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EXPOSIÇÕES ATUAIS


Royal Generation, de Keyezua. Cortesia da artista.


Disclosed Narrative/Restrained History, de Teresa Kutala Firmino. Cortesia da artista.


Beauty, de Mónica de Miranda. Cortesia da artista.


Ilusões, Vol II. Édipo, vídeo-instalação de Grada Kilomba. Cortesia da artista.


Savimbi, Neto, Roberto and I (2019), da série A Luta Continua. Até Quando, de Helena Uambembe. Cortesia da artista.


Série A Luta Continua. Até Quando, de Helena Uambembe. Cortesia da artista.


A história secreta das plantas, de Alida Rodrigues. Cortesia da artista.


A história secreta das plantas, de Alida Rodrigues. Cortesia da artista.


A história secreta das plantas, de Alida Rodrigues. Cortesia da artista.


Havemos de voltar, vídeo de Kiluanje kia Henda.


Havemos de voltar, vídeo de Kiluanje kia Henda.


Havemos de voltar, vídeo de Kiluanje kia Henda. Cortesia do artista.

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COLECTIVA

TAXIDERMIA DO FUTURO




MUSEU NACIONAL DE HISTÓRIA NATURAL DE ANGOLA
Largo do Kanaxixe
Luanda, Angola

05 DEZ - 16 JAN 2020


 

 

Aconteceu no passado dia 6 de Dezembro, um dia depois da vernissage da exposição “Taxidermia do Futuro”, comissariada por Bruno Leitão e Paula Nascimento e que estará patente ao público, no Museu de História Natural, em Luanda, até ao próximo dia 16 de Janeiro de 2020: aquela senhora estava sozinha, sentada num banco de madeira, com as pernas cruzadas em forma de tesoura, como se, com aquele gesto, parasse o tempo.

A exposição, que antes esteve na Bienal de Lumbumbashi 2019, tem um título que parece enigmático, as obras nem tanto. Naquela sala ampla, a senhora sozinha parecia – e depois confirmámos que sim - perguntar-se o mesmo que nós: podemos empalhar o futuro? Quais são as principais interrogações e as respostas possíveis – se é que as há - que a exposição “Taxidermia do Futuro” faz e/ou sugere?

Com apenas nove obras, a saber “A história secreta das plantas”, de Alida Rodrigues, “Royal Generation I, II e III”, de Keyezua, “Beleza” e “Gémeos”, de Mónica de Miranda, “A Luta Continua. Até Quando”, de Helena Uambembe, “Ilusões, Vol II. Édipo”, de Grada Kilomba, “Disclosed Narrative/Restrained History”, de Teresa Kutala Firmino, “Havemos de Voltar”, de Kiluanji kia Henda, e “Ilundu 24”, de Januário Jano, quem visitar a exposição “Taxidermia do Futuro” tem tempo, espaço e, se se afastar discretamente dos outros visitantes, o recolhimento necessário para confrontar as obras umas com as outras, passando das histórias que contam as histórias conhecidas e daí às histórias possíveis e às histórias recriadas: o museu de herança colonial é o invólucro conotado, que activa múltiplos questionamentos pós-coloniais.

A senhora só olhou para nós quando a cumprimentámos. Surpreendeu-nos vê-la sozinha na sala porque, a priori e de um modo errado, demos por sentado que as senhoras mais velhas, com uma idade parecida à que ela pudesse ter, em Angola, normalmente, não gostam nem de arte moderna, nem de arte contemporânea. Ela contou-nos, depois, o quão importante para a sua educação tinha sido a sua avó, esfarelando os nossos preconceitos.

Como todos os visitantes, logo que entramos pusemo-nos a ver a obra de Alida Rodrigues: sob um vidro transparente, as fotografias e os postais da época colonial distribuídos em duas mesas, todos eles reconstituídos pela artista, utilizando ora o desenho de uma flor, ora o de um vegetal colado sobre o original ou, também, pintando em negro rosto de algum dos fotografados para unir e refazer a história das plantas e das pessoas fixas nos labirintos de um tempo desigual, hierarquizado e brutal.

 

A história secreta das plantas, de Alida Rodrigues.

 

Depois, seguindo a sequência em que percorremos a sala, vimos: em primeiro lugar, os retratos de mulher feitos pela Keyezua; em segundo, o vídeo da Mónica de Miranda, que faz um elogio da beleza “equiparando” a modelo com as esculturas greco-romanas e a natureza com a cidade; em terceiro, a sequência de nove fotografias de Agostinho Neto, Jonas Savimbi, Holden Roberto com a silhueta da artista para desfazer tabus e ajudar a digerir melhor o passado; em quarto, duas fotografias das gémeas no Cine Karl Marx de Mónica de Miranda, que mostram a indiferença face à ruína do património arquitectónico da cidade, mas isso ainda não é tudo.

 

A Luta Continua. Até Quando, de Helena Uambembe.

 

No fundo da sala, numa vídeo-instalação em dois canais, vemos a obra de Grada Kilomba. A artista lê um texto numa caixa de luz inclinada sobre a parede, mas poisada no chão, enquanto, mesmo ao lado, na parede branca, actores interpretam vários actos da peça teatral “Édipo, Rei”, de Sófocles: na história que a peça conta, o homem é a resposta do grande enigma colocado pela esfinge a Édipo, mas é o desconhecimento da maldição, escrita no seu destino futuro, a razão da sua desgraça.

Aparecem um depois de outro: o inquietante díptico de Teresa Kutala Firmino sobre o contraste das histórias conhecidas e as ocultas, o vídeo “Havemos de voltar” de Kiluanje kia Henda que, começando pelos azulejos historiados, revisita a História de Angola, e fechando a exposição estão as vinte e quatro fotografias da série “Ilundu”, de Januário Jano.

Quando terminámos de ver a exposição “Taxidermia do Futuro”, aquela bela senhora e a memória da sua avó já se tinham ido embora: de certeza, ela se apercebera de que não podemos embalsamar o futuro, mas, tal como uma premonição, o podemos recriar. No fundo, o que a exposição vem dizer-nos é que teremos maior liberdade para construir o futuro se antes o pudermos imaginar, desfrutando, sem absolutamente medo nenhum do nosso passado, por mais brutal que ele tenha sido, porque o tempo não pára.

 

 

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Taxidermia do Futuro

ArtistasGrada Kilomba, Kiluanji Kia Henda, Mónica de Miranda, Januário Jano, Alida Rodrigues, Keyezua, Teresa Firmino e Helena Uambembe

Curadoria de Paula Nascimento e Bruno Leitão



ADRIANO MIXINGE