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BIENAL DE SÃO PAULO ADIADA PARA 2021 DEVIDO AO AUMENTO DE CASOS DO CORONAVÍRUS POR TODO O BRASIL

2020-07-02




A pandemia do coronavírus continua a alterar drasticamente o calendário mundial da arte e a mais recente baixa é agora a maior exposição da América Latina que anunciou esta quarta-feira o adiamento numa conferência de imprensa internacional realizada no Zoom. Os organizadores da 34ª edição da Bienal de São Paulo disseram que a principal exposição coletiva seria adiada para 2021. Como resultado, a bienal passa agora a acontecer em anos ímpares, em vez de pares.

Adiada anteriormente de setembro para outubro deste ano, a exposição principal, que tem o tema “Embora ainda esteja escuro, eu canto”, vai agora acontecer de 4 de setembro a 5 de dezembro de 2021. As restrições de viagens e deslocações que afetam atualmente o Brasil e o cancelamento temporário do atendimento de escolas a museus foram fatores determinantes para esta decisão

A 34ª edição da Bienal de São Paulo foi inaugurada oficialmente em fevereiro, com uma exposição individual de Ximena Garrido-Lecca e uma performance de Neo Muyanga, e tinha programado realizar outras exposições individuais, incluindo uma de Deana Lawson que viajaria da Kunsthalle Basileia, na Suíça (a acontecer ao longo de 2020). A lista final de artistas participantes deveria ter sido anunciada no passado mês de abril mas foi adiada devido a pandemia.

"A bienal foi concebida do ponto de vista curatorial desde o início como uma exposição ou um projeto que expande seus limites convencionais tanto no tempo quanto no local", disse Jacopo Crivelli Visconti, o principal curador da exposição, em entrevista à imprensa. “Essas novas datas são um desafio para nós, como curadores, seguir o que colocamos como parâmetros ou conceitos essenciais da exposição desde o início.” Visconti confirmou que todos os trabalhos originalmente destinados às exposições individuais vão ser mostrados na exposição principal e que todas as comissões anunciadas anteriormente também vão ser produzidas.

As ideias gerais que norteiam a bienal vão permanecer as mesmas, disse Visconti. “Nós já estávamos pensando em lidar com ideias de resistência, de circulação, de produzir arte e cultura em geral como se fechados numa prisão, uma sala ou um ambiente doméstico. A maioria das coisas em que já estávamos trabalhando parece ser ainda mais relevante hoje.”

Durante a conferência de imprensa através de Zoom, José Olympio Pereira, presidente da Fundação Bienal de São Paulo e um dos principais colecionadores de arte do mundo, disse que o orçamento da bienal ainda não foi afetado pela pandemia.

Desde março, o Brasil teve mais de 1,4 milhões de casos confirmados, com quase 60.000 mortes relatadas até dia 1 de julho. O estado mais atingido no país foi o de São Paulo, com mais de 281,00 casos, segundo dados publicados pelo New York Times.

A mudança da Bienal de São Paulo para os anos ímpares, com a 35ª edição a acontecer agora em 2023, pode ter um grande impacto noutros eventos mundiais de arte. Tradicionalmente, a Bienal de Veneza, a exposição mundial mais antiga, é apresentada em anos ímpares, e a Bienal de São Paulo, o segundo evento mais antigo deste género, é realizada em anos pares. A próxima iteração da Bienal de Veneza, sob a direção de Cecília Alemani, foi adiada para 2022 porque a Bienal de Arquitetura de Veneza transitou para 2021.





FONTE: ARTnews