Links

NOTÍCIAS


ARQUIVO:

 


MAAT ANUNCIA EXPOSIÇÕES DA SEGUNDA TEMPORADA DA PROGRAMAÇÃO DE 2025

2025-07-31




Cerith Wyn Evans, Trienal de Arquitectura de Lisboa, Isabelle Ferreira e Pedro Casqueiro evocam temas como perceção sensorial, impacto humano no planeta e migrações.


Grandes esculturas de luz que desafiam a perceção da autoria do britânico Cerith Wyn Evans e um atlas multimédia dos milhões de toneladas de resíduos produzidos pela humanidade e compilado no âmbito da 7.ª Trienal de Arquitectura de Lisboa inauguram a segunda temporada da programação do MAAT.

As duas exposições – Cerith Wyn Evans: Formas no Espaço… através da Luz (no Tempo) e Fluxes – abrem ao público no dia 5 de outubro, assinalando o 9º aniversário do museu.

Por esta ocasião, a Praça do Carvão, no exterior do MAAT Central, acolherá também, a partir do dia 4, uma instalação de grande escala do artista angolano Kiluanji Kia Henda, apresentada no contexto da BoCA – Bienal de Artes Contemporâneas 2025: um labirinto que propõe ao visitante contactar com um território hostil que aponta para os dilemas da crise migratória no Mediterrâneo e os mecanismos de vigilância e exclusão.
O tema da migração é também central na exposição Notre Feu, da artista Isabelle Ferreira, com obras que evocam a viagem dos emigrantes portugueses que, no início dos anos 60, em plena ditadura, fugiam clandestinamente para França – o chamado “Salto”.

Destaque também para Detour, a retrospetiva de Pedro Casqueiro, uma referência incontornável da pintura contemporânea portuguesa.

EXPOSIÇÕES

Cerith Wyn Evans: Formas no Espaço… através da Luz (no Tempo)
Curadoria: Sérgio Mah
05 outubro - 16 fevereiro 2026
MAAT Gallery

A exposição centra-se numa seleção de esculturas de luz, com particular destaque para a obra Formas no Espaço… através da Luz (no Tempo), uma grande instalação composta por quase dois quilómetros de uma complexa rede de néon branco, que será suspensa na Galeria Oval, no MAAT Gallery. A par destas esculturas luminosas, a mostra integra também obras sonoras, instalações e vídeos, evidenciando a complexidade e a profundidade da prática artística de Cerith Wyn Evans (País de Gales, 1958).
O artista iniciou o seu percurso no cinema experimental. A partir da década de 1990, orientou o seu trabalho para uma investigação mais profunda sobre a linguagem e a perceção, cruzando influências do cinema, da música, da literatura e da filosofia. Nos últimos anos, tem apresentado exposições em instituições de renome internacional, como o Pirelli HangarBicocca (2019), o Centre Pompidou-Metz (2024) e o Museu de Arte Contemporânea da Austrália (2025). Participou ainda em eventos como a Bienal de Veneza (2003, 2010, 2017) e a 4.ª Bienal de Moscovo (2011). Em 2018, foi galardoado com o Prémio Hepworth Wakefield de Escultura.

Fluxes: Trienal de Arquitetura 2025
Curadoria: Ann-Sofi Rönnskog e John Palmesino, Territorial Agency
05 outubro – 19 janeiro 2026
MAAT Central

Compostas por quase 30 biliões de toneladas de materiais, as cidades globais são um emaranhado de estruturas em constante mutação, sistemas geometricamente complexos e ambientes espacialmente dispersos. São dispositivos que moldam energia, informação e fluxos materiais que se acumulam ao longo do tempo e se fundem no exoesqueleto duro das sociedades humanas.
O que significa para a arquitetura ser o suporte destas transformações? Este processo dinâmico pode ser abordado investigando a base material da arquitetura: as suas intrincadas construções, alicerces, armaduras, fissuras, modelos, juntas, erosões, desgastes, renovações e interligações. A questão de saber como medir o peso de uma cidade desafia o público a detectar o sinal do Antropoceno no meio do ruído da Terra.
Fluxes é uma das três exposições centrais de How Heavy Is a City? (Quão Pesada é uma Cidade?), a 7.ª edição da Trienal de Arquitectura de Lisboa, a par de Spectres, no MUDE – Museu do Design, e Lighter, no MAC/CCB.

Isabelle Ferreira: Notre Feu
Curadoria: Joana Neves
22 outubro – 16 fevereiro 2026
MAAT Gallery

Isabelle Ferreira (França, 1972) é um nome em consolidação no meio artístico francês, com numerosas exposições institucionais, obras públicas urbanas e presença nas coleções do Estado.
No MAAT, apresenta Notre Feu, exposição cujo título evoca as noites à fogueira, numa referência ao percurso dos migrantes portugueses que, em plena ditadura salazarista, fugiam clandestinamente para França. Essa memória está particularmente expressa num conjunto de composições intituladas L´Invention du courage (o salto), que reconstituem uma prática de então: antes da partida, os migrantes entregavam uma fotografia sua a um traficante que a rasgava ao meio. Uma metade era entregue à família (ou a pessoa de confiança), a outra era guardada pelo traficante e enviada à família no final da viagem, para assegurar que o migrante tinha chegado ao destino em segurança.
Com um foco de interesse político e social, nomeadamente a questão da emigração económica (ela mesma é filha de emigrantes portugueses) ou do exílio, esta exposição proporcionará uma experiência sensorial global: a partir de uma escolha de cores (das plantas encontradas nos caminhos da emigração "a salto"), de materiais (cerâmicas com a rugosidade das pedras das montanhas) e de espaços (representados por fotografias das paisagens atravessadas). Uma enorme colagem, realizada in situ, completará uma viagem que, no contexto histórico que vivemos, se percebe simultaneamente como memória pessoal e testemunho universal.

Pedro Casqueiro: Detour
Curadoria: João Pinharanda
12 novembro – 06 abril 2026
MAAT Central

Exposição retrospetiva que reúne cerca de 80 obras, na sua maioria pinturas, produzidas por Pedro Casqueiro (Lisboa, 1959) desde a década de 80 do século passado até 2024.
Artista representado na Coleção de Arte da Fundação EDP, Pedro Casqueiro integrou um dos vários grupos informais de artistas que frequentaram a ESBAL (hoje FBAUL) nos anos de 1980. A sua pintura afirmou-se de imediato pela energia de cor e composição, pela indiferenciação entre não-figuração e figuração, entre imagem pintada e utilização da palavra escrita, e por uma permanente sabotagem dos pontos de vista, das hierarquias e dos materiais. Posteriormente, as texturas, as linhas mais ou menos livres que rodeavam cores fortes, foram substituídas por imagens quase gráficas, com linhas claras delimitando cores suaves ou surdas, criando padrões (sempre irregulares), letras que ocupam toda a superfície e compõem textos neutros ou sentenças ambíguas e ainda espaços de arquitetura modernistas sabotados por erros propositados. Esta obra vasta e tão diversa estabelece uma relação sempre irónica com a realidade.


Fonte: MAAT