NOTÍCIAS
EXPOSIÇÕES ACTUAIS
FERNANDO BRITO
Ich bin ein Baixinher
Espaço Fidelidade Mundial Chiado 8 - Arte Contemporânea, Lisboa
“Ich bin ein Baixinher” cita “Ich bin ein Berliner”, frase proferida por J. F. Kennedy em 1963, na qual o mesmo se declara, simultaneamente, uma bola de Berlim (na tradução inglesa) e um cidadão berlinense. O Baixinho, em Santarém, é o lugar de uma reclusão intelectual auto-imposta e substitui-se a Berlim na retórica fracassada da Guerra Fria e da modernidade. A paródia, materializada em ruído e excesso e tida como o lugar-comum afecto aos projectos colectivos em que Fernando Brito actua ou actuou, nomeadamente em Homeostética (1982-1987), Ases da Paleta (1989) ou Orgasmo Carlos (desde 2003), permanece central, embora profundamente higienizada, no seu trabalho individual raramente apresentado. Lígia Afonso
JUDITH BARRY
Body Without Limits
Museu Colecção Berardo, Lisboa
Desde o final do anos 90 que temos assistido ao boom da videoarte. Não apenas da videoarte utilizada como mais um meio de expressão que poderia ser pictórico ou escultórico, mas também muitas vezes utilizado como dispositivo interactivo com o espectador. A arte quase como um jogo, perdendo a distância fria e respeitosa a que estávamos habituados há umas décadas atrás.
Segundo Gilles Deleuze, “Em função das técnicas que conheço, posso ter uma ideia num certo domínio, uma ideia em cinema ou uma ideia em filosofia”; mas Judith conhece várias técnicas e usa-as para exprimir as suas ideias. O seu trabalho reúne vários meios de expressão artística: performance, instalação, vídeo, escultura, fotografia e design. Judith Barry nasceu em 1954 em Ohio, estudou na universidade de Berkeley, Califórnia e o seu primeiro trabalho, uma performance, foi exposto em 1977. Judith também escreve ensaios e ficção. É impossível dissociar o seu trabalho de disciplinas como a arquitectura e o design de interiores.
“Body Without Limits”, agora patente ao público no Museu Colecção Berardo, com curadoria de Luís Serpa, tenta fazer uma pequena retrospectiva desta artista com obras que abarcam a sua carreira de 1977 até 2008, desde vídeos que vemos projectados em ecrãs ou televisores, fotografias de performances e de outros trabalhos, até espaços construídos como ambientes unos com o vídeo, em que o visitante interage com a obra.| LER MAIS | Bárbara Valentina |
CARLOS NORONHA FEIO
Snow wall, will you show me the way to restart it all?
Museu Nogueira da Silva, Braga
A ideia de um recomeço tem sido a tónica na qual Carlos Noronha Feio (1981) tem flectido o discurso que acompanha o seu trabalho artístico. Foi o caso da exposição “Tentando alcançar o ponto zero”/ “Trying to reach point zero” em Novembro de 2009; e é o caso de “Snow wall, will you show me the way to restart it all?” do ano e mês corrente. Quando digo «discurso que acompanha» é no propósito de evidenciar o caso, não de todo único mas revelador de um sintoma, que é o forçar um certo discurso num formalismo que não o sustém. Quanto ao discurso, quero dizê-lo claramente que falo do discurso político e da sensação frequente de estarmos diante de um pau-de-cabeleira para formas artísticas que anseiam uma espécie de via rápida para as legitimar. Sabemos que toda a arte é política e etc., etc., e poder-se-á também adjudicar que nada disto é do recente. Mas a receita ainda se revela eficaz: à dimensão do sonho, que por si só parece já não bastar, incorpora-se a vontade de negação e de combate. E como a maioria das propostas artísticas nunca estabelece o que nega ou o que é para combater, fica-se pela vontade justificada na insuficiente razão de não se tratar de uma questão de acto, mas sim de atitude.| LER MAIS | Rui Ribeiro |
ANDRÉ CEPEDA, FILIPA CÉSAR E PATRÍCIA ALMEIDA
BES Photo 2009
Museu Colecção Berardo, Lisboa
A 6ª edição do BES Photo inaugurou dia 1 de Fevereiro, no Museu Colecção Berardo, em Lisboa, numa parceria entre o Banco Espírito Santo e o Museu Colecção Berardo. Depois de uma selecção baseada no mérito provado em apresentações nacionais e internacionais, os artistas seleccionados expõem em conjunto os trabalhos que levaram à sua selecção bem como trabalhos inéditos comissariados para a exposição e que serão avaliados por um júri internacional. Os artistas tiveram total liberdade de acção para estes projectos.
