ROCK GALLERY




Um cantinho muito bonito, 2010, óleo sobre linho


Pintura Realista, 2010, óleo sobre linho


Ainda não temos bolas que cheguem?, 2010, óleo sobre linho


Pintura abstracto-lírica, 2010, óleo sobre linho


Tapete Vermelho em 2ª mão, 2010, óleo sobre linho


Pelo menos tenho um emprego, 2010, óleo sobre linho


Grande e especial, 2010, óleo sobre linho


STOP doing nice things, 2010, óleo sobre linho


222, 2010, óleo sobre linho


Aprende a dizer que SIM!, 2010, óleo sobre linho


Pintura sem Título, 2010, óleo sobre linho

ExposiÁűes anteriores:

2010-06-18


Joana da Conceição - Australia




2010-04-15


Dani Soter - Do começo ao fim




2010-01-16


Jorge Lopes - very contemporary




2009-11-12


A KILLS B - Dimens√£o Radial




2009-09-04


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2009-05-13


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inferno: apareceu em rio tinto




2008-11-15


Tatiana Macedo - Boys need yoga too




2008-09-17


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N√°dia Duvall




2008-03-25


Marta Sicurella - RIF, 2007





Jorge Lopes - very contemporary


Jorge Lopes (Tomar, 1981) vive e trabalha em Berlim.
Licenciado em Artes Pl√°sticas pela ESAD Caldas da Rainha em 2004. Como bolseiro do programa Leonardo da Vinci fez resid√™ncia na K√ľnstlerhaus Dortmund na Alemanha
(2005-06). Em 2009 foi seleccionado para o Prémio Fidelidade Mundial Jovens


O princípio da reminiscência


Contempor√Ęneo (Lat. Contemporaneu),
adj. e s. m.
que ou aquele que é do mesmo tempo,
da mesma época,
especialmente da época em que vivemos,
coevo.
Dicionário Universal da Língua Portuguesa


