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ENTREVISTA



CHRISTINE BUCI-GLUCKSMANN


Desde a publicação, em 1984, do seu La Raison baroque, cujo título é já todo um programa do campo de reflexão da autora, Christine Buci-Glucksmann tem vindo a construir um trabalho no domínio da reflexão sobre a Estética ocidental que não hesita em distender-se entre horizontes afastados: entre o Japão e a emergência de elementos não ocidentais na cultura europeia; entre o alto e o baixo – as tensões entre as transparências imateriais e as petrificações de sentido; e, finalmente, entre as próprias categorias kantianas – as estéticas do tempo e as estéticas do espaço.
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O ESTADO DA ARTE



AUGUSTO M. SEABRA


UMA NOVA MINISTRA
Fazendo uso de uma retórica amarga e de extrema decepção, o ex-ministro socialista da Cultura, Manuel Maria Carrilho, num diagnóstico acutilante do total falhanço do “Compromisso para a Cultura” do programa do governo socialista, o de Sócrates I, interrogava mesmo se o quadriénio 2005-2009 não se teria transformado numa “legislatura perdida”. Foi ainda muito pior que isso. Mais do que apenas uma capacidade, a memória é – deve ser – um dos nossos instrumentos fundamentais de percepção e análise.
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Jorge Lopes - very contemporary

28 de Janeiro a 13 de Março
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PERSPECTIVA ACTUAL

ANTÓNIO PINTO RIBEIRO


OS ESTADOS DAS ARTES VISUAIS FORA DOS CENTROS (Parte II)
A Grécia é um país com pouca tradição na criação artística moderna e contemporânea, para o que contribui, decididamente, a sua instável situação económica. O mercado continua muito direccionado para a arte da antiguidade, embora nas últimas décadas se tenha registado o aparecimento de algumas galerias em Salónica e Atenas onde podem ser vistas obras de arte contemporânea. Os ateliês dos artistas são também um lugar privilegiado para a aquisição directa de trabalhos. Para além das galerias, existem três museus de arte contemporânea (dois nacionais) que promovem os artistas contemporâneos e, dada a dimensão do país, existem bastantes coleccionadores. As galerias gregas tentam estar cada vez mais presentes nas feiras internacionais, mas são também cada vez mais os coleccinadores estrangeiros que viajam à Grécia para comprar peças de arte. No entanto, não existem bons dealers e tudo depende da iniciativa dos próprios artistas, que têm colaborações regulares com galerias de Nova Iorque e Londres.
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ANTÓNIO PINTO RIBEIRO


OS ESTADOS DAS ARTES VISUAIS FORA DOS CENTROS (Parte I)
O convite da Artecapital era obviamente muito estimulante, mas absolutamente irrealizável, dado o tempo e os recursos humanos que seriam necessários para realizar uma investigação apropriada e exaustiva sobre o tema proposto. Ficam aqui apenas algumas premissas de um possível trabalho para uma equipa de investigadores, e algumas notas relativas a um conjunto específico de países, de algum modo representativo da situação da produção e difusão das artes visuais contemporâneas fora dos circuitos e dos países até há pouco tempo tidos como primeiros e históricos produtores. Há que, desde logo, partir da diferenciação das condições de produção, da expectativa de valorização nos mercados e dos valores financeiros que separam as artes visuais das artes performativas, ocupando estas últimas, em termos de transacção comercial, uma importância bastante residual, mesmo considerando a Ópera e as suas mega-produções. Relativamente às artes visuais, há ainda que diferenciar a criação não contemporânea cujos objectos constituem maioritariamente um valor simbólico − nada desprezível, bem pelo contrário −, sendo as suas transacções mais raras e sempre espectaculares pelos montantes obtidos. Existe ainda uma terceira diferença, que diz essencialmente respeito aos valores quantitativos e qualitativos das peças, caso se esteja a falar do circuito de Nova Iorque, Los Angeles, Londres, Paris e Zurique/Basel, ou dos circuitos mais emergentes como o de São Paulo, Xangai, Dubai, México.
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OPINIÃO

