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ENTREVISTA



CHRISTINE BUCI-GLUCKSMANN


Desde a publicação, em 1984, do seu La Raison baroque, cujo título é já todo um programa do campo de reflexão da autora, Christine Buci-Glucksmann tem vindo a construir um trabalho no domínio da reflexão sobre a Estética ocidental que não hesita em distender-se entre horizontes afastados: entre o Japão e a emergência de elementos não ocidentais na cultura europeia; entre o alto e o baixo – as tensões entre as transparências imateriais e as petrificações de sentido; e, finalmente, entre as próprias categorias kantianas – as estéticas do tempo e as estéticas do espaço.
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O ESTADO DA ARTE



AUGUSTO M. SEABRA


MUSEUS – UMA ESTRATÉGIA, ENFIM
Os museus constituem, do ponto de vista histórico e simbólico, e nos seus acervos e práticas, um dos vértices capitais do sector público da cultura: eles representaram a abertura de usufruto pelo “povo”, pela comunidade, do espólio artístico, e por consequência da possibilidade de fruição e conhecimento. Ora, a rede nacional, aqueles incluídos no âmbito do Instituto dos Museus e da Conservação (IMC) – 28 museus a que com a última reestruturação orgânica se vieram acrescer cinco palácios nacionais anteriormente na alçada do Instituto do Património, o Paço dos Duques de Guimarães e os Palácios de Mafra, Queluz, Sintra e Ajuda – é um dos sectores mais fragilizados do sector público da cultura, com particulares problemas crónicos de suborçamentação (que determinaram em anos recentes encerramentos parciais por falta de garantias de segurança nos Museus Nacional de Arte Antiga (MNAA) e do Chiado, ou mesmo, e contra toda a lógica e princípios, que verbas provenientes do mecenato fossem desviadas para as despesas de manutenção corrente) e também problemas de dimensão, consistência e âmbito da própria rede, meramente de ordem burocrática e institucional, sem atender a realidades e valores materiais, simbólicos e estratégicos muito diversos.
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Jorge Lopes - very contemporary

28 de Janeiro a 13 de Março
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PERSPECTIVA ACTUAL

ANTÓNIO PINTO RIBEIRO


OS ESTADOS DAS ARTES VISUAIS FORA DOS CENTROS (Parte II)
A Grécia é um país com pouca tradição na criação artística moderna e contemporânea, para o que contribui, decididamente, a sua instável situação económica. O mercado continua muito direccionado para a arte da antiguidade, embora nas últimas décadas se tenha registado o aparecimento de algumas galerias em Salónica e Atenas onde podem ser vistas obras de arte contemporânea. Os ateliês dos artistas são também um lugar privilegiado para a aquisição directa de trabalhos. Para além das galerias, existem três museus de arte contemporânea (dois nacionais) que promovem os artistas contemporâneos e, dada a dimensão do país, existem bastantes coleccionadores. As galerias gregas tentam estar cada vez mais presentes nas feiras internacionais, mas são também cada vez mais os coleccinadores estrangeiros que viajam à Grécia para comprar peças de arte. No entanto, não existem bons dealers e tudo depende da iniciativa dos próprios artistas, que têm colaborações regulares com galerias de Nova Iorque e Londres.
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ANTÓNIO PINTO RIBEIRO


OS ESTADOS DAS ARTES VISUAIS FORA DOS CENTROS (Parte I)
O convite da Artecapital era obviamente muito estimulante, mas absolutamente irrealizável, dado o tempo e os recursos humanos que seriam necessários para realizar uma investigação apropriada e exaustiva sobre o tema proposto. Ficam aqui apenas algumas premissas de um possível trabalho para uma equipa de investigadores, e algumas notas relativas a um conjunto específico de países, de algum modo representativo da situação da produção e difusão das artes visuais contemporâneas fora dos circuitos e dos países até há pouco tempo tidos como primeiros e históricos produtores. Há que, desde logo, partir da diferenciação das condições de produção, da expectativa de valorização nos mercados e dos valores financeiros que separam as artes visuais das artes performativas, ocupando estas últimas, em termos de transacção comercial, uma importância bastante residual, mesmo considerando a Ópera e as suas mega-produções. Relativamente às artes visuais, há ainda que diferenciar a criação não contemporânea cujos objectos constituem maioritariamente um valor simbólico − nada desprezível, bem pelo contrário −, sendo as suas transacções mais raras e sempre espectaculares pelos montantes obtidos. Existe ainda uma terceira diferença, que diz essencialmente respeito aos valores quantitativos e qualitativos das peças, caso se esteja a falar do circuito de Nova Iorque, Los Angeles, Londres, Paris e Zurique/Basel, ou dos circuitos mais emergentes como o de São Paulo, Xangai, Dubai, México.
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OPINIÃO

