Links

NOTÍCIAS


ARQUIVO:

 


ITÁLIA PROPÕE UMA COMISSÃO DE RESTITUIÇÃO PARA ARTE SAQUEADA PELOS NAZIS

2026-11-04




O jornal The Art Newspaper refere que o parlamento italiano está a analisar uma nova lei que criaria um processo formal para a restituição de obras de arte e artefactos culturais roubados pelos nazis e pelas autoridades italianas sob o comando de Benito Mussolini durante a Segunda Guerra Mundial. A proposta foi apresentada por um membro dos Irmãos de Itália, partido liderado pela primeira-ministra Georgia Meloni, e foi considerada um "ato de civilização" pelos representantes dos herdeiros daqueles cujos bens foram roubados.

Se a proposta for aprovada, o governo terá seis meses para estabelecer o sistema, que consistirá numa comissão de cinco pessoas que examinará a proveniência dos objectos confiscados e saqueados em consequência da perseguição racial entre 1933 e 1945. As conclusões da comissão serão submetidas aos proprietários originais ou aos seus herdeiros. Caso não sejam encontrados herdeiros vivos, a decisão será anunciada à comunidade judaica italiana em geral.

“Não estamos apenas a falar de reivindicações de propriedade, mas de restaurar a dignidade humana, a memória e os princípios fundamentais da nossa Constituição”, disse Federico Mollicone, aliado de Meloni e autor do projeto de lei apresentado em março, ao The Art Newspaper.

A Itália tem sido mais lenta do que outros países europeus na implementação de legislação de restituição que afecta os judeus. A França criou uma comissão deste tipo em 1999, e o Reino Unido estabeleceu o Painel Consultivo de Espoliação em 2000 para avaliar as reivindicações de obras pertencentes a instituições estatais britânicas. Segundo o The Art Newspaper, os especialistas afirmam que este atraso se deve à relutância nacional em confrontar o passado fascista do país, à falta de transparência sobre a proveniência das obras nos museus e a outros fatores.

Gideon Taylor, presidente da Organização Mundial de Restituição Judaica, afirmou: “A Itália é obviamente um país central no mundo da arte… e, no entanto, nesta questão da restituição do Holocausto, mal arranhou a superfície do problema”.


Fonte: Artforum