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Pele Nocturna - Esculturas 2017-2024


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ARQUIVO:

O seguinte guia de eventos é uma perspectiva prévia compilada pela ARTECAPITAL, antecipando conferências, seminários, cursos ou outras iniciativas. Envie-nos informação (press-release, programa e imagem) dos próximos acontecimentos. Seleccionamos três eventos periodicamente, divulgando-os junto dos nossos leitores.

 


RUI CHAFES

Pele Nocturna - Esculturas 2017-2024




TéRMITA LIVROS
Largo de Mompilher 5 R/C
4050-392 PORTO

20 DEZ - 20 DEZ 2025


APRESENTAÇÃO DO LIVRO: 20 de Dezembro, às 18h45, na Livraria Térmita

Com a presença do autor, Óscar Faria e João Sarmento sj


Pele Nocturna - Esculturas 2017-2024
de Rui Chafes



Óscar Faria: «As obras de Chafes permitem-nos descobrir a nossa verdadeira natureza. É preciso vê-las sem as ver. Escutá-las sem as ouvir. Tocá-las sem mãos. Enigmas sombrios, elas são para ser comidas com o coração.



No interior do atelier fui subitamente tomado pelo silêncio de um par de luvas sobre a bancada de trabalho. Comoção da extrema e simples quietude de um par de luvas, objecto deixado no final do dia anterior. Estáticas e pesadas, elementos pousados, parados como bronzes no fundo do oceano. Apesar do impulso do toque, não quis ceder, por pudor à primária tentação do desejo imediato do que significa mexer no que está quieto. Agarrar, com a vontade de compreender, no gesto de prender algo. Aquele par de luvas, normalíssimas, parecia-me maciço, cheio de um chumbo antigo e, sobre aquelas mãos refractárias, nada podia a destruição, nada podia arder.

[João Sarmento sj]



Foi há um ano que assisti a um concerto dos Candura, no qual duas asas gigantes, esculpidas por Rui Chafes, estavam suspensas sobre o palco de Serralves. Só no fim do espectáculo é que percebi serem um par: durante a duração da performance apenas consegui distinguir um único desses membros anteriores de uma espécie vinda de um lugar distante, quer no tempo, quer no espaço. Intitulada From Ruin (2023), esta obra, segundo as palavras do artista, «é uma tempestade de ferro e vento assolando um planalto coberto de gelo. O fogo branco faz retroceder a corrosão que invade a superfície suave dos corpos mais vulneráveis: avançamos para trás até sermos luminosos como recém-nascidos. Aguardamos, expectantes, por um fim igual a um começo. Na imobilidade tensa desse tempo suspenso, apenas perduram os despojos dilacerados do vento gelado. Nenhum abrigo, apenas céu.»

[…]

Talvez as asas de Rui Chafes, assim, dependuradas como se de um troféu de caça se tratasse, possam ter pertencido a uma deusa, Atena, que tinha como um dos seus atributos umas asas ou ela própria é figurada sob a forma de uma ave: águia, abutre, gaivota, mergulhão ou pomba, entre outras. Quando subi ao palco do auditório de Serralves, no fim do concerto dos Candura, tudo me pareceu uma ruína de uma época governada pela técnica.

[Óscar Faria]