FILIPE PINTO


PARA UMA CRÍTICA DA INTERRUPÇÃO
(...) É notória a semelhança entre o interruptor e a porta, tanto no desenho como na função – os dois fazem parte de limites, interrompem realidades, ambientes e situações. Há contudo portas que exacerbam as suas funções – a porta da prisão, a porta de casa, do bordel, do museu, ou a porta da galeria de arte. É sobre esta última que este texto pretende incidir. Tal como nos outros exemplos, a porta da galeria de arte (como interruptor que é) interrompe uma realidade, um fluxo contínuo e vibrante, para impor um limbo, à vez absurdo, inútil, inconsequente, ou belo e fascinante, etc. É na porta da galeria que podemos situar as tensões entre arte e vida, ficção e realidade, simulação e documento, passado e presente, representação e apresentação, estética e ética, espectador e sujeito. Esta porta, qualquer porta, é um claro elemento político, de poder e desejo, de posse e partilha, de prisão e possibilidade. O interior da galeria, por assim dizer, é exterior à vida; a galeria, por via do interruptor-porta, é uma espécie de parêntese urbano, que abre e fecha, criando um terreno desigual, fundando uma situação diferente no chão comum, um pestanejo da vida. O parêntese, tal como a porta da galeria, cria uma situação insolúvel, uma fusão impossível – uma separação; cria uma ilha num plano antes homogéneo. Os parênteses – outra forma de interruptor –, são uma suspensão, uma suspensão da respiração, como vimos há pouco; ao abrirmos a porta da galeria ficamos expectantes, esperamos, tornamo-nos espectadores. Interruptor – Porta – Parêntese.
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ARQUITECTURA E DESIGN

JOANA ASTOLFI


PEDRO + RITA = PEDRITA
A linha que adoptei para a secção de Design da Artecapital parte da transversalidade do design contemporâneo, o design conceptual, o design que combina o pensamento com uma dimensão verdadeiramente artística. A construção de cada um dos artigos baseia-se num ‘ping-pong’ de imagens – lanço uma selecção de imagens ao designer convidado, e este/a responde com uma imagem do seu trabalho (ou não), e um comentário ou link. Os PEDRITA são Rita João (Lisboa, 1978) e Pedro Ferreira (Lisboa, 1978). Ambos estudaram Design na Faculdade de Arquitectura da Universidade Técnica de Lisboa. A Rita estudou também na TU Delft e o Pedro no Politecnico di Milano. Juntaram-se à equipa da FABRICA em Setembro 2002 e em 2004, depois de colaborarem com Jaime Hayon, passaram a coordenar o Departamento de Design 3D da FABRICA. Desde Junho 2006, juntamente com outros studios, organizam 'Freespeech' e 'Pecha Kucha Night Lisbon', duas plataformas que promovem e cruzam várias linguagens nas áreas criativas.
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DESTAQUE

Manuela Pimentel

+/- Fixação Proíbida

Galeria Jorge Shirley, Lisboa
26 FEV- 26 MAR 2010

Objet Perdu

28 JANEIRO - 13 MARÇO
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EXPOSIÇÕES ACTUAIS

KATHRYN BIGELOW

BREAKING POINT: KATHRYN BIGELOW´S LIFE IN ART


Castillo/Corrales, Paris
A 13 de Março abrirá ao público, na Fundação Cartier, uma exposição dedicada ao cineasta japonês Takeshi Kitano. No mesmo dia fecha uma outra exposição, mais discreta, quase confidencial, dedicada a uma cineasta de “outro género”, conhecida no meio do cinema americano de aventura e de acção e não no dos filmes de autor: Kathryn Bigelow. Pergunto-me: Que razões levaram esta galeria dirigida por um colectivo de artistas, críticos, comissários e recentemente editores, que é hoje um dos “hot spot” alternativos da arte contemporânea em Paris, a fazer uma exposição sobre esta “bad girl” do cinema? Falando com Benjamin Thorel, o quinto elemento da Castillo/Corrales que divide as suas atribuições de curador e crítico de arte com a gestão da livraria especializada – Section 7 Books –, compreendi que foi a vontade de descobrir o que levou certos criadores a trocar o meio de pesquisa artística pela produção de filmes que utilizam os estereótipos fabricados por Hollywood. O que levará à ruptura? Ou existirá uma continuidade mesmo no seio de uma carreira comercial como a de Kathryn Bigelow? Será que metade dos criadores que fizeram parte das vanguardas artísticas criaram a nova arte convencional?
Sílvia Guerra