FILIPE PINTO


PARA UMA CRÍTICA DA INTERRUPÇÃO
(...) É notória a semelhança entre o interruptor e a porta, tanto no desenho como na função – os dois fazem parte de limites, interrompem realidades, ambientes e situações. Há contudo portas que exacerbam as suas funções – a porta da prisão, a porta de casa, do bordel, do museu, ou a porta da galeria de arte. É sobre esta última que este texto pretende incidir. Tal como nos outros exemplos, a porta da galeria de arte (como interruptor que é) interrompe uma realidade, um fluxo contínuo e vibrante, para impor um limbo, à vez absurdo, inútil, inconsequente, ou belo e fascinante, etc. É na porta da galeria que podemos situar as tensões entre arte e vida, ficção e realidade, simulação e documento, passado e presente, representação e apresentação, estética e ética, espectador e sujeito. Esta porta, qualquer porta, é um claro elemento político, de poder e desejo, de posse e partilha, de prisão e possibilidade. O interior da galeria, por assim dizer, é exterior à vida; a galeria, por via do interruptor-porta, é uma espécie de parêntese urbano, que abre e fecha, criando um terreno desigual, fundando uma situação diferente no chão comum, um pestanejo da vida. O parêntese, tal como a porta da galeria, cria uma situação insolúvel, uma fusão impossível – uma separação; cria uma ilha num plano antes homogéneo. Os parênteses – outra forma de interruptor –, são uma suspensão, uma suspensão da respiração, como vimos há pouco; ao abrirmos a porta da galeria ficamos expectantes, esperamos, tornamo-nos espectadores. Interruptor – Porta – Parêntese.
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ARQUITECTURA E DESIGN

JOANA ASTOLFI


PEDRO + RITA = PEDRITA
A linha que adoptei para a secção de Design da Artecapital parte da transversalidade do design contemporâneo, o design conceptual, o design que combina o pensamento com uma dimensão verdadeiramente artística. A construção de cada um dos artigos baseia-se num ‘ping-pong’ de imagens – lanço uma selecção de imagens ao designer convidado, e este/a responde com uma imagem do seu trabalho (ou não), e um comentário ou link. Os PEDRITA são Rita João (Lisboa, 1978) e Pedro Ferreira (Lisboa, 1978). Ambos estudaram Design na Faculdade de Arquitectura da Universidade Técnica de Lisboa. A Rita estudou também na TU Delft e o Pedro no Politecnico di Milano. Juntaram-se à equipa da FABRICA em Setembro 2002 e em 2004, depois de colaborarem com Jaime Hayon, passaram a coordenar o Departamento de Design 3D da FABRICA. Desde Junho 2006, juntamente com outros studios, organizam 'Freespeech' e 'Pecha Kucha Night Lisbon', duas plataformas que promovem e cruzam várias linguagens nas áreas criativas.
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DESTAQUE

Rogério Silva

A casa dos espelhos

Galeria Palpura, Lisboa
06 MAR- 27 MAR 2010

Objet Perdu

28 JANEIRO - 13 MARÇO
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EXPOSIÇÕES ACTUAIS

FERNANDO BRITO

Ich bin ein Baixinher


Espaço Fidelidade Mundial Chiado 8 - Arte Contemporânea, Lisboa
“Ich bin ein Baixinher” cita “Ich bin ein Berliner”, frase proferida por J. F. Kennedy em 1963, na qual o mesmo se declara, simultaneamente, uma bola de Berlim (na tradução inglesa) e um cidadão berlinense. O Baixinho, em Santarém, é o lugar de uma reclusão intelectual auto-imposta e substitui-se a Berlim na retórica fracassada da Guerra Fria e da modernidade. A paródia, materializada em ruído e excesso e tida como o lugar-comum afecto aos projectos colectivos em que Fernando Brito actua ou actuou, nomeadamente em Homeostética (1982-1987), Ases da Paleta (1989) ou Orgasmo Carlos (desde 2003), permanece central, embora profundamente higienizada, no seu trabalho individual raramente apresentado.
Lígia Afonso

