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EXPOSIÇÕES ATUAIS


Eduardo Matos, Sem electricidade, mesa - detalhe 1.


Eduardo Matos. Os Intrusos, vista da exposição, cortesia Galeria Pedro Oliveira, Porto 2016.


Eduardo Matos. Os Intrusos, objecto nº 4, cortesia Galeria Pedro Oliveira, Porto 2016.


Eduardo Matos. Os Intrusos, objecto nº 5, cortesia Galeria Pedro Oliveira, Porto 2016.


Eduardo Matos. Os Intrusos Arquivo, detalhe, cortesia Galeria Pedro Oliveira, Porto, 2016.


Eduardo Matos. Explicação do Metal, S/titulo arquitectura no espaço, cortesia Galeria Pedro Oliveira, Porto 2016.


Eduardo Matos. Os Intrusos, Modelo Arquitectónico Para o Espaço Público, cortesia Galeria Pedro Oliveira, Porto 2016.


Eduardo Matos. Os Intrusos, vista da dupla projecção de vídeo, cortesia da Galeria Pedro Oliveira, Porto 2016.

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ARQUIVO:


EDUARDO MATOS

EXPLICAÇÃO DO METAL – CAP. B E C, OS INTRUSOS; SEM ELECTRICIDADE




GALERIA PEDRO OLIVEIRA
Calçada de Monchique, 3
4050-393 Porto

20 FEV - 26 MAR 2016


 

 

A denominação em capítulos de Explicação do Metal - Cap. B e C, Os Intrusos; Sem Electricidade, exposição de Eduardo Matos (1970, Rio de Janeiro, Brasil) na Galeria Pedro Oliveira (Porto), enuncia o seu carácter continuativo e inconcluso, no sentido em que apresenta a sequência de um trabalho investigativo que o artista tem vindo a desenvolver em parte numa implicação da sua prática artística com a realidade exterior ao atelier. Partindo, aqui, de uma observação política e estética sobre determinadas formas organizativas singulares no espaço comunitário, esta exposição interpela as transformações e des-funcionalizações citadinas, convocando os movimentos assimetricamente marginais que aí têm lugar através de acções fomentadoras de uma potência própria, ou, mesmo, de uma direcção utópica. Neste sentido, esta exposição referencia a apropriação de dois espaços no Porto – ambos estabelecidos no contexto decadentista dos pequenos centros e galerias comerciais dos anos 80 –, que des-funcionalizados daquilo que era a sua condição original, foram recompostos e transformados em novos domínios, reinventando singularmente a sua ocupação, visibilidade e utilização.

 

Neste sentido, as duas primeiras salas da galeria apresentam Cap. C Sem electricidade, um conjunto de obras que manifestam uma outra possibilidade de exposição ao serem apresentadas em cima de duas mesas, uma superfície que pode assomar aqui enquanto vínculo entre o momento anterior e posterior à apresentação das obras, versando o seu carácter simultâneo de espaço de criação e de exposição. Os objectos e as imagens sobre a mesa assumem a função evocativa de um momento efémero e particular da cena artística do Porto, na medida em que convocam um espaço artístico alternativo de nome “Apêndice”, que teve lugar na cidade na década passada, funcionando numa loja abandonada de um centro comercial. Desta forma, há um movimento de reconhecimento entre as peças, onde as fotografias das exposições e eventos deste espaço, bem como a descrição da sua programação e particularidades, surgem juntamente com objectos que convocam esta informação fotográfica e escrita de uma forma mais subjectivada. Assim, cria-se uma intenção identificativa entre a subjectividade e a objectividade das peças, que se inscreve numa finalidade evocatória que vai de encontro a uma certa intenção de inscrição. Por outro lado, a replicação dos objectos segue num movimento de sobreposição, onde estes objectos convocam outros objectos artísticos, bem como elementos quotidianos que, na sua forma replicada, perdem igualmente a sua função original, e, por vezes, quotidiana, como é o caso de elementos como limões ou baguetes, que surgem igualmente nesta obra enquanto matérias de sugestão de memórias e experiências.

 

Numa outra sala da galeria, o artista apresenta o trabalho em vídeo cap. B Os Instrusos, que, desenvolvido ao longo de seis anos, observa a ocupação espontânea por músicos de um outro centro comercial na cidade do Porto. Trata-se de um trabalho marcado pela persistência da observação perante a experiência do lugar, onde a existência de uma dupla projecção de vídeo resulta aqui numa tentativa de replicar um lugar e torná-lo orgânico com o espaço galerístico, algo perceptível identicamente no trabalho sonoro realizado por Jonathan Saldanha, alguém que tem uma experiência intrínseca com o lugar, construindo a partir daí a massa sonora do vídeo que se expande pela galeria.

 

Cumpre ainda referir a presença de outras peças na exposição que têm uma função mediadora ou mais convocatórica em relação a estas duas obras, potencializando uma ideia de percurso ou união entre elas. Por um lado, apresentando-se entre a escultura e a maquete, a obra S/titulo arquitectura no espaço, que permanece a meio caminho entre as duas salas, apresenta uma espécie de bairro em ruinas, dando sequência a esta reflexão sobre uma posição mais vergada e decadente da cidade. Por outro lado, existe ainda uma série de pinturas que traduzem um mapeamento cromático de alguns dos elementos da mesa, bem como uma igual evocação do vídeo presente na outra sala, ao sugerir uma investigação sobre as cores do espaço comercial que o artista filmou.

 

Marcada pela diversidade formal e força disruptiva, Explicação do Metal - Cap. B e C, Os Intrusos; Sem Electricidade assenta, portanto, na observação de um movimento de certa transgressão face a uma realidade de propósitos mais utilitários, convocando assim lugares que os souberam subverter através de uma outra ocupação mais criadora e contingente do espaço.

 

 

 

 

 

 

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[a autora escreve de acordo com a antiga ortografia]

 

 



SARA CASTELO BRANCO