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À esquerda, Edvard Munch, Autorretrato com chapéu de aba larga (1905-1906), © Foto: Munchmuseet / Ove Kvavik; À direita, Pablo Picasso, Busto de homem com chapéu, Mougins, 11 dezembro 1964 (III), © FABA Foto: Hugard & Vanoverschelde / © Sucesión Pablo Picasso, VEGAP, Madrid, 2026.
O Museu Picasso de Málaga inaugurou a 29 de Outubro MUNCH-PICASSO, uma exposição que, pela primeira vez, propõe um diálogo entre o norueguês Edvard Munch (1863–1944) e o malagueño Pablo Picasso (1881–1973). A exposição explora a forma como ambos abriram caminho para a arte moderna através de uma combinação única de experimentação e da expressão das suas obsessões e emoções pessoais.
Com curadoria da historiadora de arte Paloma Alarcó, a exposição reúne mais de uma centena de obras, incluindo pinturas, gravuras e desenhos, mostra as influências mútuas e as inúmeras afinidades temáticas, bem como as preocupações semelhantes que estão na base da obra de ambos os artistas, explorando a forma como as suas criações radicais moldaram o desenvolvimento da arte moderna. O conjunto das obras permite explorar as afinidades que marcaram as respetivas carreiras e revelam como ambos os artistas transformaram a linguagem artística, colocando a experiência emocional no centro do processo criativo.

Vista da exposição Munch-Picasso, Museo Picasso Málaga. Foto: Pablo Asenjo © Museo Picasso Málaga.
MUNCH-PICASSO propõe um encontro imaginário entre estes dois criadores, que moldaram a sua arte através de uma combinação única de inovação vanguardista e tradição, tendências progressistas e mitos ancestrais. A sua abordagem de trabalhar a superfície pictórica de forma pouco ortodoxa, as técnicas inovadoras de gravura e a reciclagem constante de imagens foram, todas elas, decisivas para a redefinição da arte moderna.
Este projeto expositivo no Museu Picasso de Málaga apresenta, assim, um diálogo ficcional, convidando o público a descobrir ligações inesperadas entre duas figuras que, na realidade, nunca se conheceram. Tendo como ponto de partida os conceitos de influência e afinidade, pretende revelar as convergências presentes na obra de Edvard Munch e Pablo Picasso. Segundo Paloma Alarcó, curadora da exposição, MUNCH-PICASSO "conta a história de um encontro imaginário entre os dois artistas e explora diálogos impossíveis entre duas figuras díspares que nunca se conheceram. Pertenciam a gerações e países diferentes, tinham estratégias artísticas e sensibilidades divergentes, bem como formas opostas de explorar a pintura, mas partilhavam uma obsessão semelhante pelos mistérios mais profundos da vida, bem como interesses comuns ao longo das suas prolíficas carreiras."

Vista da exposição Munch-Picasso, Museo Picasso Málaga. Foto: Pablo Asenjo © Museo Picasso Málaga.
A exposição MUNCH-PICASSO está organizada em secções temáticas distribuídas por dois andares do Museu Picasso de Málaga. Esta apresentação permite estabelecer um diálogo entre as obras dos dois artistas, explorando as suas afinidades estilísticas, preocupações existenciais e temas comuns, tais como o amor, a morte, a solidão, a angústia, a sexualidade e a vida moderna, oferecendo novas perspetivas sobre duas das figuras-chave da arte do século XX.
A apresentação das obras no segundo andar tem um caráter marcadamente biográfico, começando com a secção Autorretratos, na qual Munch e Picasso exploram a construção da sua própria identidade artística. A secção Perante a Morte analisa o impacto que a doença e a perda de entes queridos tiveram nas suas vidas, enquanto Nocturnos transporta o visitante para os cafés, cabarés e ambientes boémios que alimentaram a sua criatividade. O percurso da exposição prossegue com Femme Fragile – Femme Fatale, que se centra na representação complexa das mulheres e no conflito entre homens e mulheres, e conclui com Amor-dor, uma sala dedicada às intensas relações amorosas dos dois artistas e à sua expressão de emoções como o desejo, a paixão, o ciúme, a angústia e até mesmo a morte.
O rés-do-chão do museu apresenta as duas últimas secções da exposição. Nus revela como Picasso e Munch transformaram a representação do corpo humano, afastando-se dos cânones clássicos para fazer do nu feminino um terreno de experimentação formal. Segue-se Joie de vivre, em que o nu masculino, em estreita relação com a natureza, simboliza a vitalidade, a liberdade e a celebração da existência, destacando a capacidade de ambos os artistas para redefinir a linguagem da arte moderna.
A exposição MUNCH-PICASSO pode ser visitada até 28 de Fevereiro de 2027 e contou com a colaboração especial do Munchmuseet de Oslo e da Fundação Almine e Bernard Ruiz-Picasso (FABA), bem como com o patrocínio da Fundação Unicaja.
FONTE: Museo Picasso Málaga