JUDITH BARRY

Body Without Limits


Museu Colecção Berardo, Lisboa
Desde o final do anos 90 que temos assistido ao boom da videoarte. Não apenas da videoarte utilizada como mais um meio de expressão que poderia ser pictórico ou escultórico, mas também muitas vezes utilizado como dispositivo interactivo com o espectador. A arte quase como um jogo, perdendo a distância fria e respeitosa a que estávamos habituados há umas décadas atrás. Segundo Gilles Deleuze, “Em função das técnicas que conheço, posso ter uma ideia num certo domínio, uma ideia em cinema ou uma ideia em filosofia”; mas Judith conhece várias técnicas e usa-as para exprimir as suas ideias. O seu trabalho reúne vários meios de expressão artística: performance, instalação, vídeo, escultura, fotografia e design. Judith Barry nasceu em 1954 em Ohio, estudou na universidade de Berkeley, Califórnia e o seu primeiro trabalho, uma performance, foi exposto em 1977. Judith também escreve ensaios e ficção. É impossível dissociar o seu trabalho de disciplinas como a arquitectura e o design de interiores. “Body Without Limits”, agora patente ao público no Museu Colecção Berardo, com curadoria de Luís Serpa, tenta fazer uma pequena retrospectiva desta artista com obras que abarcam a sua carreira de 1977 até 2008, desde vídeos que vemos projectados em ecrãs ou televisores, fotografias de performances e de outros trabalhos, até espaços construídos como ambientes unos com o vídeo, em que o visitante interage com a obra.
LER MAIS Bárbara Valentina

CARLOS NORONHA FEIO

Snow wall, will you show me the way to restart it all?


Museu Nogueira da Silva, Braga
A ideia de um recomeço tem sido a tónica na qual Carlos Noronha Feio (1981) tem flectido o discurso que acompanha o seu trabalho artístico. Foi o caso da exposição “Tentando alcançar o ponto zero”/ “Trying to reach point zero” em Novembro de 2009; e é o caso de “Snow wall, will you show me the way to restart it all?” do ano e mês corrente. Quando digo «discurso que acompanha» é no propósito de evidenciar o caso, não de todo único mas revelador de um sintoma, que é o forçar um certo discurso num formalismo que não o sustém. Quanto ao discurso, quero dizê-lo claramente que falo do discurso político e da sensação frequente de estarmos diante de um pau-de-cabeleira para formas artísticas que anseiam uma espécie de via rápida para as legitimar. Sabemos que toda a arte é política e etc., etc., e poder-se-á também adjudicar que nada disto é do recente. Mas a receita ainda se revela eficaz: à dimensão do sonho, que por si só parece já não bastar, incorpora-se a vontade de negação e de combate. E como a maioria das propostas artísticas nunca estabelece o que nega ou o que é para combater, fica-se pela vontade justificada na insuficiente razão de não se tratar de uma questão de acto, mas sim de atitude.
LER MAIS Rui Ribeiro

ANDRÉ CEPEDA, FILIPA CÉSAR E PATRÍCIA ALMEIDA

BES Photo 2009


Museu Colecção Berardo, Lisboa
A 6ª edição do BES Photo inaugurou dia 1 de Fevereiro, no Museu Colecção Berardo, em Lisboa, numa parceria entre o Banco Espírito Santo e o Museu Colecção Berardo. Depois de uma selecção baseada no mérito provado em apresentações nacionais e internacionais, os artistas seleccionados expõem em conjunto os trabalhos que levaram à sua selecção bem como trabalhos inéditos comissariados para a exposição e que serão avaliados por um júri internacional. Os artistas tiveram total liberdade de acção para estes projectos. Os três artistas a concurso foram nomeados pelo júri composto por Delfim Sardo, Miguel von Hafe Pérez e Nuno Crespo. O vencedor do mais prestigiado galardão nacional da área da fotografia e no valor de 25.000 euros (bolsa de produção) será anunciado dia 23 de Fevereiro por um júri internacional constituído por José Gil, filósofo, ensaísta e ficcionista (Portugal); Alberto Anaut, director de La Fábrica e presidente do PhotoEspaña (ambos em Espanha) e Marcel Feil, curador do FOAM Fotografiemuseum Amsterdam (Holanda).
LER MAIS Luísa Santos