Os três artistas a concurso foram nomeados pelo júri composto por Delfim Sardo, Miguel von Hafe Pérez e Nuno Crespo. O vencedor do mais prestigiado galardão nacional da área da fotografia e no valor de 25.000 euros (bolsa de produção) será anunciado dia 23 de Fevereiro por um júri internacional constituído por José Gil, filósofo, ensaísta e ficcionista (Portugal); Alberto Anaut, director de La Fábrica e presidente do PhotoEspaña (ambos em Espanha) e Marcel Feil, curador do FOAM Fotografiemuseum Amsterdam (Holanda). | LER MAIS | Luísa Santos |
COLECTIVA
Terceiro Ciclo de Exposições
Carpe Diem Arte e Pesquisa, Lisboa
O terceiro programa de exposições patente no Carpe Diem – Arte e Pesquisa, até 20 de Fevereiro, vem confirmar a solidez e a pertinência de um projecto não comercial, alternativo e ambicioso. No Palácio Pombal (Rua do Século, Lisboa) podem ser usufruídas um conjunto de obras em diferentes media da autoria de sete artistas de nacionalidades distintas: Fernando Sánchez Castillo (Espanha), José Spaniol (Brasil), Mariana Viegas (Portugal), Rui Horta Pereira (Portugal), Joana da Conceição (Portugal), João Serra (Portugal), Liene Bosquê (Brasil) e Miguel Pacheco (Portugal). Lourenço Egreja, Paulo Reis e Rachel Korman, coordenadores do projecto, voltam a assumir o comissariado conjunto deste ciclo. Agrupar discursivamente as obras que se encontram dispersas pelo espaço numa temática comum e aglutinadora não tem sido um dos objectivos delineado pelo Carpe Diem – Arte e Pesquisa na estruturação do seu programa expositivo. No entanto, nas propostas agora apresentadas, e à semelhança das anteriores, predominam peças de natureza site-specific que, materializadas em diferentes suportes, privilegiam a relação com a impositiva arquitectura do palácio, bem como o recurso pontual a materiais disponíveis que são reutilizados (como acontece nas propostas de José Spaniol ou Rui Horta Pereira). A diversidade da proveniência geográfica dos artistas e uma preponderância de trabalhos que, de forma mais ou menos explícita, pressupõem reflexões contestatárias de ordem social e política, historicamente contextualizadas e perspectivadas, podem ser apontadas como tendências óbvias. A disponibilização de algumas salas num formato que se assemelha a residências artísticas é outros dos pontos fortes distintivos do projecto. | LER MAIS | Cristina Campos |
CHRISTIAN BOLTANSKI
MONUMENTA 10 - Personnes
Grand Palais, Paris
Um enorme muro obstrui a visão do interior do Grand Palais apenas ultrapassada a porta de entrada. Este muro construído como um longo arquivo, composto por latas (de bolachas) em metal enferrujado, alinhadas como tijolos, constitui o primeiro elemento desta instalação concebida por Christian Boltanski como uma “obra de arte total”. Circundamo-lo e deparamo-nos com uma gigantesca montanha de roupa no eixo da nave central do edifício, de um diâmetro gigantesco. Uma grua equipada com uma “mão” mecânica desce até esta montanha agarrando peças de roupa em intervalos regulares; as pausas são teatrais pois as roupas ficam alguns minutos suspensas no ar até a pinça as deixar cair de novo, no mesmo sítio. O corpo do edifício, no seu eixo diagonal, encontra-se geometricamente dividido em 69 rectângulos, de 3 por 5 metros, sobre os quais se encontram casacos, sobretudos, blusões usados, todos com a abertura virada para o chão. Vemos as costas de um objecto impregnado de memórias físicas. São casacos de homens e mulheres e de longe a longe, exaltando a sua evidência, agasalhos de crianças pequenas ou de bebés. Cada rectângulo é iluminado por uma luz fria, em néon, suspensa por um fio de metal. O visitante pode caminhar por entre este campo de casacos.| LER MAIS | Sílvia Guerra |
COLECTIVA
É proibido proibir!
MUDE - Museu do Design e da Moda, Lisboa
Caetano Veloso grita numa sala do MUDE. Na verdade, Caetano grita num ecrã embutido numa parede do museu. Nesse ecrã, legendas amarelas dão forma a esta e outras frases de protesto que vão surgindo sobre uma fotografia do cantor enquanto jovem. Uma destas frases, gritadas como defesa às vaias, ovos e tomates com que ele e Os Mutantes foram recebidos no teatro TUC de São Paulo em 1968, onde estes gritos foram gravados, é “é proibido proibir”.
Inspirada numa das máximas da revolta estudantil de Maio de 68, esta canção de Caetano, o seu grito contra a ditadura brasileira tornado hino do movimento Tropicália, empresta o título à mais recente exposição temporária do museu do design e da moda de Lisboa.
Caetano grita no que é a antecâmara da exposição. Aqui, as paredes estão forradas a carpélio rosa-choque. Caixas de luz mostram imagens coloridas e pessoas felizes de cabelos compridos. O chão foi coberto por vinil brilhante às riscas pretas e brancas. O tecto é uma laje esventrada de cimento. A exposição “É proibido proibir!” ainda nem começou, mas os gritos de Caetano, o choque do carpélio, o psicadelismo das imagens e o cinzento do cimento manifestam já o desequilíbrio e o desconforto que se seguem. | LER MAIS | Frederico Duarte |
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