Manda a j√° antiga tradi√ß√£o conceptual que um t√≠tulo seja todo um programa. Em muitos casos, que nele se concentre tudo, o t√≠tulo, a obra e o mais. Conv√©m ter isto presente quando travamos contacto com a mais recente s√©rie de pinturas de Jorge Lopes: ¬ęvery Contemporary¬Ľ, uma designa√ß√£o t√£o abstracta e, simultaneamente, t√£o concreta como as pr√≥prias pinturas que a comp√Ķem.
Na verdade, a palavra contempor√Ęneo √© completamente central no l√©xico da arte do presente e, ao mesmo tempo, √© a mais problem√°tica das suas cong√©neres coevas.
Ao contr√°rio da √©poca anterior, que se via a si pr√≥pria como Moderna, o que corresponde a um programa est√©tico-ideol√≥gico amplo mas, ao mesmo tempo, identific√°vel nos seus contornos gerais, Contempor√Ęneo, exprime, simultaneamente, um excesso de sentido e uma vacuidade. √Č uma palavra demasiado poliss√©mica e, por isso, √† beira de perder qualquer significa√ß√£o.
Nesse sentido, ela √© tamb√©m um s√≠mbolo de um tempo incaracteriz√°vel, onde nenhuma s√≠ntese √© poss√≠vel, nenhum ¬ęzeitgeist¬Ľ, nem nenhuma tend√™ncia se imp√Ķe √†s demais como aquela que legitimamente exprime a condi√ß√£o da arte do seu tempo.
Isto faz com que uma express√£o como ¬ęVery Contemporary¬Ľ seja, paralelamente, uma inevitabilidade e um absurdo. Desconfio que seja por isso que Jorge Lopes a utiliza. Como uma ironia que revela uma desconfian√ßa essencial em rela√ß√£o aos pr√≥prios sistemas de valida√ß√£o que actualmente fazem do caos um regime de possibilidades largamente arbitr√°rio e, por isso, potencialmente autorit√°rio.
Essa constata√ß√£o n√£o significa necessariamente um regresso ou uma nostalgia do passado, mas implica um ponto de vista hist√≥rico sobre a pintura. E aqui talvez seja preciso contornar o racioc√≠nio silog√≠stico de Joseph Kosuth que afirmava que ¬ęSe questionarmos a natureza da pintura, n√£o poderemos estar a questionar a natureza da arte. Isso acontece porque a palavra arte √© geral e a palavra pintura √© espec√≠fica ¬Ľ.
Na verdade, a pintura de Jorge Lopes corta este pressuposto ao meio na medida em que olha de forma completamente oblíqua para a história (sem a ortodoxia revivalista de alguma pintura abstracta que por aí se pratica), ao mesmo tempo que aceita o facto de ser feita dessa história, de ser um seu ponto de chegada mas não como se de um ready-made se tratasse.
Conv√©m n√£o confundir esta atitude com o anything goes que habitou o chamado regresso √† pintura durante os anos oitenta. Poucas palavras s√£o t√£o estranhas a esta pintura como a palavra ¬ęregresso¬Ľ, mas ela conduz-nos a uma quest√£o importante na obra de Jorge Lopes: a da sua rela√ß√£o com a mem√≥ria. No caso, n√£o se trata tanto de a pintura fazer o registo de uma consci√™ncia da mem√≥ria visual individual ou da sua hist√≥ria colectiva, mas de a pintura se abrir √† mem√≥ria enquanto mecanismo gerador, inst√°vel, perturbador e que, na sua aparente desorganiza√ß√£o, denuncia uma qualquer ordena√ß√£o da realidade que se queira impor.
Quer isso dizer que a pintura de Jorge Lopes é um lugar onde se abrigam reminiscências, despojos e coisas que aparentam estar ainda a acontecer, como se se tratasse de matéria que ainda não encontrou ou está à procura de ser linguagem, sentido reconhecível, experiência entre a indecifração imediata e a partilha lenta. Ela não é, pois, recordação, se entendida como uma contemplação do passado, mas sim princípio activo. Pode mesmo estabelecer-se um paralelo entre esse mecanismo de sobrevivência e transitoriedade mnemónica, aplicada à prática da pintura, e a teoria de Aby Warburg sobre a sobrevivência histórica das imagens na medida em que através da pintura, Jorge Lopes lhes encontra uma pós-vida (Nachleben).
Na verdade, se podemos dizer que esta pintura √© tecnicamente abstracta, seriamos mais rigorosos em reconhecer que ela nos transporta para um lugar de lat√™ncia onde assoma o artif√≠cio visual das sociedades p√≥s-industriais, as puls√Ķes sexuais e os ecos do mundo da arte, que tamb√©m s√£o as circunst√Ęncias do artista. Todas estas dimens√Ķes nos surgem como um feixe, uma superf√≠cie quebrada que n√£o √© necessariamente uma imagem, mas sim a forma visual de uma perturba√ß√£o.
Da√≠ que, no caso de Jorge Lopes, talvez pud√©ssemos adulterar a c√©lebre frase de Marcel Duchamp ¬ęDumb as a painter¬Ľ e dizer, ¬ędesamparado como um pintor¬Ľ, na medida em que o pintor √© aqui, tal como em geral o pintor contempor√Ęneo, aquele que se relaciona com as imagens como algu√©m que estivesse parado no meio de um rio tentando agarrar a √°gua que passa.
Na impossibilidade de cumprir t√£o desproporcionada tarefa, cada pintura transforma-se numa superf√≠cie habitada por pequenas fulgura√ß√Ķes, num campo magn√©tico onde se ouvem ecos, acumula√ß√Ķes de presen√ßas, sinais, palavras ou frases que deixam ver uma paisagem mental plena de irregularidades e sinuosidades.
E √© neste particular que a pintura de Jorge Lopes define o seu n√ļcleo essencial. Porventura contaminado pela cultura alem√£, e por reminiscentes valores rom√Ęnticos, o artista tende a materializar em imagens da natureza aquilo que possui uma proveni√™ncia mental e cultural ainda que o resultado desse processo seja uma imagem estilha√ßada do ponto de vista representacional e, nesse sentido, um mero rumor do mundo vis√≠vel.
√Č por isso que nestas pinturas, a ideia de paisagem se eleva no esp√≠rito do observador como uma estrutura reconhec√≠vel para al√©m da abstrac√ß√£o, como uma esp√©cie de irregularidade rica (algo como aquilo a que os rom√Ęnticos chamavam o pitoresco) ao mesmo tempo que se desvincula dos princ√≠pios mim√©ticos a que habitualmente vem associada.
O mesmo se poderá dizer da sua relação com a linguagem verbal que faz a sua aparição em vários destes quadros e que conserva uma condição de signo (reconhecível e legível) e ao mesmo tempo é assimilada enquanto inscrição que possui forma e cor.
A combina√ß√£o destes ingredientes resulta numa pintura √°spera ao olhar, que cultiva os desequil√≠brios e a impureza, nos seus processos de gesta√ß√£o e de recep√ß√£o, n√£o fazendo concess√Ķes √† formatada e hipn√≥tica suavidade da ¬ęimagerie¬Ľ contempor√Ęnea, dominada pelos dispositivos televisivos e de produ√ß√£o virtual das imagens. Mas tamb√©m isso ajuda a fazer da pintura de Jorge Lopes o que ela √©: um lugar de risco.

Lisboa, 23 de Janeiro de 2010

Celso Martins


A ROCK Gallery localiza-se no edif√≠cio "TransBoavista", especificamente na Rua da Boavista 84, em Lisboa. Apresenta-se como uma galeria com o intuito de promover exposi√ß√Ķes de artistas -emergentes- com uma vis√£o actual da arte contempor√Ęnea, e um percurso construido no s√©c. XXI. √Č uma galeria inquietante e de emo√ß√£o.
A ROCK Gallery preconiza o ideal de actuar como uma interacção de novas ideias, de forma a criar o perfeito contexto para artistas, críticos e coleccionadores.

Horário: Terça a Sábado, das 14:00 às 19:30H
Rua da Boavista 84, 2¬ļ and - sala 5 / 1200-068 Lisboa - Portugal
Tel: +351 213 433 259 Tm: +351 96 110 65 90 Email: vpf.rockgallery@gmail.com



Rock Gallery presents itself as a gallery with the intention of promoting exhibitions of young artists with a current vision of the contemporary art, and a distance set up as the XXI century. It extols the ideal of acting like an interaction of new ideas of form to create the perfect context for artists, critics and collectors.
Rock Gallery came out of the need to give a change to young artists show their works, on the other side like it is consequence of the strategy that begun with the opening in 2005 of the expositive spaces VPFCream Art and Platform Revolver in the same building








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