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O seguinte guia de eventos é uma perspectiva prévia compilada pela ARTECAPITAL, antecipando conferências, seminários, cursos ou outras iniciativas. Envie-nos informação (press-release, programa e imagem) dos próximos acontecimentos. Seleccionamos três eventos periodicamente, divulgando-os junto dos nossos leitores.

 


JOANA MASó E ÉRIC FASSIN

O Corpo de Elsa von Freytag-Loringoven: Uma crítica ao urinol de Duchamp




SISMóGRAFO
Rua de Alegria 416
4000-035 PORTO

12 JUL - 12 JUL 2025


CONFERÊNCIA: dia 12 de Julho, pelas 18h30, no Sismógrafo
A conferência será em castelhano - Entrada gratuita

Conferência
O Corpo de Elsa von Freytag-Loringoven: Uma crítica ao urinol de Duchamp
por Joana Masó e Éric Fassin


Ciclo Imagens de Pensamento
Curadoria de Susana Camanho e Emídio Agra


A artista e escritora alemã Else von Freytag-Loringhoven (1874-1927), exilada na vanguarda nova-iorquina durante a segunda metade da década de 1910, desenvolveu uma concepção da arte como forma de encarnação (embodiment). Escreveu uma autobiografia dedicada à sua procura do orgasmo para apresentar uma compilação dos seus poemas, que se revelou impossível de publicar. Com o seu corpo, por vezes nu, levou a cabo várias intervenções críticas em galerias e ateliers, bem como performances quando estas ainda não eram conhecidas nas ruas de Nova Iorque. Reinventou também o trabalho de modelo como uma prática artística emancipada; nos últimos anos de vida, chegou a abrir uma escola sem professores nem alunos, na qual era artista-modelo. Não tendo assinado nenhum objecto durante a sua vida, produziu acima de tudo uma arte sem obra nem autor. A partir das suas práticas, hoje redescobertas, podemos conceber uma crítica feminista da vanguarda masculina que nos permite repensar o famoso urinol de Marcel Duchamp, Fountain, que uma parte da crítica atribuiu recentemente a Else von Freytag-Loringhoven.


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Éric Fassin é catedrático de Sociologia e Estudos de Género no Departamento de Ciências Políticas da Universidade de Paris 8. É membro sénior do Institut Universitaire de France. Colaborou em vários catálogos de exposições (elles@centrepompidou, Chercher le garçon, Rachel Rose, Brognon-Rollin). Acaba de publicar, juntamente com Joana Masó, Elsa von Freytag-Loringhoven. La artista que dio cuerpo a la vanguardia e Misère de l'antiintellectualisme. Du procès en wokisme au chantage à l'antisémitisme.

Joana Masó é professora de literatura francesa na Universidade de Barcelona e investigadora na Cátedra UNESCO “Mujeres, Desarrollo y Culturas”. Co-editou em várias línguas os escritos de Jacques Derrida sobre estética e arquitectura e os escritos de Hélène Cixous sobre arte. Publicou também Tosquelles. Curar las instituciones e, com Éric Fassin, Elsa von Freytag-Loringhoven. La artista que dio cuerpo a la vanguardia.


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Ciclo Imagens de Pensamento

'Imagens de pensamento' dá título a este ciclo de conferências que abre um espaço na programação do Sismógrafo para pensar as imagens e através das imagens. Pretende-se com estas conferências unir o discursivo e a imagem, confrontá-los, reconhecer o potencial de uma imagem, de um fragmento, resgatando experiências vitais ameaçadas num presente incerto. Estes tempos da “pós-verdade” e dos “factos alternativos”, turbulentos e inquietantes, tempos de pandemias, de crises ecológicas, financeiras, políticas e sociais, são “tempos interessantes”, para usar a expressão popularizada por Eric Hobsbawm. Tempos interessantes especialmente para o pensamento. Pensar é já contribuir para uma mudança. Este ciclo reivindica uma cooperação entre a força expressiva da arte e a precisão da filosofia. Sem uma linguagem que as acolha, as imagens podem cegar-nos ou nada dizer. Com estas conferências, o Sismógrafo procura cuidar o que Alexander Kluge chama um “jardim de cooperação”, um lugar que preserva os momentos em que a palavra e a imagem convergem de forma a produzirem algo novo, um espaço para a discrepância e a cooperação face às cacofonias da informação, face à manipulação industrial e escravização dos sentimentos. Em tempos difíceis, de cisões e segregações, a cooperação apresenta-se como um antídoto do tribalismo (Richard Sennett). Para abrir na cidade este jardim, este espaço de debate e polifonia, o Sismógrafo convidou oradores ligados à filosofia, à estética, à crítica de arte, às artes plásticas e ao cinema que, em diferentes momentos e desde diferentes perspectivas, procurarão apresentar um diagnóstico do presente.