FERNANDO BRITO

Ich bin ein Baixinher


Espaço Fidelidade Mundial Chiado 8 - Arte Contemporânea, Lisboa
“Ich bin ein Baixinher” cita “Ich bin ein Berliner”, frase proferida por J. F. Kennedy em 1963, na qual o mesmo se declara, simultaneamente, uma bola de Berlim (na tradução inglesa) e um cidadão berlinense. O Baixinho, em Santarém, é o lugar de uma reclusão intelectual auto-imposta e substitui-se a Berlim na retórica fracassada da Guerra Fria e da modernidade. A paródia, materializada em ruído e excesso e tida como o lugar-comum afecto aos projectos colectivos em que Fernando Brito actua ou actuou, nomeadamente em Homeostética (1982-1987), Ases da Paleta (1989) ou Orgasmo Carlos (desde 2003), permanece central, embora profundamente higienizada, no seu trabalho individual raramente apresentado. De uma economia minimal, “Ich bin ein Baixinher” desenvolve-se em torno de quatro peças fundamentais, das quais três escultóricas e uma textual, a última formalizada numa inusitada entrevista de Bruno Marchand, curador da exposição, que traduz e ilumina em catálogo, para além dos objectos, o pensamento plástico, o conhecimento crítico e a investigação permanente de Fernando Brito. A peça, uma obra literária de maturidade reflexiva invulgar, é sintomática de uma acurada consciência da validade da criação, da situação e do lugar do criador e explicativa, por via do desprezo pelos anteriores, de uma auto-determinada inadaptação sistémica.
LER MAIS Lígia Afonso

JUDITH BARRY

Body Without Limits


Museu Colecção Berardo, Lisboa
Desde o final do anos 90 que temos assistido ao boom da videoarte. Não apenas da videoarte utilizada como mais um meio de expressão que poderia ser pictórico ou escultórico, mas também muitas vezes utilizado como dispositivo interactivo com o espectador. A arte quase como um jogo, perdendo a distância fria e respeitosa a que estávamos habituados há umas décadas atrás. Segundo Gilles Deleuze, “Em função das técnicas que conheço, posso ter uma ideia num certo domínio, uma ideia em cinema ou uma ideia em filosofia”; mas Judith conhece várias técnicas e usa-as para exprimir as suas ideias. O seu trabalho reúne vários meios de expressão artística: performance, instalação, vídeo, escultura, fotografia e design. Judith Barry nasceu em 1954 em Ohio, estudou na universidade de Berkeley, Califórnia e o seu primeiro trabalho, uma performance, foi exposto em 1977. Judith também escreve ensaios e ficção. É impossível dissociar o seu trabalho de disciplinas como a arquitectura e o design de interiores. Segundo Gilles Deleuze, “Em função das técnicas que conheço, posso ter uma ideia num certo domínio, uma ideia em cinema ou uma ideia em filosofia”; mas Judith conhece várias técnicas e usa-as para exprimir as suas ideias. O seu trabalho reúne vários meios de expressão artística: performance, instalação, vídeo, escultura, fotografia e design. Judith Barry nasceu em 1954 em Ohio, estudou na universidade de Berkeley, Califórnia e o seu primeiro trabalho, uma performance, foi exposto em 1977. Judith também escreve ensaios e ficção. É impossível dissociar o seu trabalho de disciplinas como a arquitectura e o design de interiores. “Body Without Limits”, agora patente ao público no Museu Colecção Berardo, com curadoria de Luís Serpa, tenta fazer uma pequena retrospectiva desta artista com obras que abarcam a sua carreira de 1977 até 2008, desde vídeos que vemos projectados em ecrãs ou televisores, fotografias de performances e de outros trabalhos, até espaços construídos como ambientes unos com o vídeo, em que o visitante interage com a obra.
LER MAIS Bárbara Valentina

CARLOS NORONHA FEIO

Snow wall, will you show me the way to restart it all?


Museu Nogueira da Silva, Braga
A ideia de um recomeço tem sido a tónica na qual Carlos Noronha Feio (1981) tem flectido o discurso que acompanha o seu trabalho artístico. Foi o caso da exposição “Tentando alcançar o ponto zero”/ “Trying to reach point zero” em Novembro de 2009; e é o caso de “Snow wall, will you show me the way to restart it all?” do ano e mês corrente. Quando digo «discurso que acompanha» é no propósito de evidenciar o caso, não de todo único mas revelador de um sintoma, que é o forçar um certo discurso num formalismo que não o sustém. Quanto ao discurso, quero dizê-lo claramente que falo do discurso político e da sensação frequente de estarmos diante de um pau-de-cabeleira para formas artísticas que anseiam uma espécie de via rápida para as legitimar. Sabemos que toda a arte é política e etc., etc., e poder-se-á também adjudicar que nada disto é do recente. Mas a receita ainda se revela eficaz: à dimensão do sonho, que por si só parece já não bastar, incorpora-se a vontade de negação e de combate. E como a maioria das propostas artísticas nunca estabelece o que nega ou o que é para combater, fica-se pela vontade justificada na insuficiente razão de não se tratar de uma questão de acto, mas sim de atitude.
LER MAIS Rui Ribeiro

