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ENTREVISTA



NEVILLE D’ALMEIDA


Seria redutor descrever Neville d’Almeida (Belo Horizonte, 1941) como “apenas” um cineasta. Carismático, explosivo, indigesto e libertário são adjetivos esparsos para descrever este mestre polémico da história do cinema brasileiro. Homem plural, o roteirista, produtor escritor, ator, fotógrafo, ativista, artista plástico e claro, cineasta, Neville Duarte d’Almeida passou de artista proscrito a autor do segundo maior êxito de bilheteira da história do cinema brasileiro (A Dama do Lotação, 1978, adaptado do texto de Nelson Rodrigues). Neville recusou-se a vestir o manto do artista maldito e sobreviveu. Hoje define-se como bem-aventurado, não apenas por ter vencido, mas por ter resistido livre. Autor de cerca de dez longa-metragens, quatro curtas e oito documentários, acaba de editar o seu primeiro romance, já para não falar do seu percurso nas artes plásticas, e promete não ficar por aqui. (...) Em 1973 Neville está em Nova Iorque, tal como Hélio Oiticica que assiste a Mangue-Bangue. Escreve três ensaios completamente entusiásticos sobre a película – apelidando-a de “experiência-limite” – que se tornam no único testemunho da sua existência (perdida por 30 anos, a única cópia de Mangue-Bangue só veio a ser reencontrada no acervo do MoMA em 2010). Entrevista de Pietra Fraga.
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O ESTADO DA ARTE



MONTSE BADIA


TRABALHAR EM ARTE
Harald Szeemann dizia que os artistas eram como uma espécie de sismógrafos do que estava a acontecer na sociedade, porque detectavam ou refletiam (de maneira consciente ou inconsciente) as mudanças que estavam a ter lugar. A afirmação continua a ser válida também a um nível mais global.
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Fabrizio Matos ::: Vita Brevis
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PERSPETIVA ATUAL

ROSANA SANCIN


A PROPÓSITO DE ‘FORMER WEST: Documents, Constellations, Prospects’
Former West (2008 – 2014) é uma plataforma empenhada na investigação e negociação das nossas histórias e dos nossos futuros globais pós-1989, o ano que ficou na História por causa de uma série de eventos, que mudaram o mundo aos nossos pés: a Queda do Muro de Berlim, o massacre na Praça Tiananmen em Pequim, e a fatwa proclamada a Salman Rushdie pelo ayatollah Khomeini por ele ter escrito uma novela - Os Versículos Satânicos. Ora, o que escreveu Rushdie para ser condenado à morte? Entre outras ideias, que a condição para as novas coisas puderem surgir é que as velhas têm de morrer...
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OPINIÃO

JOSÉ GOMES PINTO (ECATI/ULHT)


ARTE E INTERACTIVIDADE
A realidade da intersecção entre arte e media é hoje algo inegável. Indústria e academia trabalham em separado, mas sobre problemas e objectos comuns. A realidade é dual, mais uma vez, mas trata-se apenas de uma distinção de razão. Muito daquilo a que se tem chamado Media Art (conceito para o qual a língua portuguesa felizmente ainda não encontrou um vertido fiel), ou seja, muitos dos objectos que surgem das chamadas indústrias culturais e da indústria artística, vivem hoje sobre um fantasma: a interactividade.
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ARQUITETURA E DESIGN

CARLOS MACHADO


VÍTOR FIGUEIREDO: A MISÉRIA DO SUPÉRFLUO
Conheci Vítor Figueiredo na revista l’Architecture d’Aujourd’hui sobre Portugal (n.º175, Maio/Junho de 1976), onde foram publicados dois pequenos artigos, de Duarte Cabral de Mello e de Nuno Portas, que lhe eram dedicados sob o título comum “Vítor Figueiredo, La misère du superflu” (“A miséria do supérfluo”), acompanhados dos seguintes projectos: o Conjunto Habitacional de Peniche (1968), o Conjunto Habitacional em Chelas (1973) e o Conjunto Habitacional no Alto do Zambujal (1975). Eram obras estranhas e fascinantes, sobretudo o Conjunto de Peniche que me fazia lembrar outra descoberta mais ou menos da mesma época: a arquitectura de Giorgio Grassi, que encontrei pela primeira vez num número da mesma revista chamado “Formalismo/Realismo” (Abril de 1977), onde no meio de projectos, bons ou menos bons (não interessa), mas muito vistosos, com maravilhosos desenhos a cores de Aldo Rossi, apareciam três projectos a preto e branco (desenhos e maquetas) que eram, tal como os de Vítor Figueiredo, estranhos, ou perturbadores, pelos menos para mim que lhes dei atenção.
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MEMÓRIAS DO FUTURO

