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A “VÉNUS” DE BOTTICELLI PODE CONTER PISTAS SOBRE UMA DOENÇA FATAL2026-06-24O rosto da musa renascentista Simonetta Vespucci continua a ser muito mais famoso do que o seu nome. Se conhece a omnipresente pintura de Sandro Botticelli, “O Nascimento de Vénus” (c. 1484-86), então conhece o olhar de Vespucci — embora a sua identidade como modelo da obra-prima ainda não tenha sido totalmente confirmada. Apesar de toda esta aclamação, os detalhes da biografia de Vespucci permanecem obscuros, incluindo o seu local de nascimento em 1453 e a causa da sua morte 23 anos depois. Quatro investigadores dos EUA, Reino Unido e Itália, no entanto, acabaram de reabrir esta última questão. O seu novo estudo, publicado na última edição da revista “Endocrinology, Diabetes & Metabolism” desta semana, propõe que um tumor na hipófise foi a causa da morte da lendária beldade. Este artigo mais recente baseia-se numa investigação liderada há sete anos pelo seu autor correspondente, Paolo Pozzilli, da Queen Mary University de Londres. Com a ajuda de dois colegas italianos, este trabalho anterior veio corroborar a afirmação inicial de Pozzilli de que Vespucci possuía um adenoma hipofisário funcional. Tumores benignos como estes podem segregar uma ou mais hormonas. Supostamente, a Vespucci tinha o tipo mais comum, que produz prolactina, a hormona que inicia a produção de leite materno após o parto. Os prolactinomas, como são designados estes adenomas, podem causar infertilidade, bem como produção espontânea de leite materno. Neste sentido, nos sete anos que medeiam entre o seu casamento e a sua morte, Vespucci não teve filhos. Além disso, uma pintura de Botticelli que supostamente retrata Vespucci mostra-a a jorrar leite. “Acreditamos que isto — juntamente com alterações nas características faciais — pode indicar os sintomas físicos reais de um adenoma secretor de prolactina (hormona do crescimento)”, disse Pozzilli em material de imprensa referente ao novo estudo. Os especialistas confirmaram ainda este diagnóstico ao alimentar um algoritmo de reconhecimento facial com cinco retratos de Simonetta. O algoritmo indicou que as alterações exibidas no rosto de Vespucci ao longo do tempo eram consistentes com os impactos de adenomas hipofisários, que se desenvolvem na região dos seios perinasais. Assim, esta condição poderia também explicar o peculiar olhar estrabista de Vénus em “O Nascimento de Vénus”, que se tornou uma tendência de beleza no Renascimento. O estudo mais recente, no entanto, utilizou registos escritos para argumentar que o adenoma hipofisário de Vespucci foi a causa da sua morte (e não a tuberculose, como geralmente se acredita). “Cartas entre Piero Vespucci e Lorenzo de’ Medici sobre os últimos dias de Simonetta relatam como desmaiou durante um baile e, de seguida, ficou num quarto escuro, onde sofreu com fortes dores de cabeça, alucinações, vómitos e febre alta”, afirmou Domiziana Nardelli, da Università Campus Bio-Medico di Roma, em comunicado de imprensa. “Todos estes são sintomas de um tumor hipofisário em rápida expansão”. Aquele baile, com todas as suas coreografias de dança repletas de saltos, pode ter desencadeado a apoplexia provocada pelo tumor hipofisário. O estudo apresenta ainda uma outra possibilidade ainda mais perturbadora: a de que a apoplexia de Vespucci possa ter começado depois de o notoriamente cruel Afonso II de Aragão, Duque da Calábria, a ter violado. O poema “De Anima Peregrina”, do teólogo italiano Lorenzo Sardi, do final do século XV, narra, alegadamente, a emboscada. "Mesmo uma alteração abrupta da pressão arterial, causada por grande sofrimento, poderia ter provocado uma apoplexia num tumor tão volumoso", refere o artigo. De acordo com o material de imprensa, Pozzilli planeia explorar mais a fundo o estrabismo da Vénus de Vespucci no seu próximo artigo. Fonte: ArtnetNews |














