performance.

Egídio Álvaro acompanhou o interesse pela performance de uma série de artistas femininas, em que o corpo se manifesta imediatamente como expressão da existência. A forma como o seu espólio documental destaca a presença feminina na performance evidencia a necessidade de dedicar um dos momentos de exposição e activação deste ciclo ao tema “Corpo Manifestação”. A fotografia, o cinema, a televisão e os novos meios permitiram aos artistas explorar o tempo e o espaço contemporâneos sem a distância ou o isolamento cultural impostos por qualquer “obra de arte original e consagrada” transposta para os ambientes controlados dos museus. Abriram também espaço para uma análise temática e materialmente transversal das funções da arte. E apesar da efemeridade da performance-arte, foram estes novos meios de comunicação os que melhor se adequaram às transformações vividas em tempo real. Fotojornalistas e o público em geral registaram e presenciaram situações inéditas e para as quais ainda não possuíam chaves de leitura. Essas fotografias, embora dispersas e maioritariamente desaparecidas, ampliam a memória de momentos que aparentemente não afectaram o público, mas em sentido quase oposto, o movimento do vídeo capta sem piedade a inaptidão social para aceitar a liberdade, aparentemente reivindicada por e para todos.

Os textos que Egídio Álvaro foi publicando ao longo da sua vida, e os registos visuais e sonoros – provas de contacto, slides, negativos, ampliações em papel, imagens impressas em publicações, entrevistas áudio e vídeos –, muitos dos quais desconhecidos dos performers em questão e da História da Arte, evidenciam o percurso performático de mulheres como Shirley Cameron, Barbara Heinisch, Laurence Hardy, Gaël, Elisabeth Morcellet, Manuela Fortuna, Elisabete Mileu, Ilse Wegman-Hacker, Monique Hebré, Natascha Fiala, Suzanne Krist, Catherine Meziat, Chantal Guyot, Natasha Fiala, Marie Kawazu, Marcelle Van Bemmel, Tara Babel, Lydia Schouten ou Ção Pestana. E abrem diante de nós um longo percurso de trabalho de investigação e pensamento a realizar sobre o trabalho destas artistas performers, a que esta programação apenas deu início. Esta evidência levou-me a destacar o percurso da performer Elisabete Mileu, convidando a bailarina e artista Vânia Rovisco a recriar a performance que Mileu apresentou no I Festival de Arte Viva (Alternativa 1, Almada, 1981).