RUI MIGUEL ABREU


BERNARDO DEVLIN: SEGREDO EXÓTICO
O percurso de Bernardo Devlin é longo, prende-se aos anos 80 dos Osso Exótico, e estende-se até um singular presente a que tem imposto de forma discreta a sua criativa presença. Sic Transit é o mais recente capítulo dessa história, uma coleção densa de canções onde Devlin deixa claro que não está interessado em fazer concessões.
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BLOGSITE EM RESIDÊNCIA

A Brief History of John Baldessari, 2012







PREVIEW

EXD’13 - As novidades da 8ª edição


Tendo iniciado um processo de análise crítica e de redesenho em 2011 esta edição traz alterações significativas...
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EXPOSIÇÕES ATUAIS

DOR GUEZ

40 Days


The Mosaic Rooms, Londres
The bride is beautiful but she is married with another man, foi assim que os dois rabis enviados em 1896 descreveram a Palestina, uma afirmação que traduz o quão determinados os sionistas estavam em concretizar os seus ideais, independentemente das consequências que poderiam advir para o povo palestiniano. Os planos para a implementação dos Estado de Israel provêm (pelo menos) desde o final do século XIX, no entanto é somente durante os anos 30, altura em que a Palestina estava sob o controlo dos ingleses, que se verifica um créscimo exponencial do número de imigrantes judeus, legais ou ilegais, para este território. Somente entre 1931 e 1935 o número anual de imigrantes judeus passou de 4 mil para 62 mil. Com a aplicação de ideologias que apadrinhavam o movimento sionista, testemunhamos uma imolação extremamente discriminatória e radical neste território, que culmina numa limpeza étnica de árabes que ‘incentiva’ os restantes a fugirem para países adjacentes, como a Jordânia, acabando por substituir árabes por judeus. Por tal, não é surpreendente que após os eventos de 1948, quando o Estado de Israel é oficialmente estabelecido, que os judeus fossem a preponderante maioria e quaisquer outros neste território, independentemente da sua religião ou etnia, fossem uma pequena minoria sem direitos ou poderes.
Inês Valle

COLETIVA

A Ilha


Livraria Sá da Costa, Lisboa
Miguel Bonneville é o mentor da exposição que podemos ver na Livraria Sá da Costa e a sua intenção segundo a folha de sala foi chamar a atenção para o livro A Ilha de Aldous Huxley que considera de leitura essencial. Foi assim que contactou Cláudia Varejão, Sofia Arriscado, Edvinas Grin, Bárbara Assis Pacheco, Vicky Sabourin, Lara Torres & Diogo Melo, Joana Linda, José Miguel Vitorino, Frauke Frech, Sara Pazos e Sónia Baptista. Tal como na sua obra mais conhecida O Admirável Mundo Novo, em A Ilha Huxley retrata uma civilização ideal e feliz (embora não de forma futurista como na obra anterior). Conhecendo um pouco a biografia de Aldous Huxley é curioso, que todos os artistas expostos tenham optado por se debruçarem sobre o tema do livro, a felicidade, o mundo ideal e principalmente a natureza, sem que nenhum tenha abordado um contexto mais biográfico do autor que o terá levado a idealizar estes mundos: as suas experiências com drogas alucinogéneas e o seu interesse por religiões orientais e outros modos de vida mais espirituais. A Ilha é uma coletiva que reúne artistas nascidos nos anos 80 ou finais de 70. Este grupo de artistas de diferentes áreas, optou por utilizar suportes diversos, nalguns casos até distanciados do tipo de meios em que estamos habituados a vê-los trabalhar, uma característica dos artistas desta geração, mais ecléticos e menos complexados no uso dos meios artísticos disponíveis.
LER MAIS Bárbara Valentina

