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:: PRIMEIRA EXPOSIçãO INDIVIDUAL DE PEDRO CABRITA REIS NO MAAT CELEBRA 10º ANIVERSáRIO DO MUSEU E 70 ANOS DO ARTISTA

Artecapital

2026-09-16



Vista da exposição “com o coração livre de cuidados”, de Pedro Cabrita Reis. MAAT Gallery, 2026. © Bruno Lopes / Cortesia Fundação EDP

 

 

De 16 de Setembro a 15 de Fevereiro de 2027, o MAAT - Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia acolhe “com o coração livre de cuidados”, a primeira exposição individual de Pedro Cabrita Reis no museu. O título da exposição é uma alusão a Hesíodo e ao seu poema épico "Trabalhos e Dias", que Emil Cioran evoca para referir a vida sem esforço na “idade de ouro”, anterior ao despertar do conhecimento e ao peso da historicidade.

A exposição, com curadoria de João Pinharanda, integra a programação do 10º aniversário do MAAT e ao mesmo tempo celebra os 70 anos que o artista completou recentemente. “Este é o sítio onde eu quero fazer a exposição dos meus 70 anos”, disse Pedro Cabrita Reis em visita de imprensa, e acrescentou que o MAAT é o lugar exacto para comunicar ao público a sua posição como artista.

Exceptuando a série Ridi Pagliaccio (2015), que dá início ao percurso expositivo, a exposição “com o coração livre de cuidados” é composta por cerca de duas centenas de obras inéditas, desde pinturas, desenhos, esculturas e colagens, a maioria das quais foi produzida propositadamente para esta exposição entre 2025 e 2026.

 

Nymphaea Redux (2026), de Pedro Cabrita Reis. Vista da exposição “com o coração livre de cuidados”, MAAT Gallery, 2026. © Bruno Lopes / Cortesia Fundação EDP

 

Os temas assentam sobretudo em dois eixos: a representação da natureza e a representação do corpo. Por exemplo, na série Nymphaea Redux (2026), Cabrita Reis trabalha a partir das pinturas de nenúfares de Claude Monet. O artista pergunta-se “Porque é que me interessou a série dos nenúfares? Porque é um lugar em que a pintura atinge um apogeu, não de verosimilhança, mas da transparência da luz. É a retoma de uma pintura que recusa construir a ligação à fonte, é antes pura transparência.”

Dentro da temática do corpo, temos a iconografia cristã muito presente na exposição “com o coração livre de cuidados”. Mas mais do que uma referência a questões religiosas, o tema é antes tratado a partir da própria história da arte ocidental. Diz Cabrita Reis que “quando me debruço sobre as narrativas e iconografias que decorrem dos Evangelhos, o que me interessa olhar é a forma como os que me precederam olharam para esse universo. A origem é a pintura, a história da arte.” Assim, temos a série Doppia Pietà (2026), Descend from the Cross (2025), Adam and Eve (revised) (2026), 3=1 (2026) ou Ecce Homo (2025), 12 telas que partem do auto-retrato de Albrecht Dürer como Cristo para nos dar várias sombras e silhuetas do artista. Há ainda um “Apostolado”, série de 13 pinturas dos apóstolos a partir de El Greco, mas ordenados segundo a disposição da Última Ceia de Leonardo.

 

Adam and Eve (revised) (2026), de Pedro Cabrita Reis. Vista da exposição “com o coração livre de cuidados”, MAAT Gallery, 2026. © Artecapital

 

Em Adam and Eve (revised) (2026) as posições de Adão e Eva estão invertidas, em relação às representações clássicas, e a árvore tem uma presença antropomórfica. Sobre este tríptico, ao jeito dos retábulos das igrejas mas ligeiramente separados para permitir “a possível diversidade de interpretações”, Cabrita Reis afirmou que “o lado esquerdo é o lado de onde emana a força e aqui está a Eva no lugar da força e no lugar da aceitação está o homem, Adão.”

Ao centro da sala encontramos ainda uma escultura em alumínio em forma de cruz com escada, intitulada Croce (2026). A pedra que está na base da escultura é, segundo Cabrita Reis, um contrapeso, no sentido físico, mas também algo simbólico, que pode remeter para a pedra do túmulo de Cristo, aquilo que ele teve que remover para ascender aos céus.

 

Croce (2026) [Pormenor], de Pedro Cabrita Reis. Vista da exposição “com o coração livre de cuidados”, MAAT Gallery, 2026. © Artecapital

 

Em “com o coração livre de cuidados” há também lugar para o erótico. Numa longa mesa no centro da sala oval, podemos ver a série Le Musée secret (2025), desenhos que Cabrita Reis fez a partir do livro com o mesmo nome com trabalhos de August Rodin. O livro, publicado após a morte do escultor, reúne 121 desenhos eróticos que tinha mantido em segredo. Os desenhos e aguarelas de Cabrita Reis são “desenhos sobre desenhos” e continuam a exploração sobre os modos de olhar dos artistas seus predecessores, esse “poder de transformação da arte”.

 

Vista da exposição “com o coração livre de cuidados”, de Pedro Cabrita Reis. MAAT Gallery, 2026. © Bruno Lopes / Cortesia Fundação EDP

 

A exposição é acompanhada de um catálogo, publicado pela Fundação EDP, que inclui três ensaios inéditos sobre a obra de Pedro Cabrita Reis, na sua produção mais recente, assinados por João Pinharanda, Carlos Vidal e Éric de Chassey.

 


Mais informação sobre a exposição e programa paralelo aqui.

 




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