COLECTIVA

Terceiro Ciclo de Exposições


Carpe Diem Arte e Pesquisa, Lisboa
O terceiro programa de exposições patente no Carpe Diem – Arte e Pesquisa, até 20 de Fevereiro, vem confirmar a solidez e a pertinência de um projecto não comercial, alternativo e ambicioso. No Palácio Pombal (Rua do Século, Lisboa) podem ser usufruídas um conjunto de obras em diferentes media da autoria de sete artistas de nacionalidades distintas: Fernando Sánchez Castillo (Espanha), José Spaniol (Brasil), Mariana Viegas (Portugal), Rui Horta Pereira (Portugal), Joana da Conceição (Portugal), João Serra (Portugal), Liene Bosquê (Brasil) e Miguel Pacheco (Portugal). Lourenço Egreja, Paulo Reis e Rachel Korman, coordenadores do projecto, voltam a assumir o comissariado conjunto deste ciclo. Agrupar discursivamente as obras que se encontram dispersas pelo espaço numa temática comum e aglutinadora não tem sido um dos objectivos delineado pelo Carpe Diem – Arte e Pesquisa na estruturação do seu programa expositivo. No entanto, nas propostas agora apresentadas, e à semelhança das anteriores, predominam peças de natureza site-specific que, materializadas em diferentes suportes, privilegiam a relação com a impositiva arquitectura do palácio, bem como o recurso pontual a materiais disponíveis que são reutilizados (como acontece nas propostas de José Spaniol ou Rui Horta Pereira). A diversidade da proveniência geográfica dos artistas e uma preponderância de trabalhos que, de forma mais ou menos explícita, pressupõem reflexões contestatárias de ordem social e política, historicamente contextualizadas e perspectivadas, podem ser apontadas como tendências óbvias. A disponibilização de algumas salas num formato que se assemelha a residências artísticas é outros dos pontos fortes distintivos do projecto.
LER MAIS Cristina Campos

CHRISTIAN BOLTANSKI

MONUMENTA 10 - Personnes


Grand Palais, Paris
Um enorme muro obstrui a visão do interior do Grand Palais apenas ultrapassada a porta de entrada. Este muro construído como um longo arquivo, composto por latas (de bolachas) em metal enferrujado, alinhadas como tijolos, constitui o primeiro elemento desta instalação concebida por Christian Boltanski como uma “obra de arte total”. Circundamo-lo e deparamo-nos com uma gigantesca montanha de roupa no eixo da nave central do edifício, de um diâmetro gigantesco. Uma grua equipada com uma “mão” mecânica desce até esta montanha agarrando peças de roupa em intervalos regulares; as pausas são teatrais pois as roupas ficam alguns minutos suspensas no ar até a pinça as deixar cair de novo, no mesmo sítio. O corpo do edifício, no seu eixo diagonal, encontra-se geometricamente dividido em 69 rectângulos, de 3 por 5 metros, sobre os quais se encontram casacos, sobretudos, blusões usados, todos com a abertura virada para o chão. Vemos as costas de um objecto impregnado de memórias físicas. São casacos de homens e mulheres e de longe a longe, exaltando a sua evidência, agasalhos de crianças pequenas ou de bebés. Cada rectângulo é iluminado por uma luz fria, em néon, suspensa por um fio de metal. O visitante pode caminhar por entre este campo de casacos.
LER MAIS Sílvia Guerra

COLECTIVA

É proibido proibir!


MUDE - Museu do Design e da Moda, Lisboa
Caetano Veloso grita numa sala do MUDE. Na verdade, Caetano grita num ecrã embutido numa parede do museu. Nesse ecrã, legendas amarelas dão forma a esta e outras frases de protesto que vão surgindo sobre uma fotografia do cantor enquanto jovem. Uma destas frases, gritadas como defesa às vaias, ovos e tomates com que ele e Os Mutantes foram recebidos no teatro TUC de São Paulo em 1968, onde estes gritos foram gravados, é “é proibido proibir”. Inspirada numa das máximas da revolta estudantil de Maio de 68, esta canção de Caetano, o seu grito contra a ditadura brasileira tornado hino do movimento Tropicália, empresta o título à mais recente exposição temporária do museu do design e da moda de Lisboa. Caetano grita no que é a antecâmara da exposição. Aqui, as paredes estão forradas a carpélio rosa-choque. Caixas de luz mostram imagens coloridas e pessoas felizes de cabelos compridos. O chão foi coberto por vinil brilhante às riscas pretas e brancas. O tecto é uma laje esventrada de cimento. A exposição “É proibido proibir!” ainda nem começou, mas os gritos de Caetano, o choque do carpélio, o psicadelismo das imagens e o cinzento do cimento manifestam já o desequilíbrio e o desconforto que se seguem.
LER MAIS Frederico Duarte