COLETIVA

Realism in Rawiya – photophic stories from the Middle East


New Art Exchange, Nottingham
Nos dias que correm vulgarizou-se mundialmente uma ideia sobre a região do Médio Oriente, na qual é reduzida a um território de conflito, violência e miséria; lugares que acolhem ou refugiam aqueles que são hoje a imagem banalizada do terrorista, do agressor ou opressor. Infelizmente, esta é mais uma conceptualização extremamente limitada gerada por uma visão ocidentalizada, que com o 11 de Setembro e as recentes revoluções árabes se tem tornado cada vez mais vincada. Com estes últimos eventos, esta região tem obtido uma visibilidade incomparável nos mais diversos meios de comunicação internacional mas também, se observou um exponencial acréscimo de interesse por parte dos vários atores do mundo da arte, que incitaram a produção, reflexão e exibição de arte contemporânea do Médio Oriente, uma nova fonte de rendimento agora em voga.
LER MAIS Inês Valle

NUNO CERA

Dérive Noire


Galeria Pedro Cera, Lisboa
Nuno Cera apresenta, na Galeria Pedro Cera, o seu mais recente trabalho, Dérive Noire, um projeto descrito entre Lisboa e Berlim, uma série de imagens onde ressurgem alguns elementos recorrentes do seu trabalho. Lembro, recuando a 2005 e 2006, as propostas de LOST, LOST, LOST #9 ou Unité d’habitation #5, que agora se vêem repensadas através de novos dispositivos e de outras “narrativas”. Dérive Noire é o resultado de deambulações, de um vaguear noctívago. Nuno Cera assume-se como flâneur noturno, entre cidades onde se encontra, se perde e cria imagens com os espaços. Através de Nuno Cera, os espaços criam imagens, que por sua vez, criam novos espaços.
LER MAIS Patrícia Trindade

ALLAN SEKULA

The Dockers’ Museum


Lumiar Cité - Maumaus, Lisboa
Mais do que uma mostra, a exposição patente na Lumiar Cité até ao dia 31 de março é o sumário de um projeto artístico eminentemente centrado nas consequências da economia globalizada. Sekula apresenta como peça nuclear o filme The Forgotten Space (co-realizado pelo veterano do cinema documental Noël Burch), onde questiona o impacto do sistema neoliberal, como hoje o conhecemos, no contexto particular da vida portuária. De acordo com o fotógrafo, ativista, historiador e professor na CalArts (Califórnia), o mar tornou-se um elemento esquecido na nossa memória simbólica, recordado apenas quando os media noticiam as catástrofes ecológicas ou os cataclismos naturais impelidos pela sua força. Mas, nesta era de crise generalizada e de submissão a uma lógica regida pelo capitalismo, Sekula procura registar as dinâmicas sociais, financeiras e políticas do espaço marítimo, ao ressalvar que ainda é pelas águas que se opera a maior parte das transações de mercadorias.
LER MAIS Maria João Guerreiro

PEDRO BARATEIRO

Feitiço / Spell


Galeria Filomena Soares, Lisboa
O trabalho de Pedro Barateiro tem revelado, desde 2005 para cá, um entendimento muito particular do medium artístico e profundamente consequente com as suas implicações discursivas. A este respeito é preciso esclarecer que para Barateiro o problema do medium não é apenas uma questão de heterogeneidade de meios, ou seja, de uso de diferentes técnicas ou géneros, mas sobretudo uma questão de deslocação sígnica que ocorre no seio dessa diversidade. Como tal, o facto do medium atuar em muitos dos seus trabalhos como estrutura em deslocação, faz com que o sentido dos mesmos se ache através de contínuos deslizes e se construa de forma fragmentada, rejeitando assim qualquer intenção autossuficiente.
LER MAIS Sofia Nunes

RODRIGO AMADO

Un Certain Malaise


Museu da Electricidade, Lisboa
Na sala Cinzeiro 8 do Museu da Electricidade, as vinte fotografias que se encontram expostas apresentam-nos um olhar de viajante solitário. São imagens de lugares perdidos, repletas de melancolia, e intactas à reconhecida visceralidade criativa que Rodrigo Amado amiúde celebra no seu jazz de expressão livre. Os lugares de Amado são essencialmente quatro: quatro cidades do norte da Europa – Berlim, Moscovo, Varsóvia e Copenhaga – configuram cenários de uma absoluta deterioração e abandono, em que a ausência de vida cede espaço a uma devastadora solidão. O fio narrativo destas fotografias, encontramo-lo pela mão do próprio artista, que ancora na obra de Herberto Helder, Os passos em volta, o substrato dos seus tableaux. Livro imbuído de igual “certain malaise”, desassossego, inquietação e generalizado mal-estar, dialoga com os corredores isolados, sofás desabitados e criaturas errantes que Rodrigo Amado imortaliza nesta série.
LER MAIS Maria João Guerreiro