ANDRÉ CEPEDA, FILIPA CÉSAR E PATRÍCIA ALMEIDA

BES Photo 2009


Museu Colecção Berardo, Lisboa
A 6ª edição do BES Photo inaugurou dia 1 de Fevereiro, no Museu Colecção Berardo, em Lisboa, numa parceria entre o Banco Espírito Santo e o Museu Colecção Berardo. Depois de uma selecção baseada no mérito provado em apresentações nacionais e internacionais, os artistas seleccionados expõem em conjunto os trabalhos que levaram à sua selecção bem como trabalhos inéditos comissariados para a exposição e que serão avaliados por um júri internacional. Os artistas tiveram total liberdade de acção para estes projectos. Os três artistas a concurso foram nomeados pelo júri composto por Delfim Sardo, Miguel von Hafe Pérez e Nuno Crespo. O vencedor do mais prestigiado galardão nacional da área da fotografia e no valor de 25.000 euros (bolsa de produção) será anunciado dia 23 de Fevereiro por um júri internacional constituído por José Gil, filósofo, ensaísta e ficcionista (Portugal); Alberto Anaut, director de La Fábrica e presidente do PhotoEspaña (ambos em Espanha) e Marcel Feil, curador do FOAM Fotografiemuseum Amsterdam (Holanda).
LER MAIS Luísa Santos

COLECTIVA

Terceiro Ciclo de Exposições


Carpe Diem Arte e Pesquisa, Lisboa
O terceiro programa de exposições patente no Carpe Diem – Arte e Pesquisa, até 20 de Fevereiro, vem confirmar a solidez e a pertinência de um projecto não comercial, alternativo e ambicioso. No Palácio Pombal (Rua do Século, Lisboa) podem ser usufruídas um conjunto de obras em diferentes media da autoria de sete artistas de nacionalidades distintas: Fernando Sánchez Castillo (Espanha), José Spaniol (Brasil), Mariana Viegas (Portugal), Rui Horta Pereira (Portugal), Joana da Conceição (Portugal), João Serra (Portugal), Liene Bosquê (Brasil) e Miguel Pacheco (Portugal). Lourenço Egreja, Paulo Reis e Rachel Korman, coordenadores do projecto, voltam a assumir o comissariado conjunto deste ciclo. Agrupar discursivamente as obras que se encontram dispersas pelo espaço numa temática comum e aglutinadora não tem sido um dos objectivos delineado pelo Carpe Diem – Arte e Pesquisa na estruturação do seu programa expositivo. No entanto, nas propostas agora apresentadas, e à semelhança das anteriores, predominam peças de natureza site-specific que, materializadas em diferentes suportes, privilegiam a relação com a impositiva arquitectura do palácio, bem como o recurso pontual a materiais disponíveis que são reutilizados (como acontece nas propostas de José Spaniol ou Rui Horta Pereira). A diversidade da proveniência geográfica dos artistas e uma preponderância de trabalhos que, de forma mais ou menos explícita, pressupõem reflexões contestatárias de ordem social e política, historicamente contextualizadas e perspectivadas, podem ser apontadas como tendências óbvias. A disponibilização de algumas salas num formato que se assemelha a residências artísticas é outros dos pontos fortes distintivos do projecto.
LER MAIS Cristina Campos

CHRISTIAN BOLTANSKI

MONUMENTA 10 - Personnes


Grand Palais, Paris
Um enorme muro obstrui a visão do interior do Grand Palais apenas ultrapassada a porta de entrada. Este muro construído como um longo arquivo, composto por latas (de bolachas) em metal enferrujado, alinhadas como tijolos, constitui o primeiro elemento desta instalação concebida por Christian Boltanski como uma “obra de arte total”. Circundamo-lo e deparamo-nos com uma gigantesca montanha de roupa no eixo da nave central do edifício, de um diâmetro gigantesco. Uma grua equipada com uma “mão” mecânica desce até esta montanha agarrando peças de roupa em intervalos regulares; as pausas são teatrais pois as roupas ficam alguns minutos suspensas no ar até a pinça as deixar cair de novo, no mesmo sítio. O corpo do edifício, no seu eixo diagonal, encontra-se geometricamente dividido em 69 rectângulos, de 3 por 5 metros, sobre os quais se encontram casacos, sobretudos, blusões usados, todos com a abertura virada para o chão. Vemos as costas de um objecto impregnado de memórias físicas. São casacos de homens e mulheres e de longe a longe, exaltando a sua evidência, agasalhos de crianças pequenas ou de bebés. Cada rectângulo é iluminado por uma luz fria, em néon, suspensa por um fio de metal. O visitante pode caminhar por entre este campo de casacos.
LER MAIS Sílvia Guerra